Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
Feito é melhor do que perfeito
A única razão pela qual pude persistir em terminar meu primeiro romance foi permitir que ele fosse estupendamente imperfeito. Esforcei-me para continuar escrevendo, ainda que desaprovasse com veemência o que estava produzindo. Aquele livro estava tão longe de ser perfeito que me levava à loucura. Lembro-me de car andando de um lado para outro no quarto durante os anos em que trabalhei nele, tentando criar coragem para voltar àquele manuscrito apagado todos os dias, apesar de sua péssima qualidade, relembrando-me desta promessa: “Nunca jurei ao universo que seria uma grande escritora, caramba! Só jurei que seria escritora!”.
Depois de ter escrito 75 páginas, quase parei. Parecia terrível demais para continuar, constrangedor demais. Mas consegui superar meu constrangimento simplesmente porque decidi que me recusava a chegar ao m da vida com um manuscrito inacabado de 75 páginas mofando na gaveta. Não queria ser essa pessoa. O mundo já está cheio de manuscritos inacabados, e eu não queria acrescentar mais um a essa pilha in ndável. Então, independentemente de considerar meu trabalho uma porcaria, tinha que persistir.
Também quei me lembrando do que minha mãe costumava dizer: “Feito é melhor do que perfeito”.
Ouvi aquele simples ditado da minha mãe ser repetido inúmeras vezes durante a infância e a adolescência. E não porque Carole Gilbert fosse preguiçosa. Pelo contrário, era incrivelmente trabalhadora e e ciente. Porém, acima de tudo, era pragmática. A nal de contas, o dia tem um número limitado de horas, um ano tem um número limitado de dias e a vida, um número limitado de anos. Temos que fazer o possível, da maneira mais competente que conseguirmos, em um espaço de tempo limitado, depois largar de mão. Quer se tratasse de lavar a louça ou de embrulhar presentes de Natal, minha mãe seguia o raciocínio do general George Patton: “Um bom plano executado à força agora é melhor do que um plano perfeito executado na semana que vem”.
Ou, parafraseando: um romance bom o bastante escrito à força agora é melhor do que um romance perfeito meticulosamente nunca escrito.
Também acho que minha mãe entendia esta noção radical: de que a mera conclusão é por si só um feito bastante honroso. Além disso, é um feito raro. Pois a verdade é que a maioria das pessoas não termina as coisas! Olhe em volta, as provas estão por todos os lados: as pessoas não terminam as coisas. Iniciam projetos ambiciosos com as melhores intenções, mas acabam cando atoladas em um lamaçal de inseguranças, dúvidas e ninharias... e param.
Então, se puder concluir alguma coisa, conclua! Só com isso você já estará quilômetros à frente da maioria.
Em outras palavras, talvez você queira que seu trabalho seja perfeito; pois eu só quero concluir o meu.
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