Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga · Capítulo 19 de 90

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Marilia de Dirceo

Lyra XX.

 

Em huma frondosa

Roseira se abria

Hum negro botão.

Marilia adorada

O pê lhe torcia

Com a branca mão.

Nas folhas viçosas

Á abelha inraivada

O corpo escondêo.

Tocou-lhe Marilia,

Na mão descuidada

A fera mordêo.

A penas lhe morde,

Marilia gritando,

C'o dedo fugio.

Amor, que nos bosques

Estava brincando,

Aos ais acudio.

Mal vio a rotura,

E o sangue espargido,

Que a Deoza mostrou;

Rizonho beijando

O dedo offendido,

Assim lhe fallou.

Se tu for tão pouco

O pranto desatas,

Ah! dá-me attençaõ;

E como daquelle,

Que feres, e matas,

Naõ tens compaixaõ?