Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 81 de 90

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Marilia de Dirceo

Soneto VII.

 

 

Quantas vezes Lidora me dizia,

Ao terno peito minha mão levando,

Conjurem-se em meu mal os Astros, quando Achares no meu peito aleivosia.

Então que não chorasse lhe pedia,

Por firme seu amor acreditando;

Ah! que em movendo os olhos suspirando Ao mais acautellado enganaria.

Hum anno assim viveo: ó Ceos! agora

Mostrou que era mulher: a natureza

Só por não se mudar a fez traidora.

Não, não darei mais cultos á belleza,

Que depois de faltar á fé, Lidora,

Nem creio que nas Deosas ha firmeza.