Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Quadro Clínico do Hipogonadismo
(hormônio folículo-estimulante). O LH ativa principalmente as células de
Leydig, responsáveis pela esteroidogênese testicular e produção de
testosterona, enquanto o FSH ativa principalmente as células de Sertoli,
responsáveis pela formação dos túbulos seminíferos, pela espermatogênese
e pela produção da inibina B, hormônio que faz retroalimentação (feedback)
negativa inibindo a produção adicional de FSH pelos gonadotrofos.
A inibina B sérica é um valioso marcador da função das células de
Sertoli, e níveis baixos desse hormônio fornecem um mau prognóstico com
relação à fertilidade do paciente. Valores de inibina B > 60 pg/mL são
preditivos de um maior índice de resposta testicular ao estímulo com
gonadotrofinas.
O eixo HHT sofre retroalimentação negativa exercido principalmente
pela testosterona, tanto em nível hipofisário quanto hipotalâmico, mas a
inibina B e o estradiol também exercem esse papel. O estradiol é produzido
perifericamente a partir de testosterona pela ação da enzima aromatase, no
tecido adiposo.
Quadro Clínico do Hipogonadismo
Em fases pré-púberes, sinais como micropênis, testículos pequenos,
criptorquidia, eunucoidismo, redução da pilificação, atraso de idade óssea e
puberdade atrasada compõem o quadro clínico inicial do paciente.
No hipogonadismo instalado na vida adulta, os sintomas podem ser mais
específicos, como infertilidade, disfunção sexual, queda de libido, perda de
ereções matinais, ondas de calor, queda de pelos, redução da velocidade de
crescimento da barba, osteoporose e ginecomastia. Sintomas menos
específicos do hipogonadismo incluem fadiga, falta de energia e motivação,
queda de vitalidade, sonolência, perda de memória e concentração,
depressão, anemia, perda de massa e de força muscular, aumento de
adiposidade.
Confirmação do Diagnóstico de
Hipogonadismo e Investigação Etiológica Deve-se pesquisar hipogonadismo em todo homem cujo espermograma
tenha se mostrado alterado durante investigação para infertilidade. A
pesquisa deve ser iniciada pela dosagem de testosterona total, colhida pela
manhã, fora de situações de doenças agudas ou estresse. Em caso de nível
sérico baixo ou no limite inferior, a dosagem deve ser repetida e
confirmada. A testosterona livre deve ser dosada apenas em suspeita de
alteração na proteína de ligação dos hormônios sexuais (SHBG), conforme
detalhado na Figura 6.2. Uma vez confirmado o nível sérico baixo de
testosterona, prossegue-se à investigação da sua causa etiológica, com
dosagem das gonadotrofinas LH e FSH. A diferenciação entre
hipogonadismo primário ou secundário é muito importante, pois muda
completamente a investigação etiológica, o tratamento e fatores
prognósticos com relação à fertilidade do paciente.
FIGURA 6.2 Investigação do hipogonadismo masculino com suas principais causas etiológicas.
A disfunção testicular que leva ao hipogonadismo recebe o nome de
hipogonadismo primário, ou hipergonadotrófico. Nesse caso, o órgão
doente é o próprio testículo, que não consegue produzir testosterona e nem espermatozoides adequadamente. Consequentemente, pela falta de