Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
Propriedade
Acredito que a inspiração sempre se esforçará ao máximo para trabalhar com você, mas, se você não estiver pronto ou disponível, ela poderá de fato optar por deixá-lo e procurar outro colaborador humano.
Na verdade, isso acontece com frequência.
É assim que certa manhã você abre o jornal e descobre que outra pessoa escreveu seu livro, dirigiu sua peça, lançou seu álbum, produziu seu lme,
nanciou seu negócio, abriu seu restaurante ou patenteou sua invenção — ou
manifestou de alguma forma uma centelha de inspiração que você teve anos antes, mas nunca cultivou devidamente ou nunca conseguiu levar a cabo. Isso pode irritá-lo, mas não deveria, pois você não fez a sua parte! Não estava pronto ou aberto o su ciente ou não agiu rápido o bastante para que a ideia se consolidasse em você e se concretizasse. Portanto, ela partiu em busca de um novo parceiro, e essa pessoa acabou por concretizá-la.
Depois que publiquei Comer, rezar, amar, não sei quantas pessoas ( literalmente mais do que posso contar) me acusaram com raiva de ter escrito o livro delas.
“Era para esse livro ter sido meu”, rosnam, me fuzilando com os olhos na
la de autógrafos de algum evento literário em Houston, Toronto, Dublin ou
Melbourne. “Eu estava planejando escrever esse livro um dia. Você escreveu a minha vida.”
Mas o que posso dizer? Que diabos eu sei sobre a vida daquele estranho? Do meu ponto de vista, encontrei uma ideia desacompanhada, perdida por aí, e fugi com ela. Embora seja verdade que tive sorte com Comer, rezar, amar ( sem dúvida, tive muita sorte), também é verdade que trabalhei como uma louca naquele livro. Lancei-me àquela ideia como um salmão se lança contra a corrente. Depois que ela penetrou minha consciência, não deixei de segui-la por um momento sequer — até o livro estar pronto.
Então pude car com ela para mim.
Mas também já perdi várias ideias no decorrer dos anos. Ou, melhor, perdi ideias que acreditei, erroneamente, estarem destinadas a ser minhas. Outras pessoas acabaram escrevendo livros que eu queria muito ter escrito. Outros realizaram projetos que poderiam ter sido meus.
Em 2006, por exemplo, ertei por um tempo com a ideia de escrever um livro de não cção sobre a cidade de Newark, em Nova Jersey, ao qual daria o título Brick City [Cidade de tijolos]. Meu plano, em teoria, consistia em seguir o carismático novo prefeito de Newark, Cory Booker, e escrever a respeito de seus esforços para transformar aquela cidade fascinante, porém conturbada. Era uma ideia legal, mas que acabei não concretizando. ( Para ser honesta, parecia ser muito trabalhosa e eu já estava planejando outro livro, então nunca me empenhei o su ciente para colocá-la em prática. ) Em 2009, o Sundance Channel produziu e levou ao ar um documentário sobre a conturbada história de Newark, Nova Jersey, e os esforços de Cory Booker para transformar a cidade. O nome do programa era Brick City. Minha reação ao car sabendo disso foi de puro alívio: Oba! Não preciso lidar com Newark! Alguém já se encarregou da tarefa!
Outro caso ocorreu em 1996, quando conheci um amigo próximo de Ozzy Osbourne. Ele me disse que Ozzy e sua família eram as pessoas mais estranhas, engraçadas, loucas e — surpreendentemente — amáveis que já conhecera. “Você precisa escrever sobre eles!”, me disse. “Deveria passar um tempo com eles e observar a maneira como interagem. Não sei exatamente o que você poderia fazer, mas alguém precisa realizar um projeto sobre os Osbourne, porque são incrivelmente fantásticos.”
Fiquei intrigada. Contudo, mais uma vez acabei não concretizando a ideia, e os Osbourne caram ao encargo de outra pessoa — com resultados notáveis, diga-se de passagem.
Há muitas ideias que acabei não concretizando e várias delas viraram projetos de outras pessoas. Outras pessoas contaram histórias com as quais eu estava intimamente familiarizada — histórias que um dia chamaram minha atenção, que pareciam vir de minha própria vida ou que poderiam ter sido geradas por minha imaginação. Nem sempre quei indiferente à perda dessas ideias para outros criadores. Algumas vezes foi difícil. Em alguns casos, tive que
car observando enquanto outras pessoas desfrutavam dos sucessos e das
vitórias que eu havia desejado para mim.
A vida é assim.
Mas é também cheia de belos mistérios.
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