Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 72 de 90

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Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Escolha em que confiar

 

 

Se, no entanto, decidir seguir o outro caminho ( se optar por con ar no sofrimento mais do que no amor), saiba que estará construindo sua casa em um campo de batalha. E quando tantas pessoas tratam o processo criativo como uma zona de guerra, não é de surpreender que haja tantas vítimas. Tanto desespero, tanta escuridão. E a que custo!

Nem tentarei listar os nomes de todos os escritores, poetas, artistas, dançarinos, compositores, atores e músicos que cometeram suicídio no último século ou que morreram muito antes do que deveriam da mais lenta das táticas de suicídio, o alcoolismo. (Quer saber os números? Basta procurar na internet. Mas, acredite, é uma quantidade assustadora.) Esses prodígios perdidos eram infelizes por diversas razões, claro, embora eu aposte que todos — pelo menos em algum momento da vida — amassem seu trabalho. Contudo, se perguntássemos a qualquer uma dessas almas talentosas, porém atormentadas, se acreditavam que o trabalho os amava em retribuição, descon o que a resposta seria não.

Mas por que não os amaria?

Esta é a pergunta que faço, e acho que é uma pergunta justa: por que sua criatividade não o amaria? Ela veio até você, não veio? Aproximou-se. Conseguiu entrar em você, pedindo sua atenção e sua devoção. Encheu-o do desejo de produzir coisas interessantes. A criatividade quis ter um relacionamento com você. Deve ter tido algum motivo para isso, certo? Você acredita honestamente que a criatividade se deu a todo esse trabalho de invadir sua consciência só porque queria matar você?

Isso não faz o menor sentido! Que benefício isso traria à criatividade? Quando Dylan omas morre, não há mais poemas de Dylan omas; esse canal é silenciado para sempre, e isso é terrível. Não consigo imaginar um universo em que a criatividade desejaria isso. Só consigo imaginar que ela preferiria um mundo em que Dylan omas tivesse continuado vivendo e

produzindo por um longo, longo tempo. Não só Dylan omas, mas muitos outros. Há um buraco no mundo deixado por toda a arte que aquelas pessoas não produziram — há um buraco em nós deixado pela perda do trabalho desses artistas —, e não consigo acreditar que isso tenha sido parte do plano divino de alguém.

A nal, re ita: se a única coisa que uma ideia deseja é se manifestar, por que ela deliberadamente o machucaria, quando é você quem pode lhe dar vida? (A natureza fornece a semente, o homem fornece o jardim; ambos são gratos pela ajuda do outro.) Será possível, então, que a criatividade não esteja nos sacaneando, mas que sejamos justamente nós a sacaneá-la?

 

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