Fundamentos de Física, Volume 1: Mecânica
Componentes de Vetores
Figura 3-6 (a) Os vetores , e – . (b) Para subtrair o vetor do vetor , basta somar o vetor – ao vetor .
Teste 1
Os módulos dos deslocamentos e são 3 m e 4 m, respectivamente, e = + . Considerando as várias orientações possíveis de e , (a) qual é o maior e (b) qual é o menor valor possível do módulo de ?
Componentes de Vetores
Somar vetores geometricamente pode ser uma tarefa tediosa. Uma técnica mais elegante e mais simples envolve o uso da álgebra, mas requer que os vetores sejam representados em um sistema de coordenadas retangulares. Os eixos x e y
são normalmente desenhados no plano do papel, como na Fig. 3-7a. O eixo z é perpendicular ao papel; vamos ignorá-lo por enquanto e tratar apenas de vetores bidimensionais.
Uma componente de um vetor é a projeção do vetor em um eixo. Na Fig. 3-
7a, por exemplo, a é a componente do vetor em relação ao eixo x, e a é a x y componente em relação ao eixo y. Para encontrar a projeção de um vetor em um eixo, traçamos retas perpendiculares ao eixo a partir da origem e da extremidade do vetor, como mostra a figura. A projeção de um vetor no eixo x é chamada de componente x do vetor; a projeção no eixo y recebe o nome de componente y. O processo de obter as componentes de um vetor é chamado de decomposição do vetor.
Uma componente de um vetor tem o mesmo sentido (em relação a um eixo)
que o vetor. Na Fig. 3-7, a e a são positivas porque aponta no sentido x y positivo dos dois eixos. (Observe as setas que mostram o sentido das componentes.) Se invertêssemos o sentido do vetor , as componentes seriam negativas e as setas apontariam no sentido negativo dos eixos x e y. A
decomposição do vetor da Fig. 3-8 leva a uma componente b positiva e a x
uma componente b negativa. y
Um vetor pode ter até três componentes, mas, no caso do vetor da Fig. 3-7a,
a componente z é nula. Como mostram as Figs. 3-7a e 3-7b, quando deslocamos um vetor sem mudar a orientação, as componentes não mudam.
Determinação das Componentes. Podemos determinar geometricamente as
componentes de na Fig. 3-7a a partir do triângulo retângulo mostrado na figura:
Figura 3-7 (a) As componentes a e a do vetor . (b) As componentes não mudam quando o vetor é x y
deslocado, desde que o módulo e a orientação sejam mantidos. (c) As componentes correspondem aos catetos de um triângulo retângulo cuja hipotenusa é o módulo do vetor.
em que θ é o ângulo que o vetor faz com o semieixo x positivo, e a é o
módulo de . A Fig. 3-7c mostra que e as componentes x e y do vetor formam um triângulo retângulo. A figura mostra também que é possível reconstruir um vetor a partir das componentes: basta posicionar a origem de uma das componentes na extremidade da outra e completar o triângulo retângulo ligando a origem livre à extremidade livre.
Uma vez que um vetor tenha sido decomposto em relação a um conjunto de
eixos, as componentes podem ser usadas no lugar do vetor. Assim, por
exemplo, o vetor da Fig. 3-7a é dado (completamente determinado) por a e θ,
mas também pode ser dado pelas componentes a e a . Os dois pares de valores x y contêm a mesma informação. Se conhecemos um vetor na notação de componentes (a e a ) e queremos especificá-lo na notação módulo-ângulo (a e x y
θ), basta usar as equações
para efetuar a transformação.
No caso mais geral de três dimensões, precisamos do módulo e de dois
ângulos (a, θ e ϕ, digamos) ou de três componentes (a , a e a ) para especificar x y z um vetor.
Figura 3-8 A componente x de é positiva e a componente y é negativa.
Teste 2
Quais dos métodos indicados na figura são corretos para determinar o vetor a partir das componentes x e y?
Exemplo 3.01 Soma gráfica de vetores:
um teste de campo
Em um teste de campo, você recebe a tarefa de se afastar o máximo possível de um acampamento por meio de três deslocamentos retilíneos. Você pode usar os seguintes deslocamentos, em qualquer ordem: (a) , 2,0 km para leste; (b) , 2,0 km 30° ao norte do leste; (c) , 1,0 km para oeste. Você pode também substituir por – e por – . Qual é a maior distância que você pode atingir após o terceiro deslocamento? (A direção do deslocamento total fica a seu critério.)
Raciocínio: Usando uma escala conveniente, desenhamos os vetores
, , , – e – , como na Fig. 3-9a. Em seguida, deslocamos
mentalmente os vetores sobre a página, sem mudar a orientação, ligando três vetores de cada vez, em um arranjo no qual a origem do segundo vetor está ligada à extremidade do primeiro, e a origem do terceiro está ligada à extremidade do segundo, para encontrar o vetor soma, . A origem do primeiro vetor representa o acampamento, e a extremidade do terceiro vetor representa o ponto de destino. O vetor soma vai da origem do primeiro vetor à extremidade do terceiro. O módulo d do vetor soma é a distância entre o ponto de destino e o acampamento. Nosso objetivo é maximizar essa distância.
Examinando todos os casos possíveis, descobrimos que a distância
é máxima para o arranjo , , – . A ordem em que os vetores são somados não importa, já que a soma vetorial é a mesma, qualquer
que seja a ordem. (Como mostra a Eq. 3-2, os vetores obedecem à lei
comutativa da adição.) A ordem mostrada na Fig. 3-9b é para a soma vetorial
Figura 3-9 (a) Vetores deslocamento; três devem ser usados. (b) A distância entre o ponto de destino e o acampamento será a maior possível se os deslocamentos escolhidos forem , e – em qualquer ordem.
= + + (– ).
Usando a escala da Fig. 3-9a, medimos o comprimento d do vetor resultante, encontrando
Exemplo 3.02 Determinação das
componentes de um vetor: rota de um avião
Um pequeno avião decola de um aeroporto em um dia nublado e é avistado mais tarde a 215 km de distância, em um curso que faz um ângulo de 22° a leste do norte. A que distância a leste e ao norte do aeroporto está o avião no momento em que é avistado?
Figura 3-10 Um avião decola de um aeroporto na origem e é avistado mais tarde no ponto P.
IDEIA-CHAVE
Conhecemos o módulo (215 km) e o ângulo (22° a leste do norte) de um vetor e precisamos determinar as componentes do vetor.
Cálculos: Desenhamos um sistema de coordenadas xy com o sentido
positivo de x para leste e o de y para o norte (Fig. 3-10). Por conveniência, a origem é colocada no aeroporto. (Isso não é obrigatório. Poderíamos escolher qualquer ponto para origem e qualquer orientação para os eixos, mas, se a escolha é nossa, por que tornar o problema mais difícil?) O deslocamento do avião aponta da origem para o ponto em que o avião foi avistado.
Para determinar as componentes de , utilizamos a Eq. 3-5 com θ
= 68° (= 90° − 22°):
Assim, o avião foi avistado 81 km a leste e 2,0 × 102 km ao norte do aeroporto.
Táticas para a Solução de Problemas
Ângulos, funções trigonométricas e funções
trigonométricas inversas
Tática 1: Ângulos em Graus e em Radianos Ângulos medidos em relação ao semieixo x positivo são positivos se são medidos no sentido anti-horário, e negativos se são medidos no sentido horário. Assim, por exemplo, 210° e −150° representam o mesmo ângulo.
Os ângulos podem ser medidos em graus (o) ou em radianos (rad).
Para relacionar as duas unidades, basta lembrar que uma circunferência completa corresponde a um ângulo de 360° ou 2π rad. Para converter, digamos, 40° para radianos, escrevemos
Tática 2: Funções Trigonométricas A Fig. 3-11 mostra as definições das funções trigonométricas básicas (seno, cosseno e tangente), muito usadas na ciência e na engenharia, em uma forma que não depende do modo como o triângulo é rotulado.
O leitor deve saber como essas funções trigonométricas variam
com o ângulo (Fig. 3-12), para poder julgar se o resultado mostrado por uma calculadora é razoável. Em algumas circunstâncias, o simples conhecimento do sinal das funções nos vários quadrantes pode ser muito útil.
Tática 3: Funções Trigonométricas Inversas Quando se usa uma calculadora para obter o valor de uma função trigonométrica inversa como sen−1, cos−1 e tan−1, é preciso verificar se o resultado faz sentido, pois, em geral, existe outra solução possível que a calculadora não fornece. Os intervalos em que as calculadoras operam ao fornecer os valores das funções trigonométricas inversas
estão indicados na Fig. 3-12. Assim, por exemplo, sen−1 (0,5) pode ser igual a 30° (que é o valor mostrado pela calculadora, já que 30o está no intervalo de operação) ou a 150°. Para verificar se isso é verdade, trace uma reta horizontal passando pelo valor 0,5 na escala
vertical da Fig. 3-12a e observe os pontos em que a reta intercepta a curva da função seno. Como é possível saber qual é a resposta correta? É a que parece mais razoável para uma dada situação.
Tática 4: Medida dos Ângulos de um Vetor As expressões de cos θ e
sen θ na Eq. 3-5 e de tan θ na Eq. 3-6 são válidas apenas se o ângulo for medido em relação ao semieixo x positivo. Se o ângulo for medido em relação a outro eixo, talvez seja preciso trocar as funções
trigonométricas da Eq. 3-5 ou inverter a razão da Eq. 3-6. Um método mais seguro é converter o ângulo dado em um ângulo medido em relação ao semieixo x positivo.
Figura 3-11 Triângulo usado para definir as funções trigonométricas.
Veja também o Apêndice E.
Figura 3-12 Gráficos das três funções trigonométricas. As partes mais escuras das curvas correspondem aos valores fornecidos pelas calculadoras para as funções trigonométricas inversas. 3-2 VETORES UNITÁRIOS; SOMA DE VETORES