Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas
O novo crítico.
O novo crítico Pauline, Tina e Oprah: o que há de com um entre essas três
m ulheres-sím bolo é a profunda m utação que acom panham . A natureza do crítico de cultura nos Estados Unidos m uda irrem ediavelm ente entre 1968 e hoj e. Paralelam ente ao fim das hierarquias culturais e à m istura de gêneros entre arte e entretenim ento, o crítico torna-se um “vendedor”, e não m ais um j uiz. Ele era um “gatekeeper”, guardião da fronteira entre arte e entretenim ento, e um “tastem aker”, árbitro do gosto. Mas agora se transform a em “m ediador do entertainm ent” e em “trendsetter”, aquele que dita a m oda e o buzz, acom panhando a preferência do público. O novo crítico privilegia o “cool”, e, j ustam ente, o cool detesta distinções culturais. E um a vez abolidas as classificações, é m uito difícil recriar um a hierarquia. E por sinal, quem é que o desej a?
Para esta pesquisa, entrevistei j ornalistas culturais em 35 estados am ericanos, e m e pareceu que a m aneira com o entendiam sua profissão era j á agora m uito diferente da de seus colegas europeus. Existem , naturalm ente, guardiães do tem plo em revistas com o Film Comment ou Chicago Reader; entretanto, quase sem pre, a profissão de j ornalista cultural sofreu um a m etam orfose. Em vez de ser um crítico, ele faz entrevistas com estrelas, dá notícia da vida dos atores, acom panha os com entários, o buzz, o zum -zum . Precisa colocar-se no nível de seus leitores e ser “easy ” (“I’m easy ”: eu sou bom de público, diz-m e um crítico em Miam i). O que ele j ulga é o prazer (“having fun”, diz-m e um crítico do Boston Globe). Seu assunto são as novidades e as “never-before-seen im ages”, as im agens nunca vistas, por exem plo: o prim eiro episódio de Guerra nas estrelas, os corpos flutuando no oceano em Titanic, a prim eira cena de Toy Story ou Matrix, as im agens em 3D da batalha final de Avatar. O crítico prevê o que esta ou aquela com unidade vai pensar de um film e dirigido a ela: os cristãos de A paixão de Cristo, os gay s de O segredo de Brokeback Mountain, os latinos do últim o álbum de Shakira, os negros do últim o film e de Will Sm ith, os j udeus da peça de Tony Kushner Angels in America. “Existe um a especificidade am ericana que consiste em ir ver um film e em função da vida de cada um , um film e que evoca nossa com unidade”, constata Joe Hoberm an, principal crítico de cinem a do Village Voice, em Nova York. “Hoj e em dia, o crítico é um ‘consum er critic’: com o o crítico de autom óveis ou de gastronom ia, ele diz ao consum idor com o gastar bem seu dinheiro na cultura, ao passo que o crítico do ‘repertório’ de outros tem pos estava a serviço da arte”, confirm a Robert Brustein, crítico de teatro do New Republic. “A realidade é que os críticos, que se tornavam cada vez m ais corruptos, estão desaparecendo, substituídos pela prom oção, cada vez m ais m anipuladora. Para se ver a que ponto chegam os! E tudo isso tem um a causa única: os críticos chegaram à conclusão de que a audiência e a bilheteria eram bons critérios de avaliação. Para dizer de form a m ais neutra, eu diria que o crítico am ericano tem um a escala de valores m ais próxim a do espectador que seu colega europeu”, com enta, em Chicago, Jonathan Rosenbaum , um dos últim os veteranos am ericanos da crítica de cinem a “à europeia”.
No Boston Globe, no San Francisco Chronicle, no Chicago Tribune, no Los Angeles Times, os j ornalistas com os quais m e encontrei assinam cada vez m enos críticas e cada vez m ais reportagens, sendo a cultura tratada com o um a atualidade a ser entendida, e não m ais com o um a arte a ser j ulgada. A m aioria dos diários tem um a seção Arts & Entertainm ent, geralm ente incluindo televisão, cinem a, m úsica pop (raram ente a m úsica clássica) e as diferentes form as de lazer. “Muitas pessoas acham que nosso suplem ento ‘Art and Life’ se pauta pela publicidade. Mas não é o caso. Nós som os pautados pelos leitores”, explica Joanna Connors, j ornalista cultural do Plain Dealer em Cleveland, Ohio.
Mesm o nos j ornais da costa Leste, supostam ente m ais elitistas, os críticos contem porâneos evidenciam um a verdadeira paixão pela cultura popular, m uito perceptível, por exem plo, no New York Times. Ali, em Tim es Square, John Rockwell, o antigo crítico de rock e depois de m úsica clássica do j ornal, e que agora é o seu crítico de dança — um percurso perfeitam ente sim bólico da m istura de gêneros —, constata: “Existe um a espécie de fé, de entusiasm o pela cultura popular no New York Times. Muito espaço é destinado, por exem plo, às sitcom s e à televisão. Nós nos colocam os no nível dos leitores: o crítico é um ‘regular guy ’ que fala dos film es ou da m úsica às ‘regular people’. E todo aquele que só se interessasse pela ‘high culture’ e m anifestasse desprezo pela cultura popular daria a im pressão de trair o espírito popular e dem ocrático da Am érica”. E por sinal essa ideia da m istura de gêneros não poderia ser m elhor resum ida do que no nom e escolhido para a sala de concertos clássicos onde se apresenta a Los Angeles Philharm onic: o Walt Disney Concert Hall.
Ainda na sede do New York Times, encontro o editorialista cultural Frank Rich, que lam enta: “Tornei-m e crítico de teatro em 1980. Acabava de conseguir ‘m y dream j ob’, um em prego de sonho, no exato m om ento em que o sonho acabava”. Mas esse crítico reputado e sofisticado faz exatam ente com o os outros: com enta a atualidade escorando-se na cultura am ericana popular e sem analm ente dá conta da “cultura no universo da notícia”. “Escrever sobre Debussy e o hip-hop: é isto a Am érica. Um crítico deve escrever sobre tudo. Misturar cultura e com ércio é um a tradição antiga nos Estados Unidos. A novidade é que o m arketing, o dinheiro, o business interessam tanto aos críticos quanto as obras.”
Em Miam i, converso com Mosi Reeves, um j ovem negro que é redator — chefe da editoria “pop m usic” do j ornal alternativo Miami New Times. Para ele, “a hierarquia ‘high’ e ‘low’ não faz m ais sentido: foi aniquilada por Pauline Kael”, diz ele. Mais tarde, tom o um café ao ar livre, ouvindo Gloria Estefan, a artista cubano-am ericana crossover por excelência, com dois j ornalistas do Miami Herald. Evely n McDonnell define-se com o crítica de “pop culture” e Jordan Levin acom panha no j ornal a m úsica latina. “Os pontos de vista m uito definidos, m uito engaj ados, são cada vez m enos pertinentes na im prensa m ainstream ”, diz Evely n. “É preferível fornecer inform ações, em vez de j ulgam entos. Nós funcionam os m uito com pesquisas de opinião que questionam os leitores sobre o que esperam de um j ornal com o o nosso. Fornecem os o que eles querem : entrevistas, reportagens para anunciar os acontecim entos, perfis de estrelas e cada vez m enos críticas. As pessoas querem fazer seu próprio j ulgam ento, não querem conhecer o nosso.” Jordan Levin observa por sua vez que “m uitos habitantes de Miam i não falam inglês e não estão interessados em um a crítica de livros ou de teatro. As pessoas se interessam m ais pela m úsica, pelo cinem a. É m enos esnobe”. Evely n tam bém m e inform a que há no Miami Herald um a j ornalista incum bida ao m esm o tem po do m ercado im obiliário e do entretenim ento. “Sim , ela acom panha os dois setores ao m esm o tem po”, acrescenta, sorrindo. A inform ação m e parece sublim e, e eu prom eto m encioná-la no m eu livro.
A crítica de livros, portanto, é cada vez m ais rara. E por sinal não se fala m ais de “literatura”, m as de “ficção”, nem se fala m ais de história ou filosofia, m as de “não ficção”: “A palavra ‘literatura’ soa com o se estivéssem os na escola, fica parecendo sério e nada fun, ler ficção é m ais divertido”, explica-m e um j ornalista do Boston Globe (diário que no entanto continua publicando um excelente suplem ento literário aos dom ingos). Se j á não publicam m uitas críticas literárias, os j ornais am ericanos em com pensação têm todos um crítico “digital” na editoria Art & Entertainm ent, que acom panha a cultura digital e os produtos tecnológicos por ela gerados — e um dos m ais lidos é Walter Mossberg, no Wall Street Journal. A Internet acentuou essas m udanças, e nos sites dos m eios de com unicação na Web a m istura de gêneros e o fim das hierarquias culturais se generalizaram com pletam ente.
O peso de um a opinião quantitativa é que interessa: m ais ou m enos com o acontece no caso dos guias de restaurantes Zagat, que devem seu sucesso ao fato de a boa m esa não ser avaliada por um crítico culinário, m as por m ilhares de leitores que dão sua opinião com base em questionários. Sem pre o quantitativo em vez do qualitativo. Nos anúncios de film es ou livros nos j ornais, as opiniões dos críticos são substituídas pelos “blurbs” (pequenas frases autoprom ocionais encom endadas pelos estúdios ou a editora e publicadas antes m esm o do lançam ento do film e ou do livro): “The Best Fam ily Film This Year”, “Holiday Classic”, “Wow!”, “Absolutely Brilliant!, “Hilarious!”, “One of the Best Movies Ever!”, “Laugh-Out-Loud-Funny ” ou o m uito frequente “∗∗∗∗”.
Os dois críticos de cinem a m ais fam osos dos Estados Unidos são Robert Ebert e Gene Siskel, do program a At the Movies, da ABC (o program a, criado em 1986, é da Disney ). “Eles inventaram o sistem a ‘Two Thum bs Up!’, dois polegares para cim a. Ebert e Siskel avaliam um film e sim plesm ente com o polegar, o que redunda num total possível de apenas três notas: dois polegares apontando para cim a quando os dois gostam do film e, dois polegares para baixo quando não gostam e um polegar para cim a e um polegar para baixo quando discordam . Assim , o leitor fica sabendo se se trata ou não de um “m ust-see film ” (um film e que deve ser visto) ou de um “turkey ” (um a droga). Depois da m orte de Siskel e de Ebert ter encerrado atividades, o program a foi retom ado em 2009 por dois j ornalistas pop, um dos quais é ninguém m ais ninguém m enos que o chefe da seção de cinem a do New York Times, A. O. Scott. Que passou a levantar ou abaixar o polegar.
No lugar do crítico de arte, o j ornalista dom inante é portanto, nos Estados Unidos de hoj e, o do entertainm ent. Algum as publicações dom inam , por exem plo no caso do cinem a e da televisão: Premiere, Entertainment Weekly, The Hollywood Reporter ou Variety. As duas prim eiras são revistas destinadas ao grande público que falam de estrelas, dos film es de sucesso, do buzz — do que rola. O espaço dedicado a críticas é m uito lim itado (tem os de chegar à página 96 da Entertainment Weekly para que elas apareçam , term inando na página 103). As duas últim as, sobretudo a Variety, são publicações profissionais que divulgam resultados detalhados das bilheterias e inform ações m uitas vezes não verificadas, com base em vazam entos que circulam em Holly wood.
Em Los Angeles, visito a sede da Variety, no Wilshire Boulevard. É possível fazer um a assinatura da versão diária, que é lida religiosam ente por todos aqueles que tom am decisões no m undo do cinem a e da televisão (em papel de revista, e não de j ornal — estam os em Holly wood), ou então da seleção sem anal, m ais divulgada no exterior. O que sem pre m e causou im pressão na Variety é o estilo rápido, a linguagem especializada, pouco sofisticada, com m uitas palavras abreviadas, o que a torna um pouco inacessível ao leitor de fora. “As pessoas costum am dizer que nós escrevem os em ‘Variety lingo’, um a língua que é só nossa”, explica-m e, na im ensa redação da sede do j ornal, Steve Chagollan, editor sênior da revista. Mas o que torna a Variety indispensável todo dia não são as inform ações confidenciais, m as as dezenas de quadros de resultados de bilheteria holly woodianos, nacionais e internacionais, os Nielsen TV Ratings sobre as audiências da televisão na véspera, as opiniões dos críticos de cinem a da im prensa nacional (resum idos em apenas três categorias: “a favor”, “contra” e “m ais ou m enos”), além de m uitas notícias curtas sobre os proj etos em andam ento e as film agens que vão com eçar. O teatro da Broadway (cham ado de Legit) tam bém tem um a sessão com pleta, m ais um a vez com as receitas de cada com édia m usical, o núm ero de espectadores e os resultados da Broadway “on the road”, ou sej a, das reprises espalhadas pelo país.
Esse culto dos núm eros não é exclusivo da Variety. A revista Billboard faz o m esm o em relação à m úsica, com base em dados com pilados pela Nielsen SoundScan e divulgados toda quarta-feira por volta das duas horas da m anhã. Essas classificações contribuem para legitim ar o sucesso de um artista ou de um escritor através de suas vendas. Divulgados pelas televisões, as estações de rádio e em tem po real por inúm eros sites da Internet, esses núm eros são encarados nos Estados Unidos com o um a espécie de sanção do público, m isturando sucesso com ercial e legitim idade dem ocrática. O m ercado m ainstream , m uitas vezes encarado com desconfiança na Europa, com o inim igo da criação artística, adquiriu nos Estados Unidos um a espécie de integridade, por ser considerado resultado das preferências reais do público. Num a época de valores relativos, num m om ento em que os j ulgam entos críticos são considerados resultado de preconceitos de classe, a popularidade m anifestada pelas vendas fica parecendo neutra e m ais confiável. Sem pre é possível discutir o que é bom e o que é ruim , m as não se discute com a Nielsen SoundScan, Variety ou Billboard.
E no entanto não faltariam m otivos de contestação. É o caso da cham ada bilheteria do “prim eiro fim de sem ana” nos cinem as, divulgada pela Billboard na m anhã de segunda-feira, quando nem todos os dados do fim de sem ana, j ustam ente, foram contabilizados. Além disso, esses núm eros são fornecidos pelos estúdios, que fazem certas extrapolações a partir de dados reais recebidos dos distribuidores no sábado. Assim , os núm eros divulgados serão m ais adiante corrigidos com a publicação de dados atualizados (cham ados “the actuals”), m as o que ficará na lem brança de todo m undo é que o segundo episódio de um a franquia superou o prim eiro, em bora nem sem pre sej a este o caso.
No terreno da edição am ericana, sabem os hoj e, graças a um a investigação detalhada publicada pelo New York Times, que as recom endações e seleções que aparecem nas grandes redes com o Barnes & Noble ou nas seções de livros dos hiperm ercados Wal-Mart, com o tam bém nas grandes livrarias independentes, são “preparadas” com os editores, que rem uneram as loj as para que seus livros apareçam . O m esm o no que diz respeito às fam osas “frentes de gôndolas”, a seleção apresentada verticalm ente na extrem idade das prateleiras. Até as m esas e “stepladders” (escadinhas) na entrada dos estabelecim entos, para a exposição das novidades, dos “m elhores” livros e “m aiores” vendas, são “subvencionadas” a preço alto pelas m ultinacionais da edição de livros: são portanto sucessos de m entira, j á que a seleção é feita pelo dinheiro, sem qualquer relação com as preferências dos livreiros ou os núm eros reais de vendas. No plano financeiro, esse sistem a de “pay -for-display ” (pagar para ser m ostrado) geralm ente não é com prado com o a publicidade, com a aquisição de espaços, m as de um percentual suplem entar transferido aos livreiros sobre as vendas realizadas (3% a 5% a m ais, em função dos acordos feitos, quase sem pre secretam ente, ao arrepio das leis sobre a concorrência). A gigante am ericana Am azon tam bém generalizou esse sistem a em seu site, no qual os livros destacados lhe perm item em bolsar percentuais m aiores. No lugar dos artigos de críticos literários, cada vez m enos frequentes nos Estados Unidos, os leitores passaram portanto a se pautar por “seleções” supostam ente independentes, m as que na verdade são com pradas pelas m ultinacionais do livro. Em inglês, encontrou-se um belo eufem ism o para definir esse m arketing m aquilado de espírito crítico entre os estabelecim entos e os editores: um “cooperative advertising agreem ent”. No m eio profissional, fala-se sim plesm ente de um acordo de “Co-Op”, o que soa m elhor.
Estou no restaurante Odeon, no bairro de Tribeca, em Nova York. Marquei encontro com Steven Erlanger, editor de cultura do New York Times (desde então, ele assum iu a direção da sucursal de Tel Aviv e depois da de Paris). Ele resum e para m im as etapas da revolução que ocorreu. O fim da hierarquia cultural, a ascensão das indústrias de conteúdos, o enfraquecim ento dos independentes, j á agora m isturados às m aj ors, o dom ínio do cool, do hip e do buzz, a cultura transform ada em “com m odity ” (m ercadoria). Mas ele tam bém enfatiza a diversidade cultural, que, segundo ele, teve um papel decisivo no enfraquecim ento do m odelo europeu: “Nós nos tornam os cada vez m ais colorful”, diz.
Steven Erlanger considera que estam os apenas no início desse processo. “Esse m ovim ento será consolidado por um a real afirm ação da diversidade, o desenvolvim ento da Internet e a intensificação da globalização.” Ele se refere ao processo de desinterm ediação gerado pela Web, elim inando interm ediários. Menciona os países em ergentes, que vão transform ar ainda m ais a situação. Tudo isso, segundo ele, contribui para reforçar a am ericanização da cultura em todo o m undo, j á que os Estados Unidos são por excelência o país da Internet e de acolhida de estrangeiros provenientes dos países em ergentes. E a Europa? “Por não se interessar o suficiente pelas culturas populares, o entertainm ent, as indústrias criativas, o m ercado e a diversidade étnica, a Europa passa por um a grande estagnação cultural”, conclui o editor de cultura do New York Times no restaurante Odeon, sem necessariam ente m e convencer.
Em torno de nós, m ovim entam -se os “bus boy s” m exicanos, que trazem os pratos m as não anotam os pedidos. Na cozinha, vej o negros. Mas os garçons são brancos: fico pensando que provavelm ente são atores “em devir”. Nessa cervej aria hip do bairro cool de Tribeca, estou entre a Europa e a Am érica. Um crítico de gastronom ia do New York Times qualificou o Odeon com a seguinte frase: “European sophistication, Am erican abundance”. Um clim a refinado, m as com ida abundante; a qualidade, a quantidade; a Europa, a Am érica. E sem pre a am bição am ericana.
“É nesta cervej aria”, conta-m e Steven Erlanger, “que se passa o célebre rom ance Bright Lights, Big City, de Jay McInerney ”. Trata-se de um livro tipicam ente am ericano, m agnífico e sofisticado, que Pauline Kael detestava, Tina Brown adorava e do qual Oprah Winfrey nunca falou.