Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
O Impacto dos Esteroides Anabolizantes sobre a Infertilidade Masculina
hipogonadotrófico. O aumento sustentado nos níveis de testosterona levará
a aumento dos níveis de estrógeno por aromatização, explicando a típica
ginecomastia encontrada em usuários de esteroides (seu tratamento deve
incluir terapia antiestrogênica, com citrato de clomifeno, ou inibidores de
aromatase, como anastrozol).
Comportamento agressivo, depressão, oscilação de humor, libido
alterada, euforia e até mesmo psicose e aumento de incidência de
criminalidade são alguns dos padrões psíquicos classicamente relacionados
com o uso de testosterona. Também foram relatadas síndrome de
abstinência e dependência de EAAs, assim como aumento da probabilidade
de eventos psiquiátricos em pacientes com um histórico de alcoolismo e
abuso de outras drogas.
O Impacto dos Esteroides Anabolizantes
sobre a Infertilidade Masculina
O Clássico e Reversível Hipogonadismo
Hipogonadotrófico Induzido por EAA
A infertilidade após o uso de EAA normalmente aparece como
oligozoospermia ou azoospermia, associada ou não a astenozoospermia e
defeitos de morfologia. Segundo a maioria dos relatos, a qualidade seminal
tende a se recuperar espontaneamente dentro de um período de 4 a 12 meses
após a interrupção do abuso de esteroides anabolizantes. No entanto, o
efeito negativo sobre a qualidade do esperma pode persistir por períodos
mais longos, juntamente com baixos níveis de testosterona sérica e
gonadotrofinas e atrofia testicular. Esses efeitos resultam da resposta
negativa dos andrógenos sobre o eixo hipotalâmico-pituitário e,
possivelmente, dos efeitos supressivos locais de andrógenos exógenos sobre
os testículos. Nesse estado de hipogonadismo hipogonadotrófico induzido
por esteroides, as concentrações de FSH e LH são baixas, tendendo a zero.
Todo esse quadro leva a um estado de diminuição da espermatogênese e
baixa qualidade do sêmen, impactando negativamente no potencial fértil.
Além disso, em uma situação de abuso de EAA, as concentrações de andrógenos séricos podem ser suprafisiologicamente altas, mas geralmente
não conseguem produzir as concentrações testiculares necessárias para
manter a espermatogênese.
Com relação à conduta, a suspensão do uso de EAA pode, por si só,
garantir a recuperação da fertilidade em boa parte dos casos, em especial
quando não estamos diante de homens com história de longo tempo de
exposição aos esteroides. Por outro lado, os pacientes podem ser ativamente
tratados, de maneira semelhante àquela empregada no tratamento do
hipogonadismo hipogonadotrópico, com o uso de protocolos de indução da
espermatogênese com gonadotrofinas ou análogos, incluindo injeções
subcutâneas de gonadotrofina coriônica humana (hCG) e gonadotrofina
menopáusica humana (hMG). O objetivo do tratamento da azoospermia
induzida por EAA centra-se no restabelecimento da função endócrina. Não
há consenso sobre a dosagem ideal de hCG ou hMG no tratamento dessa
condição. Os relatos envolvendo terapia com hCG mencionam doses que
variam de 2.000 unidades internacionais, três vezes por semana; até 10.000
unidades, duas vezes por semana (por cerca de 90 dias). As dosagens de
hMG variam de doses de 75 a 150 unidades internacionais em dias
alternados (por cerca de 30 dias). A resposta é bastante variada, sendo o
restabelecimento da espermatogênese a regra, mesmo em situações de
azoospermia persistente após anos de interrupção de uso de EAAs. Diversos
relatos mencionam indivíduos que foram capazes de obter a gravidez após a
recuperação seminal. Obviamente, o tratamento conservador é sempre mais
desejável e deve ser favorecido. No entanto, análises anteriores sobre o
tema sugerem que se considere o tratamento ativo com gonadotrofinas se
não for detectada melhora nos parâmetros hormonais e seminais após
períodos de observação que variam entre 6 e 24 meses.
Descobertas Experimentais Inovadoras
sobre EAA Induzido
Histopatologia
Experimentos em modelos relatam alterações principais em células de
Leydig em situações de uso de EAA. A depleção das células de Leydig é,
de longe, a descoberta mais comum dentre esses estudos, embora também tenham sido relatadas anomalias morfológicas (desde aberrações no
formato da célula, núcleo em picnose e atrofia celular). A diminuição dessa
população de células é acompanhada por baixos níveis de testosterona e de
LH em todos os artigos revisados, especialmente entre os animais adultos.
Também foram feitas análises imuno-histoquímicas, com resultados que
sugerem uma diminuição de esteroidogênese no tecido testicular. Também
foram descritos os padrões histológicos após a interrupção do uso de EAA.
As células de Leydig tendem a proliferar, mas ainda permanecendo abaixo
das contagens normais, mesmo depois de um longo período de abstinência
de EAA, de até 16 semanas. Certamente não podem ser descartados os
efeitos de longa duração ou efeitos possivelmente persistentes. É importante
destacar que, em todos os estudos experimentais envolvendo histologia
testicular, todas as amostras foram fixadas em formalina e imediatamente
inseridas em parafina, e isso pode ter causado o encolhimento de todas as
formas de células germinativas, levando ao subdiagnóstico de algum grau
de anormalidade espermatogênica.
O impacto na qualidade do sêmen
A associação de hCG a esteroides é uma prática comum entre os usuários
de EAA. O objetivo é evitar o impacto da supressão de LH após um longo
período de administração de EAA, o que geralmente pode levar a um estado
persistente de hipogonadismo e de baixos parâmetros de qualidade seminal,
normalmente descrita como oligozoopermia grave ou até azoospermia.
Estudos mostram que, mesmo entre os indivíduos que se utilizam desse
artifício, alterações seminais persistentes podem ocorrer. Mais uma vez,
alterações potencialmente persistentes têm mais possibilidade de aparecer
entre os usuários de esteroides.
Apoptose
Sabe-se que a apoptose em células germinativas desempenha um papel
importante na fisiologia testicular normal, e os controles apoptóticos são
importantes para regular a população de células germinativas nos testículos
de adultos. Recentemente, avaliou-se, por meio de experimentos, a
correlação entre apoptose, altas doses de EAA e exercícios. Os métodos
TUNEL [deoxinucleotidil transferase terminal (TdT) dUTP nick-end Labeling], ensaio da atividade da caspase-3 (C3AA) e microscopia