Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 76 de 90

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Marilia de Dirceo

Soneto II.

 

 

N'um fertil campo do soberbo Douro,

Dormindo sobre a relva descançava,

Quando vi que a Fortuna me mostrava

Com alegre semblante o seu Thesouro.

De huma parte h[~u] montão de prata, e ouro

Com pedras de valor o chão curvava;

Aqui hum sceptro, alli hum trono estava,

Pendião coroas mil de grama, e louro.

Acabou-se (diz-me então) a desventura: De quantos bens te

exponho qual te agrada, Pois benigna os concedo, vai, procura.

Escolhi, acordei, e não vi nada:

Commigo assentei logo que a ventura

Nunca chega a passar de ser sonhada.