Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
Decore-se
Tenho uma vizinha que está sempre se tatuando.
Seu nome é Eileen e ela faz novas tatuagens da mesma forma que eu compraria um novo par de brincos baratos: só por fazer, porque deu na telha. Às vezes Eileen acorda meio deprimida e anuncia: “Acho que vou fazer uma tatuagem nova hoje”. Se alguém lhe pergunta que tipo de tatuagem está planejando fazer, responde: “Ah, não sei. Vou decidir quando chegar lá. Ou então vou deixar o tatuador me surpreender”.
Bem, não estamos falando aqui de uma adolescente com problemas para controlar os impulsos. Eileen é uma mulher adulta, tem lhos crescidos e dirige um negócio bem-sucedido. Além disso, é superdescolada, dona de uma beleza única e um dos espíritos mais livres que já conheci. Certa vez, quando lhe perguntei como podia permitir que seu corpo fosse permanentemente marcado de forma tão casual, ela respondeu: “Ah, mas você está enganada! Não é permanente. É temporário”.
Confusa, perguntei: “Como assim? Suas tatuagens são temporárias?”.
Ela sorriu e disse: “Não, Liz. Minhas tatuagens são permanentes; é só meu corpo que é temporário. Assim como o seu. Só estamos aqui na Terra por um curto período, então decidi que queria me decorar da maneira mais divertida possível enquanto ainda tenho tempo”.
Mal posso dizer quanto amei ouvir aquilo.
Porque, assim como Eileen, também quero decorar minha vida temporária da maneira mais colorida possível. E não digo apenas no sentido físico, mas também no emocional, espiritual e intelectual. Não quero ter medo de cores vibrantes, novos sons, grandes amores, decisões arriscadas, experiências estranhas, desa os bizarros, mudanças repentinas, ou mesmo do fracasso.
Veja bem, não vou cobrir meu corpo com tatuagens (simplesmente porque essa não é a minha praia ), mas vou, sim, passar o maior tempo possível criando coisas prazerosas com minha existência, pois é isso que me desperta, que faz com que me sinta viva.
Vou fazer minha decoração com tinta de impressão, não de tatuagem. Mas meu impulso de escrever tem exatamente a mesma origem que o impulso de Eileen de transformar a pele em uma tela vibrante enquanto ainda está aqui.
Ambos têm origem naquela voz interior que diz: Por que não?
A nal de contas, tudo isso é temporário.
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