Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 40 de 90

Páginas do PDF

Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Categorizações

 

Alguém me disse no outro dia: “Você a rma que podemos todos ser criativos, mas as pessoas não têm talentos e habilidades inatas completamente diferentes? Tudo bem, todos podemos fazer algum tipo de arte, mas somente alguns de nós podem ser realmente excelentes, certo?”.

Não sei.

E, honestamente, nem quero saber.

Nem sequer me dou ao trabalho de pensar na diferença entre a arte superior e a inferior. Sou capaz de pegar no sono e dormir com a cara no prato de jantar se alguém começa a discursar sobre a distinção acadêmica entre a verdadeira maestria e a mera técnica. Certamente não quero jamais declarar com con ança que esta pessoa está destinada a se tornar um artista importante, enquanto aquela outra deveria desistir.

Como posso saber? Como pode alguém saber? É tudo muito subjetivo, e, de qualquer forma, a vida já me surpreendeu muitas vezes nessa área. Por um lado, já conheci pessoas brilhantes que não criaram absolutamente nada com seus talentos. Por outro, há pessoas por quem não dei nada, em uma atitude arrogante, e que mais tarde me comoveram com a majestade e a beleza de seus trabalhos. Isso foi para mim uma lição de humildade e me ensinou a não julgar o potencial dos outros nem descartar ninguém.

Então lhe imploro que não se preocupe com essas de nições e distinções, está bem? Elas só o deixarão deprimido e perturbado, e precisamos que você esteja o mais leve e despreocupado possível para continuar criando. Quer você se considere brilhante ou um zero à esquerda, faça o que precisa fazer e compartilhe-o com o mundo. Deixe que os outros o categorizem como quiserem. E pode ter certeza de que o farão, pois é isso que as pessoas gostam de fazer. Na verdade, a categorização é algo que as pessoas precisam fazer para se sentirem mais tranquilas, para sentir que estão dando algum tipo de ordem ao caos da existência.

Sendo assim, as pessoas vão enquadrá-lo em todo tipo de categorias. Vão chamá-lo de gênio, fraude, amador, impostor, aspirante, ultrapassado, supér uo, estrela em ascensão ou mestre da reinvenção. Podem elogiá-lo ou depreciá-lo. Podem dizer que você não passa de um mero escritor de um gênero só, de um mero ilustrador de livros infantis, de um mero fotógrafo comercial, de um mero ator de teatro amador, de um mero cozinheiro doméstico, de um mero músico de m de semana, de um mero artesão, de um mero pintor de paisagem ou de um mero o que quer que seja.

Não importa. Deixe que as pessoas tenham suas opiniões. Mais do que isso, deixe que as pessoas sejam apaixonadas por suas opiniões, assim como eu e você somos apaixonados pelas nossas. Mas nunca se iluda a ponto de acreditar que precisa da bênção (ou mesmo da compreensão) de alguém para fazer o próprio trabalho criativo. E lembre-se sempre de que os julgamentos que as pessoas fazem de você não são da sua conta.

Finalmente, lembre-se do que W. C. Fields tinha a dizer a respeito disso: “O importante não é como os outros o chamam, mas sim os nomes a que você responde”.

Aliás, nem se preocupe em responder.

Continue fazendo seu trabalho.

 

OceanofPDF.com