Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 13 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

O que acontece quando você diz sim

 

 

Se você diz sim a uma ideia, é hora de o espetáculo começar.

Agora seu trabalho se torna ao mesmo tempo simples e complicado. Você fechou o cialmente um contrato com a inspiração e precisa tentar cumpri-lo, seguir em frente até chegar ao imprevisível resultado.

Você pode estipular como quiser os termos desse contrato. Na civilização ocidental contemporânea, o contrato criativo mais comum parece ainda ser o do sofrimento. É o contrato que diz: destruirei a mim mesmo e a todos que me rodeiam em um esforço para trazer à tona minha inspiração, e meu martírio será a insígnia de minha legitimidade criativa.

Se você optar por fechar um contrato de sofrimento criativo, deve tentar se identi car ao máximo com o estereótipo do artista atormentado. Não lhe faltarão modelos a seguir. Para honrar o exemplo deles, siga estas regras fundamentais: beba o máximo que puder; sabote todos os seus relacionamentos; trave batalhas sangrentas consigo mesmo; expresse constante insatisfação com o trabalho; compita invejosamente com seus colegas; ressinta-se das vitórias dos outros; proclame-se amaldiçoado ( não abençoado) por seus talentos; vincule sua noção de valor próprio a recompensas externas; seja arrogante quando tiver sucesso e autocomiserativo quando fracassar; valorize a escuridão acima da luz; morra jovem e culpe a criatividade por sua morte.

E esse método funciona?

Funciona, claro. Funciona maravilhosamente bem. Até que você acaba morrendo por causa dele.

Então, se quiser isso, siga esse método. (Por favor, se estiver comprometido com seu sofrimento, não deixe que eu nem ninguém o tire de você! ) Mas não estou certa de que esse caminho seja especialmente produtivo ou que vá trazer satisfação e paz duradouras a você e àqueles que ama. Tenho de admitir que esse método de vida criativa pode ser extremamente glamoroso e é capaz de resultar em um excelente lme biográ co depois que você morrer, portanto, se preferir uma vida curta de glamour trágico a uma vida longa e rica em satisfações ( e muitos preferem), vá em frente.

Seja como for, sempre tive a impressão de que, enquanto o artista atormentado está fazendo birra ou dando chiliques, sua musa está sentada tranquilamente em um canto, lixando as unhas, esperando pacientemente que o sujeito se acalme e tome juízo para que todo mundo possa voltar a trabalhar.

Porque, no m das contas, a única coisa que importa é o trabalho, não é? Ou será que não deveria ser?

E se existir um jeito diferente de lidar com isso?

Posso fazer uma sugestão?

 

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