Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem
Diagnóstico
isolamento social, quando a infertilidade repercute na vida profissional,
social, entre amigos, familiares. Para esses casais, manter o contato sexual,
como também ter contato com outras pessoas, é se deparar com a
infertilidade, em vez de ser uma oportunidade de escape e conforto.
Estes dados sustentam a ideia de que, apesar de a infertilidade
constituir uma situação geradora de estresse, se o casal for capaz de
compartilhar pensamentos e sentimentos relativos à infertilidade, tendo
maior comunicação, sabendo acolher um ao outro, ter capacidade de
aceitar, negociar e interagir nas transformações provenientes do
tratamento, é provável que a relação seja fortalecida, atributo crucial
para satisfação conjugal e tratamento.
Diagnóstico
Avaliação Clínica
A história médica detalhada e a busca pelo histórico psicossexual,
acompanhadas de rigoroso exame físico, são elementos essenciais para o
diagnóstico e o manejo da DE. A maior dificuldade no início do
atendimento do homem com DE será estabelecer uma relação de confiança
na qual o paciente exponha suas fragilidades, permita que algumas vezes
possamos entrevistar em conjunto sua parceira e se entregue por completo à
investigação e conduta. Paciente com relacionamento superficial com seu
médico ou desconfiado da conduta é sinal de aumento de insucesso no
tratamento.
A detalhada compreensão de todas as medicações em uso e a verificação
do controle das doenças associadas, por exemplo, checar se o diabetes
mellitus (DM) está compensado ou não também serão fundamentais na
avaliação do homem com DE. O cuidadoso exame físico global (com
medida de PA, pulso e análise geral) e prostático também serão
indispensáveis, assim como o exame do pênis e dos testículos.
É preciso muita atenção, nos dias de hoje, com a detecção precoce e
abordagem dos homens com síndrome metabólica e elevado risco
cardiovascular. Não seria exagerado afirmar que hoje o urologista deve ter
uma preocupação constante sobre o status cardiovascular do seu paciente com DE. Alguns até arriscam o termo urocardiologista, lembrando que
homens com DE podem apenas apresentar prenúncio de doença
cardiovascular mais grave, que se apresentará na sequência do tempo de
acompanhamento.
História Psicossexual
Lembrando que 45% das disfunções sexuais são de etiologia mista, vale
a atenção sempre para os fatores psicossexuais.
Fatores como personalidade introvertida, ansiosa, antissocial, história de
abuso na infância, conflitos de identidade de gênero, dogmas religiosos e
ausência de educação sexual são apenas exemplos que devem ser
identificados e abordados durante a tomada da história psicossexual.
O medo de falhar, os problemas conjugais e o estresse do cotidiano
(como perda do emprego, nascimento do filho, perda da parceira) também
são elementos que devem ser inqueridos como potencializadores da
vulnerabilidade à DE.
Dosagens Hormonais e Metabólica
Todos os homens com DE devem ter seus exames de perfil hormonal
realizados. A dosagem dos hormônios masculinos com testosterona total
(TT) e livre, hormônio luteinizante (LH), hormônio folículo-estimulante
(FSH) estradiol, prolactina é mandatória. Além disso, devemos sempre
checar as dosagens metabólicas gerais e a dosagem de vitamina D total no
sangue. A mensagem principal aos residentes é de que a análise do
individuo como um todo é importante, e não apenas a abordagem e
investigação sexual.
Questionários Sexuais de Avaliação
Existem inúmeros questionários que podem ser aplicados para
avaliação do status sexual dos homens com queixa de DE. O mais
utilizado é o IIE-F5, mas no nosso meio também utilizamos o de Carmita
Abdo. O IIE-F5 é composto de 15 itens, e muitas vezes, na prática, é
interessante responder junto com o paciente.