Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
Um truque
Pois então, eis um truque: pare de reclamar.
Con e em mim. E con e também em Werner Herzog.
Existem muitas boas razões para parar de reclamar se você quiser levar uma vida mais criativa.
Para começar, é irritante. Todo artista reclama, então esse é um assunto chato e batido. (Levando em consideração o volume de reclamações da classe artística, seria de imaginar que essas pessoas foram condenadas a suas vocações por um ditador maligno, não que escolheram seu trabalho de livre e espontânea vontade e de coração aberto.) Em segundo lugar, é claro que é difícil criar; se não fosse, todo mundo estaria criando e não seria algo especial e interessante.
Em terceiro lugar, ninguém presta atenção de fato às reclamações dos outros, porque estamos todos focados demais em nossas próprias tribulações, então basicamente você está falando com as paredes.
Em quarto lugar, e acima de tudo, você está espantando a inspiração. Toda vez que reclama de como é difícil e cansativo ser criativo, a inspiração se afasta um pouco mais de você, ofendida. É quase como se a inspiração jogasse as mãos para o alto e dissesse: “Ei, foi mal, amigo! Não tinha me dado conta de que minha presença o incomodava tanto. Pode deixar que vou procurar outro sócio”.
Já senti esse fenômeno em minha própria vida toda vez que começava a reclamar. Percebi como minha autocomiseração batia a porta na cara da inspiração, deixando a sala fria, pequena e vazia. Sendo assim, decidi ainda jovem tomar o seguinte caminho: comecei a dizer a mim mesma que gostava do meu trabalho. Declarei gostar de todos os aspectos de meus empreendimentos criativos — da agonia e do êxtase, do sucesso e do fracasso, da alegria e do constrangimento, dos períodos de seca, da labuta, dos tropeços, das confusões e de toda a estupidez da coisa.
Ousei até dizer isso em voz alta.
Disse ao universo ( e a quem mais quisesse ouvir) que estava empenhada em levar uma vida criativa não para salvar o mundo, como um ato de protesto, para car famosa, para me tornar parte do cânone, para desa ar o sistema, para mostrar aos lhos da mãe, para provar a minha família que eu era digna, nem como uma forma de profunda catarse emocional terapêutica... mas simplesmente porque gostava.
Então tente dizer assim: “Eu gosto da minha criatividade”.
E quando o disser, certi que-se de que não seja só da boca para fora.
É possível que você deixe muita gente de cabelo em pé. Acredito que gostar de coração do que se faz é a única postura realmente subversiva que ainda se pode adotar como um indivíduo criativo hoje em dia. É um ato de insubordinação, pois quase ninguém se atreve a falar em voz alta do prazer criativo, por medo de não ser levado a sério como artista. Então fale. Seja o esquisitão que ousa se divertir.
No entanto, o melhor de tudo é que, ao a rmar que sente prazer em seu trabalho, você atrai a inspiração. Ela cará grata ao ouvir essas palavras saindo de sua boca, porque a inspiração — assim como todos nós — gosta de ser apreciada. Ela entreouvirá seu prazer e lhe enviará ideias como recompensa por seu entusiasmo e sua lealdade.
Mais ideias do que você jamais conseguiria usar.
Ideias su cientes para dez vidas.
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