Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Recomendações
Tabela 5.2
Indicações para testes genéticos em homens inférteis a partir
da contagem de espermatozoides, associada a outros testes
clínicos e o teste genético apropriado para cada caso (adaptado
de Turek, 2005; Krausz e Chianese, 2014)
Contagem do sêmen Outra condição Teste genético
clínica associada
Contagem de spz < 5 ____ Teste de microdeleção do cromossomo Y
milhões/mL e análise do cariótipo para anomalias
cromossômicas
Azoospermia ou contagem Ausência de pelo Mutações genéticas associadas à fibrose
de spz muito baixa (< 5 menos um vaso cística milhões/mL) deferente (CAVD)
Azoospermia Atrofia testicular Teste de microdeleção do cromossomo Y
e análise do cariótipo
Hipoandrogenização ____ Procura por mutações no gene AR
causado por PAIS
Outras síndromes com HH Gene KAL 1-3 (síndrome de Kallman)
histórico familiar de através de sequenciamento direto infertilidade
Spz: espermatozoides
CAVD: ausência congênita de vaso deferente (uni/bilateral)
PAIS: síndrome da insensibilidade parcial a andrógenos
AR: receptor de andrógeno
HH: hipogonadismo hipogonadotrófico
Recomendações
O aconselhamento genético em casos de infertilidade masculina devido
a oligospermia ou azoospermia, que não ocorreram por bloqueio na
produção de espermatozoides adquirido por algum evento recente, é
altamente recomendado para o casal infértil. Embora a quantidade de
defeitos em nascimentos seja similar (3,3%) para ICSI ou via relação sexual
normal, as anomalias cromossômicas são mais prevalentes em nascimentos por ICSI. Além disso, anomalias sutis no desenvolvimento têm sido
observadas em crianças concebidas por reprodução assistida.
Estudos dos genes associados à infertilidade têm ajudado no
desenvolvimento de testes diagnósticos para a infertilidade masculina,
juntamente com estratégias terapêuticas para superar a infertilidade,
particularmente em homens que irão realizar o procedimento por ICSI.
Nomeando alguns, o mapeamento testicular, análises genéticas em nível
cromossômico (cariotipagem), análises para mutações no gene do receptor
andrógeno, testes para fibrose cística e análises de microdeleções no
cromossomo Y têm sido rotineiramente investigadas para diagnósticos da
infertilidade masculina. Além disso, com a disponibilidade de tecnologias
modernas como proteômica e transcriptômica, tornou-se fácil identificar
milhares de proteínas e RNA, como biomarcadores, em amostras biológicas
complexas como o plasma do sêmen.
Portanto, o aprimoramento dos testes para detecção de anomalias
genéticas e polimorfismos desfavoráveis previamente à execução da ICSI é
mandatório, pois levará à uma melhora nos resultados da RA. A Tabela 5.2
mostra os testes genéticos mais comuns para um completo diagnóstico
relacionado com infertilidade masculina.
Condutas a Serem Realizadas de Maneira
Geral
• Em relação a microdeleções no cromossomo Y, geralmente as taxas de
fertilização e gravidez na ICSI não são afetadas pela presença de
microdeleções em regiões específicas do cromossomo Y (Song
et al., 2016). Porém, os filhos homens gerados serão portadores
obrigatórios da mutação. Para a prole destes gerada por ICSI,
recomenda-se a avaliação da fertilidade prematuramente. Como já se
sabe que a função residual espermatogênica em portadores de
microdeleções no cromossomo Y piora com o tempo, a
criopreservação prematura dos espermatozoides dos portadores
dessas deleções seria altamente recomendada.
• Homens portadores de síndrome de Klinefelter podem ser beneficiados
com técnicas de RA e ICSI, mas o fato de serem portadores de elevado