Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo
A ideia perde o rumo
Alguns meses depois, contudo, um drama na vida real me desviou do propósito de produzir um drama inventado. Em uma viagem de rotina aos Estados Unidos, Felipe, meu namorado, foi detido por um agente de imigração e impedido de entrar no país. Ele não tinha feito nada de errado, mas o Departamento de Segurança Interna o pôs na cadeia mesmo assim, depois o deportou. Fomos informados de que Felipe nunca mais poderia voltar aos Estados Unidos — a menos que nos casássemos. Se quisesse estar com meu amor durante esse período de exílio estressante e inde nido, teria que empacotar toda a minha vida imediatamente e ir encontrá-lo no exterior. Foi o que z. Deixei meu país e quei com ele durante quase um ano, lidando com nosso drama e com a papelada da imigração.
Com todo esse transtorno, estava longe de ter o ambiente ideal para me dedicar a escrever um romance complexo sobre a Amazônia brasileira na década de 1960, especialmente com a quantidade de pesquisa que seria necessária. Acabei então pondo Evelyn de lado, com promessas sinceras de que voltaria a ela mais tarde, assim que a estabilidade fosse restituída a minha vida. Guardei todas as anotações para o romance e o resto de meus pertences em um depósito e tomei um avião rumo ao outro lado do mundo para car com Felipe e tentar resolver nossa confusão. E, como preciso estar sempre escrevendo sobre alguma coisa para não enlouquecer, decidi escrever sobre aquilo: ou seja, decidi registrar o que estava acontecendo na minha vida como uma forma de organizar as complicações e revelações. ( Como disse Joan Didion, “não sei o que penso a respeito de algo até escrever sobre o assunto”. ) Com o passar do tempo, essa experiência se transformou em meu livro de memórias, Comprometida.
Quero deixar claro que não me arrependo de ter escrito Comprometida. Sou eternamente grata a esse livro, pois o processo de escrevê-lo me ajudou a lidar com a enorme ansiedade a respeito de meu casamento iminente. Mas o livro monopolizou minha atenção por um bom tempo, e, quando nalmente o terminei, mais de dois anos haviam se passado. Mais de dois anos durante os quais eu não havia trabalhado em Evelyn of the Amazon.
Isso é muito tempo para se deixar uma ideia de lado.
Estava ansiosa para voltar a ela. Então, depois que Felipe e eu estávamos devidamente casados e instalados nos Estados Unidos, e depois que Comprometida estava concluído, tirei todas as anotações do depósito e me sentei à escrivaninha na casa nova, pronta para recomeçar a produzir o romance sobre a Floresta Amazônica.
Logo, porém, z uma descoberta extremamente penosa.
Meu romance havia desaparecido.
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