Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 50 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra XVIII.

 

 

Não mólho, Marilia,

De pranto a masmorra

Que o terno Cupido

Não vôe, e não corra,

A hilo apanhar.

Estende-o nas azas

Sobre elle suspira,

Por fim se retira,

E vai-to levar.

Se o moço não mente,

Aos tristes gemidos,

Aos ais lastimosos

Não guardes unidos,

Marilia, c'os teus:

As lagrimas nossas

No seio amontôa

Fórma azas, e vôa,

Vai pô-las nos Ceos.

A Deosa formosa,

Que amava aos Troianos,

Livra-los querendo

De riscos, e damnos

A Jove buscou.

As aguas, que o rosto

Da Deosa banhárão,

A Jove abrandárão,

E assim os salvou.

Confia-te, ó bella,

Confia-te em Jove;

Ainda se abranda,

Ainda se move

Com ancias de amor.

O pranto de Venus,

Que obrou no Pai tanto,

Não tem que o teu pranto

Apreço maior.