Condutas Práticas em Infertilidade e Reprodução Assistida: Homem

Diagnóstico

Para manter sua homeostasia, o testículo necessita estar sempre a uma

temperatura 2-3oC abaixo da temperatura corpórea normal. A dilatação das

veias e o refluxo existente nelas promovem um aumento crônico dessa

temperatura por perda do mecanismo de contracorrente, o qual resfria o

sangue arterial ao chegar no testículo, como a serpentina de um barril de

chope faz com que o líquido esteja na temperatura certa ao sair para o copo.

O sangue da artéria testicular, ao passar de forma enovelada pelo plexo

pampiniforme, funcionaria de uma forma análoga ao chope quente

passando pela serpentina e sendo resfriado ao longo do trajeto. Na

ocorrência da varicocele, esse mecanismo de redução de temperatura pela

troca de calor deixa de ocorrer. O aumento da temperatura de uma forma

crônica gera, por sua vez, um aumento de todo o metabolismo celular,

acarretando um quadro constante de hipóxia por ausência de uma oferta

maior de suprimento de oxigênio. Dessa forma, a produção de radicais

livres torna-se maior do que a capacidade antioxidante existente no testículo

e no plasma seminal, gerando efeito deletério celular mais conhecido como

estresse oxidativo. O aumento da peroxidação lipídica na membrana do

espermatozoide (ocasionando uma perda da fluidez e alteração da

permeabilidade), redução na motilidade, prejuízo da reação do acrossoma,

diminuição da atividade mitocondrial, aumento na fragmentação de DNA e

aumento da apoptose celular são os principais efeitos negativos gerados

pela varicocele no espermatozoide em todos os níveis da espermiogênese.

Em última análise, todas as alterações trazem uma redução do potencial de

fertilidade e, em muitas vezes, instala-se o quadro de infertilidade

masculina.

 

Diagnóstico

 

Após o melhor entendimento da epidemiologia e da fisiopatologia da

varicocele, o ideal é que o diagnóstico clínico seja realizado ainda no

período da adolescência ou adulto jovem. Dessa forma, ocorreria uma

detecção precoce da doença e, para os casos selecionados, a indicação da

correção cirúrgica com o objetivo de evitar a instalação ou a reversão de um

quadro de infertilidade. A inspeção e a palpação da bolsa testicular (com e

sem manobra de valsalva) realizados em uma sala com temperatura

adequada ( >22oC e <25oC), com o médico confortavelmente sentado e com o adolescente em posição supina são o suficiente para a correta detecção da

varicocele e seus diferentes graus (Quadros 4.1 e 4.2).

 

Quadro 4.1 Diagnóstico – exame físico.

 

Quadro 4.2 Graus da varicocele e relevância

 

clínica