Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 68 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

O vício do sofrimento

 

Está começando a ver como isso é doentio?

Não são apenas os aspirantes a escritor que se sentem assim. Autores mais antigos, já bem estabelecidos, dizem exatamente as mesmas coisas sombrias sobre o próprio trabalho. (Com quem você acha que os jovens autores aprenderam? ) Segundo Norman Mailer, cada um de seus livros o matou um pouco mais. Philip Roth nunca deixou de falar sobre as torturas medievais que a escrita lhe in igiu durante a longa e sofrida carreira. Oscar Wilde se referia à existência artística como “um longo e belo suicídio”. ( Adoro Wilde, mas tenho di culdade em enxergar o suicídio como algo belo. Aliás, tenho di culdade em enxergar toda essa angústia como bela.) E os escritores não são os únicos a se sentirem assim. Artistas visuais sentem o mesmo. Segundo o pintor Francis Bacon, “os sentimentos de desespero e infelicidade são mais úteis para um artista do que o contentamento, pois o desespero e a infelicidade ampliam nossa sensibilidade”. Atores se sentem assim, dançarinos se sentem assim e músicos, sem dúvida, também se sentem assim. Rufus Wainwright certa vez admitiu morrer de medo de estar em um relacionamento estável e feliz, pois, sem o drama emocional de todas aquelas aventuras amorosas problemáticas, temia perder acesso “ao lago negro da dor” que acreditava ser tão crucial para sua música.

E é melhor nem começarmos a falar dos poetas.

Basta dizer que a linguagem moderna da criatividade — desde os mais jovens aspirantes até os mestres reconhecidos — está impregnada de dor, desolação e transtornos. Inúmeros artistas trabalham em completa solidão física e emocional, isolados não só de outros seres humanos, mas também da fonte da própria criatividade.

E, o que é pior, muitas vezes têm um relacionamento emocionalmente violento com o trabalho. Quer produzir algo? O conselho que lhe dão é: corte uma veia e deixe sangrar. Está na hora de editar seu trabalho? Você é instruído a matar todos aqueles que lhe são queridos. Pergunte a um escritor como está indo seu livro e é possível que ele responda: “Finalmente quebrei a espinha dele esta semana”.

E isso se a semana tiver sido boa.

 

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