Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 11 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Como funcionam as ideias

 

A esta altura eu deveria explicar que dediquei toda a minha vida à criatividade e que, ao longo do caminho, desenvolvi um conjunto de crenças a respeito de como ela funciona — e de como trabalhar com ela — que se baseia completa e descaradamente no pensamento mágico. E, quando me re ro aqui a “mágico”, é no sentido literal da palavra. No sentido de Hogwarts. Estou me referindo ao sobrenatural, ao místico, ao inexplicável, ao surreal, ao divino, ao transcendente, àquilo que é de outro mundo. Porque a verdade é que acredito que a criatividade seja uma força de encantamento — não inteiramente humana em sua origem.

Estou ciente de que esta não é uma maneira particularmente moderna ou racional de ver as coisas. Sem dúvida, não é cientí ca. Outro dia mesmo, ouvi um respeitado neurologista dizer em uma entrevista: “O processo criativo pode parecer mágico, mas não é”.

Com todo o respeito, discordo.

Acredito que o processo criativo é pura magia.

Pois eis no que escolho acreditar a respeito de como funciona a criatividade: Acredito que nosso planeta é habitado não apenas por animais, plantas, bactérias e vírus, mas também por ideias. Estas são uma forma de vida energética, incorpórea. São completamente separadas de nós, mas capazes de interagir conosco — ainda que de um modo estranho. As ideias não têm um corpo material, mas têm consciência e, certamente, têm vontade própria. São movidas por um só impulso: o de se manifestar. E a única maneira pela qual uma ideia pode se manifestar em nosso mundo é por meio da colaboração com um parceiro humano. Ela só pode ser escoltada do nível do etéreo para o reino da realidade através dos esforços de um humano.

Portanto, as ideias passam a eternidade rodopiando a nossa volta, buscando parceiros humanos disponíveis e receptivos. (Estou falando aqui de todo tipo de ideia: artística, cientí ca, industrial, comercial, ética, religiosa, política. ) Quando uma ideia acredita que encontrou alguém — digamos, você — que talvez possa trazê-la para o mundo, ela lhe faz uma visita. Tenta chamar sua atenção. Na maior parte das vezes, você não percebe, provavelmente porque está tão consumido pelos próprios dramas, ansiedades, distrações, inseguranças e obrigações, que não está receptivo à inspiração. Talvez não note porque está assistindo à TV, fazendo compras, remoendo a raiva que sente de alguém, ponderando seus erros e fracassos ou simplesmente muito ocupado. A ideia tenta fazer sinal para você parar (talvez por alguns minutos, talvez por alguns meses, talvez até por alguns anos ), mas, quando nalmente percebe que você está alheio à mensagem, passa para outra pessoa.

Contudo, às vezes — em ocasiões raras, porém magní cas —, chega um dia em que você está aberto e relaxado o su ciente para de fato receber algo. Talvez você tenha baixado um pouco a guarda e esteja menos ansioso, e então a mágica consegue se in ltrar. A ideia, sentindo sua abertura, começa a trabalhar em você. Envia os sinais de inspiração universais, tanto físicos quanto emocionais (os calafrios nos braços e na nuca, o embrulho no estômago, os pensamentos agitados, aquela sensação de estar se apaixonando ou sendo dominado por uma obsessão ). A ideia organiza coincidências e portentos para você esbarrar pelo caminho, para manter seu interesse aguçado. Você começa a perceber todo tipo de sinal a levá-lo em direção a ela. Tudo o que você vê, toca e faz o lembra da ideia. Ela acorda você no meio da noite e o distrai de sua rotina diária. Não deixa você em paz até ter toda a sua atenção.

Então, em um momento tranquilo, ela pergunta: “Quer trabalhar comigo?”.

A essa altura, você tem duas opções de resposta.

 

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