Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Introdução: Investigação e Diagnóstico
Introdução: Investigação e
Diagnóstico
A infertilidade masculina apresenta-se em franco crescimento pelo mundo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 80
milhões de pessoas apresentem problemas relacionados com a infertilidade.
Atualmente, a infertilidade atinge um em cada seis casais em idade
reprodutiva, independentemente de suas origens étnicas ou sociais.
Inúmeros estudos revelam queda progressiva dos parâmetros seminais em
homens jovens provenientes de diversos países.
Pode-se dizer que problemas masculinos estão presentes em cerca de
50% dos casais inférteis. Em 40% dos casais que não conseguem
engravidar, o homem é o único responsável pela causa da infertilidade, e em
20% das vezes, temos fatores masculinos e femininos envolvidos.
A investigação da infertilidade deve sempre envolver o casal
simultaneamente. São inúmeros os casos nos quais a conduta do fator
masculino é influenciada e alterada diretamente pelos achados da
investigação feminina. Um simples exemplo: quanto tempo podemos
propor para melhora quantitativa e qualitativa seminal quando o casal nos
procura na tentativa de gravidez natural e a esposa tem uma contagem de
folículos reduzida e dosagem do hormônio antimülleriano de 0,7 ng/mL?
Os fatores feminino e masculino estão diretamente ligados. As decisões
que regem a tentativa de melhora do homem dependem necessariamente da
visão completa do lado feminino e da ciência de sua influência na decisão
do tratamento do casal. Como dito anteriormente, exemplifica-se a situação
da mulher com disfunção ovulatória e um homem com alteração masculina
moderada. Não se pode tratar a disfunção ovulatória e não abordar o fator
masculino. O contrário também é verdadeiro. O foco principal desta
publicação é conseguir organizar de maneira simples e didática todas as etapas envolvidas no tratamento do casal infértil. Discutiremos os principais
exames e as indicações dentro da propedêutica básica e avançada da
infertilidade masculina, além das condutas mais atuais baseadas em
evidência.
Objetivos da Avaliação do Homem Infértil
Identificar:
• Causas com potencial de tratamento e possibilidade de tentativa de
gravidez natural;
• Causas que orientem qual melhor tratamento dentro da reprodução
assistida;
• Doenças graves masculinas que estão por trás do quadro de infertilidade;
• Identificar alterações genéticas que podem ser transmitidas à prole e
orientar a melhor conduta nesses casos.
A avaliação masculina do casal infértil consiste em uma variedade de
componentes, que incluem:
• História clínica, cirúrgica, medicamentosa e reprodutiva;
• Exame físico detalhado e focado na parte fértil;
• análise seminal (duas coletas) e laboratorial;
• análise com exames específicos;
Veja esquema a seguir:
FIGURA I.1 Avaliação de infertilidade masculina.
Como exemplificado, os exames complementares serão solicitados de
acordo com os achados iniciais do exame físico, história clínica,
espermograma inicial e/ou dosagem de hormônios.
Propedêutica Básica e Avançada
Anamnese
História
A abordagem do homem infértil deve se iniciar pela obtenção de uma
história clínica detalhada do paciente. A coleta da história pode ser dividida em cinco didáticos pilares:
Quadro I.1 Medicações em uso, uso de drogas
recreativas, exposição a substâncias gonadotóxicas
Avaliação do uso de medicações como sulfassalazina, antifúngicos como
cetoconazol, corticoides, alopurinol, colchicina e drogas como maconha,
narguile, cocaína, ecstasy, LSD, heroína, crack e outras drogas sintéticas,
abuso de álcool.
Avaliação de tabagismo e consumo de cafeína.
Atenção para exposição excessiva a substâncias e ambientes com
potencial tóxico para as gônadas, como saunas, piscinas aquecidas,
radiação, contato com metais pesados e pesticidas – muita atenção nos
casos de pacientes que têm contato com tais substâncias em
fazendas/lavouras.
Quadro I.2 Histórico de doenças da infância e
adolescência
Avaliação para puberdade tardia ou ausência de caracteres sexuais
secundários.
Histórico prévio de ginecomastia (alterações no metabolismo dos
estrógenos, hiperprolactinemia, uso de anabolizantes).
Atenção para criptorquidia – unilateral: menor potencial nocivo e
bilateral com maior potencial de dano à fertilidade.
Quadro I.3 Avaliação sexual e reprodutiva prévia
Atenção para a saúde sexual do casal, frequência das relações sexuais e
de masturbação, para o risco de abuso de pornografia, ereção adequada e
volume da ejaculação.
Avaliar se há correta sincronização do coito com os momentos mais
adequados do ciclo ovulatório.
Histórico prévio de gravidez e/ou gestações, abortos e de tratamentos
de reprodução assistida anteriores.
Atenção para uso de lubrificantes vaginais e saliva no ato sexual, pois
podem ser deletérios à fertilidade masculina.
Quadro I.4 Avaliação de doenças sistêmicas
Doenças como diabetes melito, hipertensão arterial sistêmica, esclerose
múltipla, doenças de depósito como sarcoidose e insuficiência renal
crônica podem afetar direta ou indiretamente a fertilidade masculina e
muitas vezes podem ser identificadas durante a investigação da
infertilidade.
Quadros febris agudos, infecções crônicas e doenças oncológicas
também podem afetar diretamente a fertilidade.
Quadro I.5 Histórico cirúrgico prévio
Cirurgia bariátrica e seu impacto na fertilidade masculina (tema abordado
em capítulo específico).
Cirurgias de hérnia na infância ou colocação de tela de polipropileno –
e outras manipulações cirúrgicas sob ou em contato com o cordão
espermático.
Cirurgias para criptorquidia e testículos retráteis após 2 anos de idade
– atenção para os casos de bilateralidade.
Correção de ginecomastia ou cirurgias realizadas na hipófise.
Além disso, outras inúmeras doenças sistêmicas podem ser detectadas
durante e investigação masculina ou estar associadas ao quadro de
infertilidade, como ilustrado no quadro a seguir:
Vale lembrar que a própria idade avançada paterna pode colaborar
negativamente para a fertilidade.
Quadro I.6 Doenças e alterações que podem ser
detectadas durante a investigação de infertilidade
masculina
Fibrose cística, doença renal policística, diabetes.
Hemocromatose, esclerose múltipla, síndrome de Klinefelter.
Tumores retroperitoneais, síndrome de Nutcraker.
Tumores testiculares e de mama.
Doenças tireóideas e hipofisárias.
DSTs e infeçcões prostáticas/urinárias.
Exame Físico
O exame físico urológico é fundamental na avaliação do homem com
infertilidade. Além do exame físico geral, o exame focado na fertilidade é
muito importante guia na investigação e como definidor de conduta.
Examina-se sempre em posição supina e ortostática, em local com
temperatura elevada.
O exame global poderá detectar sinais de comprometimento dos
caracteres sexuais secundários (como mamas, pelos e distribuição da
gordura corpórea — por exemplo, em homens com síndrome de
Klinefelter), e o exame focado pode ser dividido didaticamente em:
• Pênis
• Localização do meato uretral, curvaturas e doenças sexualmente
transmissíveis (DSTs) – HPV e úlceras são as principais. Atenção
para corrimentos uretrais e lesões herpéticas. A detecção de qualquer
DST precisa ser comunicada à equipe médica que acompanha a
parceira. Tamanho do pênis também será avaliado com atenção para
pênis embutido em pacientes obesos.
• Testículos
• Avaliação da consistência testicular bilateral (testículos amolecidos
sugerem pior prognóstico) e presença de nódulos.
• Avaliação objetiva de volume testicular, idealmente utilizando um
orquidômetro de Prader. Medidas abaixo de 20 mL (ou cerca de 4 por
3 cm) em conjunto com demais dados clínicos podem indicar pior
prognóstico.
• Epidídimos e deferentes
• Os epidídimos têm consistência firme, não endurecida e não muito
engurgitados. Epidídimos amolecidos e vazios são comuns na
azoospermia não obstrutiva e endurecidos ou muito aumentados na
obstrutiva, como pós-vasectomia ou infecções.
• A palpação dos ductos deferentes é fundamental. A ausência de dos
ductos na palpação sugere agenesia congenital bilateral (CBAVD), e
o diagnóstico de tal condição é essencialmente clínico. A justificativa
para solicitação de ultrassonografia de trato urinário alto em todos os
casos se dá baseada no fato de que 10% a 25% apresentam agenesia
renal bilateral.
• Associação à hipoplasia de vesículas seminais é alta e por isso o
volume seminal é reduzido e o pH baixo em muitos desses pacientes.
Vale destacar que 2/3 dos homens com CBAVD têm mutações no
CFTR gene e na prática clínica presume-se sempre que o homem já é
portador de alguma(s) mutação(ões). Há mais de 900 mutações
descritas, e os testes no Brasil são focados nas mais incidentes.
Mesmo que o teste seja normal, podemos ter outras mutações não
testadas, daí a importância de se testar geneticamente a esposa.
• Palpação do cordão em posição ortostática
A Figura I.2 ilustra um exemplo de varicocele grau 3. É possível verificar
dilatações venosas abaixo da pele, fenômeno conhecido como “ saco de
minhocas”
• Atenção especial deve ser dada à palpação dos cordões espermáticos, e o
motivo é simples: varicocele é a principal causa de corrigível de
infertilidade masculina. A Figura I.3 mostra as principais causas de
infertilidade masculina:
FIGURA I.2 Varicocele grau 3, “saco de minhoca”. (Cortesia da Clínica Dr. Conrado Alvarenga).
FIGURA I.3 Gráfico de causas de infertilidade masculina.
• Exame em posição supina e ortostática, com manobra de Valsalva. O
diagnóstico é clínico, embora seja prudente a realização de exame de
ultrassom doppler do escroto. A graduação da varicocele se dará
baseada no fato de ser visível ou palpável e durante a manobra de
Valsalva ou não.
• Grau I – palpáveis apenas com Valsalva;
• Grau II – palpáveis em pé mesmo sem Valsalva;
• Grau III – visíveis a olho nu.
Os graus II e III são os que trazem maior preocupação, pois podem
promovem real impacto da fertilidade. Trabalhos mais recentes mostram
que, em mais de 50% dos casos, a varicocele será bilateral. Varicocele
isolada no lado direito requer exame de imagem retroperitoneal (idealmente
tomografia), para exclusão de processos neoplásicos ou obstrutivos da
região retroperitoneal ipsilateral.
Exames Básicos
Espermograma
A avaliação do homem com infertilidade requer alguns exames laboratoriais
básicos, e o mais importante deles é o espermograma. Para todos os
pacientes devemos obter no mínimo duas coletas seminais básicas (espermograma simples), com intervalo adequado em cada caso e com
exames adicionais no sêmen decididos após o exame básico e baseados na
história clínica e no exame físico.
Muita atenção para avaliar se o exame foi realizado em condições
adequadas, o tempo entre coleta e o início da análise e se o exame foi
transportado para ser interpretado (terceirizado). Todos esses fatores podem
interferir na credulidade do exame.
Como o exame é realizado?
Para realizar o espermograma, solicita-se a abstenção da atividade sexual
por um período de 48 a 72 horas. O ideal é que a coleta de sêmen seja
realizada no próprio laboratório, mesmo quando muitos homens questionam
se poderiam coletar em casa e levar ao laboratório. O frasco para a coleta
deve ser de boca larga e de material previamente testado quanto à
toxicidade para a motilidade espermática. Destaca-se, portanto, a
importância da realização do espermograma em laboratório de andrologia e
com rigor de qualidade. O laboratório deve seguir o protocolo detalhado da
Organização Mundial da Saúde (OMS).
Alguns pacientes terão dificuldade para coletar em frasco ou no
laboratório, e, por tal motivo, terão de fazer o exame em ambiente
domiciliar com preservativo específico para a amostra, com tempo de
chegada máximo ao laboratório de 45 a 60 minutos.
Quais são os parâmetros importantes do
espermograma?
O espermograma é importante para verificar, inicialmente, se o volume do
esperma, o pH (acidez), a viscosidade, a cor e a liquefação do sêmen
apresentam-se normais. Em seguida, determina-se o número de
espermatozoides (concentração por mililitros e total) e sua motilidade, tanto
do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. O espermograma inclui
ainda a avaliação da morfologia dos espermatozoides e a determinação do
número de leucócitos presentes no sêmen.
É muito importante entender de onde surgem os limites ditos como
normais para os parâmetros seminais. Para tanto, em 2010, a OMS publicou
o resultado da análise de aproximadamente 2.000 homens, provenientes de oito países e com tempo necessário para engravidar suas parceiras inferior a
12 meses. Os resultados dos parâmetros seminais desses homens foram
colocados em curvas de percentis, em que o valor mínimo considerado
“normal” definiu o percentil 5% das curvas. Em face disso, podemos fazer a
análise do seguinte exemplo: um homem que apresenta uma concentração
seminal de 16 milhões/mL pode ser considerado normal, mas ao
analisarmos de maneira mais crítica, o valor 16 milhões/mL significa estar
praticamente na faixa de 5% ou 6% dos homens férteis avaliados em um
período de um ano, ou seja, essa concentração seminal, embora considerada
normal, pode despertar atenção por significar percentil baixo na curva.
Além disso, vale citar que o valor 50% da curva significou concentrações
próximas dos 70 milhões/mL, raciocínio válido também para a motilidade e
a morfologia.
Ou seja, é fundamental que o espermograma seja avaliado por um
andrologista ou urologista especialista em fertilidade, pois muitas vezes
aquilo que parece ser apenas normal pode refletir um ponto dentro de uma
curva de queda ou um ponto com grande potencial de melhora.
Valores considerados normais em 2010 pela OMS:
Parâmetros seminais OMS 2010
Volume 1,5 mL
Concentração/ml 15 x 106 /mL
Total de espermatozoides 39 x 106
Total de móveis 40%
Móveis progressivos 32% (A + B)
Vitalidade 58%
Morfologia 4%
Situações que podem alterar o espermograma
Podem apresentar alterações transitórias dos resultados pacientes em
vigência de infecções virais, após exercícios físicos excessivos, excesso de
tabaco ou abuso de álcool e drogas, com coleta fora do tempo de
abstinência adequado, alteração ou privação importante do sono, dentre
outras. Nesses casos, vale a pena propor um exame de contraprova, sempre que possível. De qualquer forma, é fundamental a opinião de urologista
especializado em reprodução humana antes de se tomarem medidas caseiras
ou medicações que não possuem evidência comprovada para melhora dos
resultados.
Quadro I.7 Fatores de risco para a fertilidade
masculina
Tabagismo
Álcool
Drogas ilícitas
Sobrepeso/obesidade
Histórico de infecções genitais
Exposição a toxinas
Hiperaquecimento testicular
Histórico de trauma testicular
Cirurgias pélvicas ou abdominais anteriores
Testículos que não desceram para bolsa testicular em tempo adequado ou
foram fixados na bolsa tardiamente
Histórico familiar de problemas de fertilidade
Presença de doenças crônicas
Passado de quimioterapia ou radioterapia em região pélvica/testicular
Exames gerais e hormonais
Alterações endocrinológicas são extremamente raras em homens com
parâmetros seminais normais. Alterações do eixo hipotálamo-hipofisário-
testicular, embora infrequentes, devem ser prontamente reconhecidas e
tratadas.
As indicações formais de avaliação endocrinológica no homem infértil
são:
1- Espermograma alterado (em especial abaixo de 10
milhões/mL)
2- Sintomas de disfunção sexual – libido ou ereção
3- Sinais clínicos de endocrinopatias – exemplo:
ginecomastia
Vale lembrar que alguns grupos indicam avaliação hormonal em todos os
pacientes durante avaliação inicial da fertilidade. Os exames básicos
necessários para esta avaliação são: dosagem de FSH e de testosterona total.
Se a testosterona total estiver reduzida, indicamos a dosagem de LH,
prolactina e novamente dosagem de testosterona total e livre.
Ultrassonografia de bolsa testicular e
ultrassonografia transretal
Os exames de ultrassonografia Doppler colorida da bolsa testicular e
eventualmente transretal da próstata e vesículas seminais são solicitados
apenas em casos selecionados.
Destaca-se que o diagnóstico de varicocele é clínico (dado exame físico,
com paciente em pé e com manobra de Valsalva, se necessário), e alguns
trabalhos reportam 50% de falso negativo do exame ultrassonográfico,
revelando baixa sensibilidade. Além disso, é muito improvável que
pacientes com varicocele clínica testem negativos ao ultrassom.
Quando solicitar ultrassom doppler escrotal?
• Para varicocele: pela ASRM e AUA apenas em casos duvidosos, e pelos
Estados Unidos, em todos os casos para confirmar o exame clínico.
• Suspeita de nódulos testiculares e cistos no epidídimo.
• Como complemento do exame clínico na obtenção de medidas do
volume testicular.
Quando solicitar ultrassom doppler transretal?
• Como opção de investigação nos casos de suspeita de agenesia de
vesículas seminais/deferencial.
Exames Genéticos As alterações genéticas contribuem para a infertilidade por influenciarem
uma grande variedade de processos fisiológicos, incluindo a homeostase
hormonal, a espermatogênese e a qualidade seminal. Dessa forma, a
detecção e o entendimento das disfunções genéticas do aparelho
reprodutivo masculino são essenciais para o manejo dos casais inférteis. O
advento das técnicas de reprodução assistida (ART) e de novas tecnologias,
como injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), permitiu que
homens infertéis com alterações seminais graves superassem os
mecanismos de seleção natural e produzissem embriões viáveis.
Paralelamente a isso, tornou obrigatório o entendimento das bases genéticas
da alterações seminais masculinas.
Embora a grande maioria das crianças concebidas por reprodução
assistida sejam completamente normais, nota-se discreto aumento da
prevalência de aneuploidias em seus cromossomos sexuais (0,2% a 0,6%) e
de anormalidades cromossômicas autossômicas (0,07% a 0,4%). No
entanto, esses dados são de difícil interpretação, pois pacientes que se
beneficiam das técnicas de reprodução assistida apresentam em teoria
maiores frequências de anormalidades genéticas associadas ao seu status de
infertilidade.
O estudo das alterações do cromossomo Y compõem importantíssima
área de interesse no estudo da infertilidade masculina, por conter muitos
dos genes cruciais para espermatogênese e desenvolvimento das gônadas
masculinas. As microdeleções no cromossomo Y são frequente causa de
infertilidade masculina. São definidas pelo fato de levarem a deleções com
perda de inúmeros genes, mas não com extensão suficiente para serem
detectadas em métodos citogenéticos convencionais. A prevalência de
microdeleções no cromosso Y de homens oligospérmicos graves gira em
torno de 5%; já em azoospérmicos pode alcançar 10% a 15%. No contexto
da reprodução assistida, tais alterações genéticas devem sempre ser
debatidas, pois a microdeleções são sempre transmitidas à prole do sexo
masculino, e as taxas de fertilização e gravidez na ICSI não são afetadas
pela presença de microdeleções em regiões específicas do cromossomo Y.
O aprimoramento dos testes para detecção de anomalias genéticas e
polimorfismos desfavoráveis previamente à execução da ICSI é mandatório,
e baseado nessa premissa, o estudo dos erros cromossômicos compõe uma
importante subárea. A relação entre a genética e a infertilidade masculina grave poderá predizer o impacto direto nos resultados da reprodução
assistida.
O guia contemplará capítulo específico da genética da infertilidade
masculina, e a seguir são apresentadas as indicações para investigação
genética.
Exames Avançados no Sêmen
Nos capítulos subsequentes, discutiremos a fundo os exames espermáticos
funcionais e avançados, dentre os quais: os exames imunológicos no sêmen,
os testes de viabilidade espermática, a investigação da presença de
espermatozoides na urina após ejaculação. Um capítulo especial é dedicado
ao exame de índice de fragmentação de DNA espermático (IFDNA) e ao
teste de aneuploidias espermáticas, conhecido como SAT ou FISH
espermático.
Mesmo em casos nos quais a análise seminal convencional pode
apresentar todos os parâmetros dentro da normalidade, podem-se observar,
por exemplo, elevados níveis de fragmentação de DNA, corroborando a
tendência moderna de que o espermograma não deverá mais realizado
isoladamente na investigação do homem infértil.
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