Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

Disfunções do Orgasmo e da Ejaculação

Reposição Hormonal no Homem Infértil:

 

riscos e cuidados

 

Recomendamos que no homem jovem infértil, o uso de androgênios seja

completamente contraindicado, por inibir o eixo hipotálamo-hipofisário e

com isso reduzir os níveis de LH e FSH, finalmente levando a alterações

seminais gravíssimas. Nesses homens, o tratamento para melhora da

testosterona poderá se resumir apenas a estratégias que estimulam o eixo e

nunca com o uso de testosterona exógena.

 

Dicas Importantes Durante o Tratamento

 

• Todos os pacientes devem participar ativamente na escolha do

tratamento.

• Avaliar sempre a (o) parceira (o) – se possível atender o casal em

conjunto.

• Levar em consideração aspectos culturais, religiosos e econômicos.

 

Necessidade de Mudança de Estilo de Vida!

 

Deve ficar claro para os pacientes que tão importante quanto o tratamento

focado para a DE, deve ser a mudança de hábitos de vida com especial

atenção para a alimentação saudável, prática de exercícios físicos, perda de

peso, abolir fumo, álcool, sal e alimentos gordurosos, fazer uso de

suplementos de vitaminas, minerais e antioxidantes.

 

Disfunções do Orgasmo e da Ejaculação

 

Ejaculação Precoce (EP)

 

O termo ejaculação precoce implica na inabilidade do homem em reter a

ejaculação até 2/3 minutos entre início da penetração e a emissão do líquido

seminal. Na prática, muitos homens acabam se queixando de ejaculação

mais rápida e mal controlada e por tal motivo também acabam sendo

abordados e tratados como portadores de ejaculação precoce. A divisão

didática e prática entre ejaculação precoce primária (desde o início da ativada sexual) e secundária (apenas em determinados períodos da vida ou

com determinadas [os] parceiras [os]) pode ser importante para apoio

durante o tratamento. Homens com ejaculação precoce primária são

abordados hoje como sendo portadores de um distúrbio inato do

metabolismo da serotonina, e, consequentemente, são candidatos a

tratamento de longo prazo. A ansiedade está frequentemente presente nos

indivíduos com ejaculação precoce. Estima-se que até 1/3 dos homens

atinge o orgasmo e ejacula antes do tempo desejado. Existe também forte

associação entre EP e DE.

Recomendamos que o tratamento seja baseado no uso de terapias

comportamentais e medicações inibidoras da recaptação da serotonina.

A psicoterapia associada é sempre importante, e o uso de cremes

anestésicos locais pode ser benéfico em alguns casos.

A droga mais utilizada é a paroxetina (10 a 20 mg) em uso diário ou

em dias alternados, mas também há inibidores da recaptação mais

modernos e que geram efeitos colaterais menores. A dapoxetina (30 a

60 mg) promete ação imediata, e por tal motivo pode ser usada de demanda,

apenas 1 a 3 horas antes da relação sexual, mas muitos homens se queixam

de fortes náuseas após o uso de tal droga. Algumas formulações em spray,

em associação de doses baixas de opioide, antiemético e dapoxetina, são

bastante utilizadas no mercado.

 

Ejaculação Retardada/Anorgasmia

 

A ejaculação retardada (ER) ou inibida é definida como a dificuldade

persistente ou recorrente em atingir o orgasmo. A anorgasmia é a

impossibilidade em atingir o orgasmo, é mais rara e pode ser devido a

bloqueios psicogênicos ou causas neurológicas. Ambas são de difícil

abordagem e tratamento. Na ER, as causas medicamentosas são as mais

comuns: o uso de antidepressivos em geral. Não há no mercado

medicamentos disponíveis para o tratamento de homens com ER ou

anorgasmia. A ER de causa medicamentosa pode ser atenuada com a

mudança ou diminuição das medicações usadas como antidepressivos ou

ansiolíticos.

Referências

Abdo CHN. Estudo da Vida Sexual do Brasileiro. São Paulo: Editora Bregantini; 2004: p.132-133.

Bechoua S, Hamamah H, Scali E. Male infertility: an Obstscle to Sexuality?. American Society of

Andrology and European Academy of Andrology. 2016;4:395–403.

Bento M. A satisfação Conjugal e Sexual dos Casais Inferteis: O impacto da infertilidade.

Dissertacao de mestrado em psicologia Universidade de Lisboa. 2014. Claro JA. A constante evolução do tratamento da disfunção erétil. Rev Bras Med. 2001;58:144–148.

Gabirro A. Satisfação Conjugal e Desejo Sexual em Casais em Tratamento da Infertilidade:

Caracterização e diferenças de gênero. Dissertação de mestrado. Universidade de Lisboa; 2015.

Galati MC, et al. Sexualidade e qualidade de vida em Homens com dificuldades sexuais. Psico-USF,

Itatiba. 2014;19(2):242–252.

Lue TF. Male Sexual Dysfunction chapter 37: 592-611 in Smith’s General Urology, Sixteenth Edition.

The McGraw-Hill Companies, Inc; 2004.

Lue TF, Giuliano F, Khoury S, Rosen R. Clinical Manual of Sexual Medicine- Sexual Dysfunctions

in Men. Health Publications Ltd; 2004.

Moreira Jr ED, Abdo CHN, Santos DB, et al. Epidemiologia da Disfunção Erétil no Brasil:

resultados da pesquisa nacional do “Projeto Avaliar”. Rev Bras Med. 2004;61:608–612.

Shindel CJ, Nelson, et al. Sexual function and quality of life in the male partner of infertile couples:

Prevalence and Correlates os Dysfunction. The Journal of Urology. 2008;179:1056–1059.

 

OceanofPDF.com