Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 67 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

A pior namorada de todos os tempos

 

Inspirada nessa noção, agora faço com frequência o mesmo tipo de pergunta a jovens aspirantes a escritores.

“Vocês amam escrever?”, pergunto.

É claro que amam. Dã.

Pergunto então: “Vocês acreditam que a escrita ama vocês em retribuição?”

Eles me olham como se eu devesse ser internada em um hospício.

“É claro que não”, respondem. A maioria a rma que a escrita é totalmente indiferente a eles. E se por acaso sentem ter um relacionamento recíproco com a criatividade, esse relacionamento costuma ser profundamente doentio. Muitas vezes, esses jovens escritores a rmam que a escrita simplesmente os odeia. A escrita mexe com suas cabeças, os atormenta e se esconde deles. Ela os pune, os destrói. A escrita acaba com eles de todas as maneiras imagináveis.

Como descreveu um jovem autor que conheço: “Para mim, a escrita é como aquela menina linda, mas meio escrota, que você sempre idolatrou no colégio, mas que só ertava com você por interesse. No fundo, você sabe que ela não presta e que deveria se afastar para sempre, mas ela sempre volta a seduzi-lo. E quando você acha que ela nalmente vai ser sua namorada, ela aparece na escola de mãos dadas com o capitão do time de futebol, ngindo que nem sabe quem você é. Tudo o que você pode fazer é se fechar em uma cabine do banheiro e chorar. A escrita é cruel”.

“Nesse caso”, perguntei a ele, “o que você quer fazer da vida?”

“Quero ser escritor”, ele respondeu.

 

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