Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 16 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra XVII.

 

Minha Marilia,

Tu enfadada?

Que mão ousada

Perturbar póde

A paz sagrada

Do peito teu?

Porém que muito

Que irado esteja

O teu semblante

Tambem troveja

O Claro Ceo.

Eu sei, Marilia,

Que outra Pastora

A toda a hora,

Em toda a parte,

Céga namora

Ao teu Pastor.

Ha sempre fumo

Aonde ha fogo;

Assim, Marilia,

Ha zelos, logo

Que existe amor.

Olha, Marilia,

Na fonte pura

A tua alvura,

A tua bocca,

E a compostura

Das mais feições.

Quem tem teu rosto,

Ah! não receia,

Que terno amante

Solte a cadeia,

Quebre os grilhões.

Não anda Laura

Nestas campinas

Sem as boninas

No seu cabello,

Sem pelles finas

No seu jubão.

Porém que importa?

O rico aceio

Não dá, Marilia,

Ao rosto feio

A perfeição.