Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Elizabeth Gilbert · Capítulo 49 de 90

Páginas do PDF

Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo

Uma ressalva

 

 

Mas isso não signi ca que se você não começar suas atividades criativas até os vinte e poucos anos depois será tarde demais!

Pelo amor de Deus, não é isso que estou dizendo.

Nunca é tarde demais.

Eu poderia dar dezenas de exemplos de pessoas incríveis que só começaram a seguir seus caminhos criativos mais tarde — às vezes muito mais tarde — na vida. Mas, por razões de economia, darei apenas um.

Seu nome era Winifred.

Eu a conheci na década de 1990, em Greenwich Village, em sua festa de aniversário de noventa anos, que foi um estouro. Era amiga de um amigo meu ( um cara de vinte e poucos anos; Winifred tinha amigos de todas as idades e origens ). Era uma espécie de celebridade nos arredores de Washington Square, uma verdadeira lenda boêmia que morava no Village desde sempre. Tinha longos cabelos vermelhos, que usava glamorosamente amontoados no topo da cabeça, e sempre estava enfeitada com colares de contas de âmbar. Quando o marido, que fora cientista, ainda era vivo, os dois passavam as férias caçando furacões e ciclones por todo o mundo, só por diversão. Ela mesma poderia ser considerada um furacão.

Winifred foi a mulher mais cheia de vida que conheci em minha juventude, então, certo dia, buscando inspiração, perguntei a ela: “Qual o melhor livro que você já leu?”.

“Ah, querida”, ela respondeu, “nunca poderia me restringir a um só livro. Há tantos livros que são importantes para mim. Mas posso lhe dizer qual é meu assunto preferido. Dez anos atrás, comecei a estudar a história da antiga Mesopotâmia, que se tornou minha paixão. E vou lhe dizer uma coisa: isso mudou completamente minha vida”.

Para mim, aos 25 anos, ouvir uma viúva de noventa dizer que sua vida havia mudado graças a uma paixão ( e tão recente!) foi uma revelação. Foi um daqueles momentos em que eu podia quase sentir minha visão se expandindo, como se minha mente estivesse se abrindo e acolhendo várias novas possibilidades de vida que uma mulher pode ter.

Porém, conforme fui descobrindo mais a respeito da paixão de Winifred, o que mais me impressionou foi que ela tivesse se tornado uma especialista reconhecida em história da antiga Mesopotâmia. A nal de contas, tinha dedicado àquela área de estudo toda uma década de vida. E se você se dedica a qualquer coisa de modo diligente durante dez anos acaba se tornando um especialista. (Esse é o tempo que seria necessário para fazer dois mestrados e um doutorado. ) Ela havia visitado o Oriente Médio e participado de várias escavações arqueológicas, tinha aprendido escrita cuneiforme, cara amiga dos maiores estudiosos e curadores do assunto e nunca perdia nenhuma exposição ou palestra que fosse realizada em Nova York a respeito do tema. As pessoas procuravam Winifred em busca de respostas sobre a antiga Mesopotâmia, porque agora ela era a autoridade.

Eu era uma jovem recém-saída da faculdade. Ainda havia uma parte tola e limitada de minha imaginação que acreditava que minha educação estava concluída porque a Universidade de Nova York havia me conferido um diploma. Conhecer Winifred, no entanto, me fez perceber que nossa educação não termina quando eles nos dizem que terminou; termina quando nós dizemos que terminou. E Winifred — quando era apenas uma garotinha de oitenta anos — decidira com rmeza: ainda não terminou.

Então quando é que você pode começar a correr atrás de uma vida mais criativa e apaixonada?

Pode começar quando decidir.

 

OceanofPDF.com