Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 83 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

É interessante

 

 

Os criadores que mais me inspiram, portanto, não são necessariamente os mais apaixonados, mas sim os mais curiosos.

A curiosidade é o que nos mantém trabalhando de maneira constante enquanto outras emoções mais in amadas vêm e vão. Gosto do fato de Joyce Carol Oates escrever um novo romance a cada três minutos — e sobre assuntos completamente diferentes — porque tantas coisas parecem fasciná-la. Gosto do fato de James Franco aceitar todos os papéis que quer (um drama sério em um minuto; uma comédia rasgada no outro ) porque reconhece que nem tudo o que faz precisa lhe render uma indicação ao Oscar. E gosto também do fato de, entre um papel e outro, Franco também se dedicar a outros interesses: à arte, à moda, aos estudos acadêmicos e à escrita. (E suas atividades extracurriculares são boas? Não me importa! Acho legal ele fazer o que quer.) Gosto do fato de Bruce Springsteen não apenas criar hinos para serem entoados por multidões em estádios lotados, mas também ter composto todo um álbum inspirado em um romance de John Steinbeck. Gosto do fato de Picasso também ter mexido com cerâmica.

Certa vez ouvi o diretor Mike Nichols falar sobre sua prolí ca carreira cinematográ ca e dizer que sempre tinha se interessado muito por seus lmes malsucedidos. Toda vez que via um deles passar na TV de madrugada, sentava-se para assistir tudo de novo — algo que nunca fazia com seus sucessos. Assistia àqueles lmes com curiosidade, pensando: É tão interessante como esta cena não funcionou...

Nenhuma vergonha nem desespero, apenas a sensação de que é tudo muito interessante. Do tipo: não é engraçado como às vezes as coisas funcionam e às vezes não? Às vezes acho que a diferença entre uma vida criativa atormentada e uma vida criativa tranquila não passa da diferença entre a palavra horrível e a palavra interessante.

A nal de contas, resultados interessantes são apenas resultados horríveis com o volume de drama drasticamente reduzido.

Acho que muitas pessoas desistem de seguir uma vida criativa porque têm medo da palavra interessante. Minha professora de meditação preferida, Pema Ch ödrön, disse certa vez que o maior problema que ela encontra na prática de meditação das pessoas é que elas desistem exatamente quando as coisas estão começando a car interessantes. Em outras palavras, desistem assim que as coisas deixam de ser fáceis, assim que aquilo se torna doloroso, chato ou perturbador. Desistem assim que veem algo em suas mentes que as assusta ou magoa. Então acabam perdendo a parte boa, fantástica, transformadora — a parte em que você supera as di culdades e penetra um novo universo em estado bruto e inexplorado dentro de si.

E talvez seja assim com todos os aspectos importantes da vida. O que quer que você esteja buscando, o que quer que esteja criando, tenha cuidado para não desistir cedo demais. Como adverte meu amigo, o pastor Rob Bell: “Não passe correndo pelas experiências e circunstâncias que mais podem transformá-lo”.

Não perca a coragem no momento em que as coisas deixarem de ser fáceis ou grati cantes.

Porque esse é o momento em que o interessante começa.

 

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