Jesus Cristo Bebia Cerveja
Capítulo 11
O hospital tem um cheiro que Rosa abomina, dizem que é éter, mas para ela é o cheiro dos últimos dias. Rosa tem a certeza de que a morte cheira a éter e que é assim que a reconhecemos, não é pela gadanha nem pelos ossos.
O médico diz qualquer coisa que Rosa não compreende. — Compreende? — pergunta o médico, e Rosa faz que sim com a cabeça. Mas
não percebe nada, nem o que tem de fazer. Olha para o chão, intimidada pela situação.
— São dois destes às refeições.
Rosa empurra a cadeira de rodas do hospital. A avó já está melhor, respira
normalmente e, apesar de abatida, com olheiras escavadas pela vida, tem um sorriso nos lábios. Os olhos estão muito abertos, como se perguntasse alguma coisa. Os bombeiros voltam a pô-la na ambulância e Faia pergunta:
— Era o quê?
Rosa encolhe os ombros. Não sabe. Repara que a avó adormeceu e parece estar
bem.
Faia olha para ela, toda enfiada, e repara nas suas pernas, com uma penugem
exuberante. Pede-lhe para lhe mostrar as cuecas. Rosa olha para ele com um sorriso, não é de alegria, mas de nervosismo. Não sabe como reagir. O bombeiro Faia estende a mão e puxa-lhe um pouco a saia. Ela reage por instinto, afastando as pernas para o lado. O bombeiro insiste e é ela que acaba por arregaçar a saia. O bombeiro sorri e tenta abrir-lhe as pernas. Rosa faz força, mas acaba por ceder. O bombeiro abre a braguilha quando Branco pergunta, da parte da frente da ambulância, se está tudo bem. Faia diz que sim, mas aquela interrupção dá cabo do momento: Rosa já fechou as pernas, já puxou a saia para baixo, e o bombeiro Faia acaba por meter o pênis para dentro das calças.
Ao chegar ao monte, os bombeiros tiram Antónia da ambulância e deitam-na na
cama. Ela nem acorda.