Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 62 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra XXX.

 

O pai das Musas,

O Pastor loiro

Deo-me, Marilia,

Para cantar-te

A lyra de oiro.

As cordas firo,

O brando vento

Teus dotes leva

Nas brancas azas

Ao firmamento.

O teu cabello

Vale hum thesoiro;

Hum só me adorna

A sabia frente

Melhor que o loiro.

Nesses teus olhos

Amor assiste;

Delles faz guerra; Ninguem lhe foge;

Ninguem resiste.

Algumas vezes

Eu o diviso

Tão bem occulto

Nas lindas cóvas,

Que faz teu riso.

Nesses teus peitos

Tem os seus ninhos

Destros Amores,

Nelles se gerão

Os Cupidinhos.

Vences a Venus,

Quando com arte

As armas toma,

Porque mais prenda

Ao fero Marte.

Eu produzia

Estas idéas,

Quando, Marilia;

O som escuto

Das vis cadêas.

Dou hum suspiro.

Corre o meu pranto;

E inda bebendo

Lagrimas tristes,

De novo canto.

Sou da constancia

Hum vivo exemplo.

E vós, ó ferros,

Honrareis inda

De Amor o Templo.