Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 79 de 90

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Marilia de Dirceo

Soneto V.

 

 

Ao Templo do Destino fui levado:

Sobre o Altar hum Cofre se firmava,

Em cujo seio cada qual buscava

Tremendo annuncio do futuro estado.

Tiro hum papel, e leio: Ceo Sagrado!

Com quanta causa o coração pulsava:

Este duro Decreto escrito estava,

Com negra tinta pela mão do Fado.

Adore Polidoro a bella Ormia, Sem della conseguir a recompensa,

Nem quebrar-lhe os grilhões a tyrannia.

Das mãos, Amor mo arranca, e sem detença

Tres vezes o levando á boca impía,

Jurou comprir á risca a tal sentença.