Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 27 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra XXVIII.

 

Cupido tirando

Dos hombros a aljava,

N'um campo de flores

Contente brincava.

E o corpo tenrinho

Depois enfadado,

Incauto reclina

Na relva do prado.

Marilia formosa,

Que ao Deos conhecia,

Occulta espreitava

Quanto elle fazia.

Mal julga que dorme

Se chega contente,

As armas lhe furta,

E o Deos a não sente.

Os Faunos, mal virão

As armas roubadas, Sahirão das grutas

Soltando rizadas.

Acorda Cupido,

E a causa sabendo,

A quantos o insultão

Responde, dizendo:

Temieis as settas

Nas minhas mãos cruas?

Vereis o que podem

Agora nas suas.