Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 66 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Confiança

 

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Ela ama você?

Minha amiga, a dra. Robin Wall Kimmerer, é botânica, escritora e ensina biologia ambiental na SUNY College of Environmental Science and Forestry, em Syracuse, Nova York. Seus alunos são todos jovens ambientalistas fervorosos, seriamente engajados e desesperados para salvar o mundo.

Antes de poderem começar a se dedicar à sua missão de salvar o mundo, no entanto, Robin normalmente lhes faz duas perguntas.

A primeira é: “Vocês amam a natureza?”.

Todos levantam a mão.

A segunda pergunta é: “Vocês acreditam que a natureza ama vocês em retribuição?”.

Todos abaixam a mão.

A essa altura, Robin lhes diz: “Então já temos um problema”.

E o problema é o seguinte: esses jovens tão empenhados em salvar o mundo acreditam honestamente que a Terra é indiferente a eles. Acreditam que os humanos não passam de consumidores passivos e que nossa presença aqui neste planeta é uma força destrutiva. ( Só tomamos e tomamos, sem oferecer em troca à natureza nada que a bene cie.) Acreditam que os seres humanos estão aqui por um acidente aleatório e que, portanto, a Terra não está nem aí para nós.

Nem é preciso dizer que os povos antigos não enxergavam as coisas assim. Nossos ancestrais sempre acreditaram estar em um relacionamento emocional recíproco com o mundo à sua volta. Quer sentissem que estavam sendo recompensados ou punidos pela Mãe Natureza, pelo menos mantinham um diálogo constante com ela.

Robin acredita que as pessoas hoje perderam essa noção de diálogo, essa consciência de que a Terra está se comunicando conosco da mesma forma que estamos nos comunicando com ela. Em vez disso, aprendemos a acreditar que a natureza não nos ouve nem vê, talvez por acharmos que ela não possui senciência inerente. O que, de certa forma, é um construto patológico, pois nega qualquer possibilidade de relacionamento. (Mesmo a crença em uma Mãe Natureza punitiva é melhor do que a noção de que ela nos é indiferente; pelo menos a raiva representa algum tipo de troca energética.) Sem essa noção de relacionamento, Robin adverte seus alunos de que estão perdendo algo incrivelmente importante: o potencial de se tornarem cocriadores da vida. Nas palavras de minha amiga: “A troca de amor entre a Terra e as pessoas traz à tona os dons criativos de ambos os lados. A Terra não é indiferente a nós. Pelo contrário, reclama nossos dons em troca dos seus — a natureza recíproca da vida e da criatividade”.

Ou, para resumir em termos mais simples: a natureza fornece a semente, o homem fornece o jardim; ambos são gratos pela ajuda do outro.

Então Robin sempre começa por aí. Antes de poder ensinar a esses alunos como curar o mundo, precisa ensiná-los como curar a maneira como se enxergam no mundo. Precisa convencê-los de que têm o direito de estar aqui, para começo de conversa. (Mais uma vez: a arrogância do pertencimento.) Precisa apresentar a eles o conceito de que podem, de fato, ser amados em retribuição pela entidade que tanto veneram, pela própria natureza que os criou.

Porque, de outra forma, jamais dará certo.

Porque, de outra forma, ninguém — nem a Terra nem os alunos nem qualquer um de nós — jamais se bene ciará.

 

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