Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 22 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra XXIII.

 

N'um sitio ameno

Cheio de rosas,

De brancos lyrios,

Murtas viçosas;

Dos seus amores

Na companhia

Dirceo passava

Alegre o dia.

Em tom de graça,

Ao terno amante

Manda Marilia

Que toque, e cante.

Péga na lyra,

Sem que a tempere,

A voz levanta,

E as cordas fere.

C'os doces pontos

A mão atina, E a voz iguala

A voz divina.

Ella, que teve

De rir-se a idéa,

Nem move os olhos

De assombro chêa.

Então Cupido

Apparecendo,

Á bella falla

Assim dizendo:

Do teu amado

A lyra fias,

Só porque delle

Zombando rias?

Quando n'um peito

Assento faço,

Do peito subo

Á lingoa, e braço.

Nem creias que outro

Estylo tome,

Sendo eu o mestre,

A acção teu nome.