Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
A ideia cresce
Bem, voltemos à minha história sobre a magia.
Graças ao que Felipe tinha me contado sobre a Amazônia, fui visitada por uma grande ideia: isto é, a ideia de que deveria escrever um romance sobre o Brasil na década de 1960. Especi camente, me senti inspirada a escrever um romance sobre os esforços para construir a fatídica rodovia que deveria atravessar a oresta.
Essa ideia me parecia épica e empolgante. Era também intimidadora — que diabos eu sabia a respeito da Amazônia brasileira ou de construção de estradas na década de 1960? —, mas todas as boas ideias parecem intimidadoras a princípio, então resolvi ir em frente. Concordei em fechar um contrato com minha ideia. Trabalharíamos juntas. Tínhamos um acordo, por assim dizer. Prometi à minha ideia que nunca lutaria contra ela nem a abandonaria, que me esforçaria ao máximo para cooperar com ela até que nosso trabalho estivesse concluído.
Fiz então o que se faz quando se está seriamente comprometido com um projeto ou uma atividade: abri espaço. Desentulhei minha área de trabalho e minha mente. Comprometi-me com várias horas de pesquisa toda manhã. Forcei-me a dormir cedo para poder acordar ao amanhecer e estar pronta para trabalhar. Disse não a distrações sedutoras e a convites para eventos sociais a
m de poder focar meu trabalho. Comprei livros sobre o Brasil e liguei para
especialistas no assunto. Comecei a estudar português. Comprei chas catalográ cas — meu método preferido para organizar minhas anotações — e me permiti começar a sonhar com esse novo mundo. E, nesse espaço, mais ideias começaram a surgir e os contornos da história começaram a tomar forma.
Decidi que a heroína de meu romance seria uma americana de meia-idade chamada Evelyn. A história se passaria no m da década de 1960, uma época de grandes reviravoltas políticas e culturais. Evelyn, porém, leva uma vida tranquila no centro de Minnesota. É uma solteirona que passou 25 anos trabalhando como secretária executiva em uma grande empreiteira do Meio-Oeste. Durante todo esse tempo, ela nutre uma paixão silenciosa e impossível pelo chefe: um homem casado e trabalhador que nunca a enxergou como nada além de uma secretária e ciente. O chefe tem um lho, um sujeito ambicioso e de caráter duvidoso. O lho ca sabendo desse gigantesco projeto de construção no Brasil e convence o pai a participar da licitação. Usa todo o seu charme e poder de persuasão para levar o pai a investir toda a fortuna da família no empreendimento. Com uma enorme quantidade de dinheiro e extravagantes sonhos de glória, o herdeiro da empresa logo parte em direção ao Brasil. Rapidamente, tanto o rapaz quanto o dinheiro desaparecem. Arrasado, o pai despacha Evelyn, sua mais el embaixadora, para a Amazônia a m de tentar encontrar o jovem e o dinheiro desaparecidos. Movida por um senso de dever e por amor ao chefe, Evelyn segue rumo ao Brasil, onde sua vida organizada e monótona é virada de cabeça para baixo, lançando-a em um mundo de caos, mentiras e violência. O que se segue é uma série de dramas e epifanias. É também uma história de amor.
Decidi dar ao romance o título Evelyn of the Amazon [ Evelyn da Amazônia] . Escrevi uma proposta e enviei à editora, que gostou e concordou em publicá-lo. Fechei então um segundo contrato com minha ideia — dessa vez um contrato formal, com rmas reconhecidas, prazos e tudo o mais. Estava agora totalmente comprometida. Comecei a trabalhar de verdade.
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