Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 7 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

O medo necessário e o medo desnecessário

O medo necessário

e o medo desnecessário

 

A esta altura você provavelmente deve estar achando que vou dizer que, para levar uma vida mais criativa, é preciso se tornar destemido. Mas não direi isso, pois não acredito que seja verdade. A criatividade é um caminho para os corajosos, mas não para os destemidos, e é importante reconhecer a distinção.

Coragem signi ca fazer algo que nos causa medo.

Destemor signi ca não entender sequer o que a palavra medo signi ca.

Se sua meta for se tornar destemido, acredito que já esteja no caminho errado, pois as únicas pessoas realmente destemidas que conheci ou eram pura e simplesmente sociopatas ou crianças de três anos excepcionalmente imprudentes — e esses não são bons modelos a serem seguidos por ninguém.

A verdade é que você precisa do medo, por razões óbvias de sobrevivência básica. A evolução fez bem em instalar um re exo de medo em você, pois, se não tivesse medo nenhum, teria uma vida louca, estúpida e curta. Andaria no meio do tráfego. Sairia vagando pela oresta e seria comido por ursos. Enfrentaria ondas gigantes no litoral do Havaí, mesmo sem saber nadar muito bem. Você se casaria com alguém que dissesse no primeiro encontro: “Não acredito necessariamente que as pessoas tenham sido concebidas pela natureza para serem monógamas”.

Então, sim, você, sem dúvida, precisa do medo para se proteger de perigos reais, como os que listei há pouco.

Mas você não precisa do medo no campo da expressão criativa.

É sério, não precisa mesmo.

Mas o fato de você não precisar do medo no que diz respeito à criatividade não signi ca que ele não vá aparecer. Pode acreditar, o medo sempre vai aparecer — especialmente quando você estiver tentando ser inventivo ou inovador. O medo sempre será despertado pela criatividade, pois ela lhe pede que entre em áreas de resultados incertos, e o medo odeia resultados incertos. O medo — programado pela evolução para ser hipervigilante e insanamente superprotetor — vai sempre supor que qualquer resultado incerto está destinado a terminar em uma morte terrível e sangrenta. Basicamente, o medo é como um segurança de shopping center que acha que é um militar de operações especiais: não dorme há dias, vive à base de Red Bull e é capaz de atirar na própria sombra em um esforço absurdo para manter todo mundo “em segurança”.

Tudo isso é totalmente natural e humano.

Não é nada de que você deva se envergonhar.

É, porém, algo com que precisa lidar.

 

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