Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
O paradoxo central
Em suma, portanto, a arte é totalmente insigni cante. É também, contudo, profundamente signi cativa.
É um paradoxo, claro, mas somos todos adultos aqui e acho que podemos lidar com isso. Acho que podemos todos ter em mente ao mesmo tempo duas ideias mutuamente contraditórias sem que nossas cabeças explodam. Então vamos tentar. O paradoxo com o qual você precisa conviver e se sentir à vontade se quiser levar uma vida criativa satisfatória é mais ou menos o seguinte: “Minha expressão criativa precisa ser a coisa mais importante do mundo para mim ( se eu quiser viver artisticamente), mas também não pode ter nenhuma importância (se eu quiser manter a sanidade mental)”.
Às vezes é preciso saltar de um extremo ao outro desse espectro paradoxal em questão de minutos e saltar de volta logo em seguida. Ao escrever este livro, por exemplo, lido com cada frase como se dela dependesse o futuro da humanidade. Eu me importo, pois quero que seja adorável. Portanto, para mim, qualquer coisa aquém de uma dedicação total àquela frase seria desleixo, algo vergonhoso. Contudo, quando edito minha frase — às vezes imediatamente após escrevê-la —, tenho de estar disposta a atirá-la aos cães e nunca mais olhar para trás. ( A menos, claro, que eu decida que preciso daquela frase novamente, e, nesse caso, é necessário cavar seus ossos, ressuscitá-la e mais uma vez enxergá-la como sagrada. ) Importa./Não importa.
Abra espaço em sua cabeça para esse paradoxo. O máximo de espaço possível.
Abra ainda mais espaço.
Você vai precisar.
Depois entre fundo nesse espaço — o mais fundo que puder — e crie absolutamente o que quiser criar.
Não é da conta de mais ninguém.
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