Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

Tratamento

Ele quantifica cinco aspectos: ereção, orgasmo, desejo (libido), satisfação

no ato sexual e satisfação final. Homens sem DE pontuam entre 22 e 25,

enquanto os mais graves não pontuam acima de 5 a 7. As respostas a esses

questionários variam em função de maior ou menor escolaridade.

 

Ecodoppler do Pênis em Ereção

 

O estudo do fluxo sanguíneo peniano pelo ecodoppler após injeção

intracavernosa é bastante subestimado na prática clinica. Não é

realizado de rotina em homens com suspeita de DE psicogênica. No

entanto, é exame de enorme valor diagnóstico e prognóstico, pois nos

auxilia a relacionar medidas subjetivas com medidas objetivas de fluxo. O

exame também pode reforçar a relação entre médico e paciente, o qual

muitas vezes sente preocupação do médico em investigar mais a fundo seu

caso, não apenas recomendando uso de medicações de demanda.

 

Tratamento

 

Vale sempre deixar muito claro que o objetivo do tratamento do homem

com DE não será apenas se obter uma ereção rígida, e sim um satisfatório e

profícuo relacionamento sexual.

 

Inibidores da Enzima 5-PDE: tratamento de

 

primeira linha

 

Os medicamentos por via oral cuja função é inibir a enzima 5-

fosfodiesterase (5PDE) formam o grupo mais frequente de terapia utilizada

para DE. Atuam relaxando a musculatura lisa do pênis e facilitando a

ereção, sempre em resposta a determinado estímulo sexual, ou seja, são

facilitadores e não efetores da ereção. Muitas vezes, deparamo-nos com

situações de falha dessas medicações, e quando são devidamente orientados

(a observar o jejum, aguardar o tempo para o efeito e realizar manobras

preliminares do ato sexual) apresentam uma ótima performance.

Para entendermos com clareza o mecanismo de ação desses

medicamentos, vamos recordar brevemente a fisiologia da ereção: a detumescência ou flacidez do pênis se faz pela enzima 5PDE, que age sobre

o GMP cíclico, quebrando sua molécula em transformando-a em GMP

(inativo), como mostra o esquema a seguir.

FIGURA 9.2 Mecanismo bioquímico da ereção peniana.

 

Portanto, inibir sua ação significa aumentar a ação relaxante sobre a

musculatura lisa e, desse modo, facilitar a ereção. Os compostos ativos mais

frequentes utilizados para inibir a 5-PDE são: sildenafila (pioneiro),

tadalafila e vardenafila. Variam entre eles: preço, tempo de ação, duração, tempo para máxima ação e efeitos colaterais. A tendência atual de alguns

casos selecionados é o uso diário, em dose baixa, da tadalafila. A dose

de demanda habitual é de 20 mg, mas no caso diário, 5 mg. A sildenafila

varia a dosagem de 25 a 100 mg. A vardenafila, de 10 a 20 mg, e a

tadalafila, de 5 a 20 mg. Todos devem ser tomados preferencialmente em

jejum. O uso com estômago cheio é motivo frequente de falha. Sugerimos

sempre o uso pelo menos uma hora antes do início da atividade sexual.

Atenção rigorosa para o questionamento do uso de nitratos em conjunto.

Pacientes que usam nitrato têm contraindicação formal ao uso dos

inibidores da 5PDE, pelo risco de severa hipotensão refratária a

tratamento medicamentoso. Quando o residente estiver em dúvida com

relação ao uso ou não de nitratos, é melhor postergar o teste com inibidor de

5PDE. O uso em concomitância com hipotensores também requer atenção,

pelo fato de a associação potencializar episódios de hipotensão postural.

 

Injeção Intracavernosa: tratamento de

 

segunda linha

 

Aos pacientes com contraindicação formal ao uso de Inib 5PDE ou após

falha/insucesso das tentativas de melhora com medicação por via oral,

devemos oferecer a possibilidade do uso de injeções intracavernosas.

Atualmente as drogas mais usadas são: a

PGE1 (prostaglandina/alprostadil), papaverina e fentolamina.

A PGE1 está disponível comercialmente nas doses de 10 e 20 mcg, mas

passível de manipulação em doses variadas. A papaverina e fentolamina são

disponíveis apenas para manipulação. O cuidado principal com todas as

drogas é a realização de teste sob acompanhamento de um urologista e a

compressão adequada do local da punção por 1 minuto após.

A ereção ocorrerá entre 3 e 10 minutos após a injeção, e os efeitos

colaterais mais frequentes são: dor, fibrose com curvatura e priapismo. A

taxa de pacientes que abandona o tratamento é elevada, por insatisfação e

pela dor.