Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 71 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra VI.

 

 

Traducção.

 

Amor que seus passos

Ligeiro movia,

Por mil embaraços

Que hum bosque tecia.

Nos hombros me acena

Com brando raminho;

E logo me ordena

Que siga o caminho.

Por entre a espessura

Do bosque me avanço:

E a traz da ventura

Incauto me lanço.

Já tinha calcado

Os montes mais duros:

C'o peito rasgado

Os rios escuros.

Eis que huma serpente

A lingua vibrando,

Me crava o seu dente,

Me deixa espirando.

Então surprendida

Da dôr que a traspassa,

Minha alma ferida

Aos beiços se passa.

As iras detesta

Amor isto vendo,

E as azas na testa

Me bate dizendo:

Tu choras, tu gemes

Da Serpe tocado,

E o braço não temes

De hum Numen irado?