Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 88 de 90

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Marilia de Dirceo

Soneto XIV.

 

 

Quando o torcido buço derramava

Terror no aspecto ao Portuguez sisudo,

Quando sem pó, nem oleo o pente agudo Duro intonso o cabello em laço atava.

Quando contra os Irmãos o braço armava

O forte Nuno oppondo escudo, a escudo; Quando a palavra que perfere a tudo

Com a barba arrancada João firmava.

Quando a mulher á sombra do marido

Tremer se via: quando a Lei prudente

Zelava o sexo do civil ruido;

Feliz então, então só innocente

Era de Luso o Reino: oh bem perdido!

Ditosa condição, ditosa gente!