Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
Pretensão
Mas, para viver assim — livre para criar, explorar —, é preciso ter uma forte pretensão, que espero que você aprenda a cultivar.
Reconheço que o termo pretensão tem conotações extremamente negativas, mas gostaria de me apropriar dele e utilizá-lo aqui por uma boa causa. Porque você nunca conseguirá criar nada de interessante na vida se não acreditar que merece ao menos tentar. Pretensão criativa não signi ca que você deva se comportar como uma princesa ou agir como se o mundo lhe devesse alguma coisa. Não, pretensão signi ca simplesmente acreditar que você tem o direito de estar aqui e — pelo mero fato de estar aqui — se expressar e ter uma visão própria.
O poeta David Whyte chama essa pretensão criativa de arrogance of belonging, algo como “arrogância do pertencimento”, e a rma que é um privilégio absolutamente vital a ser cultivado se você deseja interagir de maneira mais intensa com a vida. Sem essa arrogância do pertencimento, você nunca conseguirá assumir nenhum risco criativo. Sem ela, nunca se forçará a sair do sufocante isolamento da segurança pessoal, a atravessar as fronteiras do belo e do inesperado.
A arrogância do pertencimento não tem a ver com egoísmo ou ensimesmamento. Estranhamente, é o oposto; é uma força divina que de fato o traz para fora de si e permite que você interaja de maneira mais plena com a vida. Porque, muitas vezes, o que o impede de levar uma vida criativa é o ensimesmamento (suas dúvidas a respeito de si mesmo, sua aversão a si mesmo, sua autocrítica, seu instinto esmagador de autoproteção ). A arrogância do pertencimento o tira das profundezas sombrias da autodepreciação não porque diz “Eu sou o melhor!”, mas porque simplesmente a rma “Estou aqui!”.
Acredito que esse tipo de arrogância bené ca — esse simples direito a existir e, portanto, a se expressar — é a única arma para combater o desagradável diálogo que surge automaticamente em sua cabeça toda vez que você tem um impulso artístico. Sabe do que estou falando, não é? Daquele diálogo que se desenrola mais ou menos assim: “Quem diabos você pensa que é para tentar ser criativo? Você é um inútil, um estúpido, não tem nenhum talento nem nenhum propósito. Volte para seu buraco”.
Ao que você talvez tenha respondido obedientemente durante toda a vida: “Tem razão. Sou mesmo inútil e estúpido. Obrigado. Vou voltar para o meu buraco agora”.
Eu gostaria de vê-lo ter uma conversa consigo mesmo mais produtiva e interessante do que essa. Pelo amor de Deus, pelo menos se defenda!
O primeiro passo para defender seu direito a ser uma pessoa criativa é se de nir, declarar seu propósito. Levante-se e diga-o, qualquer que seja ele: Sou escritor.
Sou cantor.
Sou ator.
Sou jardineiro.
Sou dançarino.
Sou inventor.
Sou fotógrafo.
Sou chef de cozinha.
Sou designer.
Sou isso, aquilo e também aquilo outro!
Ainda não sei exatamente o que sou, mas estou curioso para descobrir!
Verbalize-o. Mostre a ele que você está aí. Aliás, mostre a si mesmo que você está aí. Porque essa declaração de propósito é um anúncio tanto para você quanto para o universo ou para qualquer outra pessoa. Ao ouvir esse anúncio, sua alma vai se mobilizar. E, ao fazê-lo, vai se sentir extasiada, pois foi para isso que você nasceu. ( Pode acreditar, sua alma vem esperando há anos que você acorde para a própria existência. ) Contudo, cabe a você iniciar a conversa. E depois você precisa sentir que tem direito a continuar na conversa.
Essa declaração de propósito e de direito não é algo que você possa fazer só uma vez e depois esperar milagres; é algo que precisa ser feito diariamente, para sempre. Venho tendo que me de nir e me defender como escritora todos os dias da minha vida adulta. Estou o tempo todo lembrando e relembrando minha alma e o cosmos de que levo muito a sério esse negócio de viver criativamente e de que nunca vou deixar de criar, independentemente do resultado e de quão profundas sejam minhas ansiedades e inseguranças.
Com o passar do tempo, encontrei também o tom de voz correto para fazer essas a rmações. É melhor ser insistente, porém afável. Repita-se, mas não seja estridente. Fale com sua voz interior mais sombria e negativa da maneira como um negociador de reféns falaria com um psicopata violento: com calma, porém
rme. Acima de tudo, nunca recue. Você não pode se dar ao luxo de recuar.
A nal de contas, a vida que está negociando para salvar é a sua.
“Quem diabos você pensa que é?”, sua voz interior mais sombria exigirá saber.
“É engraçado você estar perguntando”, você pode responder. “Vou lhe dizer quem eu sou: sou lho de Deus, como todo mundo. Sou parte deste universo. Tenho espíritos protetores invisíveis que acreditam em mim e que trabalham ao meu lado. Só o fato de estar aqui é prova de que tenho direito a estar aqui. Tenho direito à minha voz e à minha visão. Tenho direito a colaborar com a criatividade, pois sou eu mesmo um produto e uma consequência da Criação. Estou em uma missão de libertação artística, então liberte a refém.”
Viu?
Agora é sua vez de falar.
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