Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas

Frédéric Martel · Capítulo 55 de 67

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Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas

“Visit Israel, Before Israel Visits You”

Um a rede para os terroristas? Não vam os exagerar. Mas um a guerra de m ídias e im agens, com certeza. E por sinal basta conversar com os opositores de Chávez na própria Venezuela para ouvir um outro discurso. Marcel Granier é um deles. O diretor-presidente da RCTV, im portante rede de televisão aberta da Venezuela, especializada em inform ação, entretenim ento e sobretudo novelas, teve sua concessão retirada pelo m inistro das Com unicações de Chávez. “O futuro da RCTV está ligado ao futuro da Venezuela”, com enta Marcel Granier, resignado, num luxuoso salão da superprotegida sede da RCTV, no antigo prédio histórico da Rádio Caracas. “Você acredita que estej am os aqui num a dem ocracia?”, pergunta-m e polidam ente Granier, para m e testar. Eu evito tom ar posição, m as nós decidim os abrir o j ogo e falar com franqueza. Ele sabe que está em terreno am igo com um francês. E fala, m esm o sabendo que vou citá-lo nom inalm ente: “Estam os diante de um a ditadura m ilitar. A censura é total, arbitrária. É um a censura política, m as tam bém com ercial. Por exem plo, eles drenam o m ercado publicitário para acabar com as televisões privadas sem precisar fechá-las à força. Atacam nossa vida pessoal, nossa segurança física. Eu receio por m inha fam ília, tem o por m inha própria vida”. Já pensou em se exilar? “Eu sou venezuelano. É o m eu país. Minha fam ília j á se transferiu para Miam i. Mas m eus assalariados estão aqui, eu sou am eaçado, denunciado. Eu am o m eu país. Tenho de ficar aqui.” Pergunto-lhe o que pensa da Telesur e de seu diretor, Andrés Izarra. “Ele diz que trabalhou na CNN, m as ninguém se lem bra. Minha rede foi proibida por seu m inistério. Eu nunca o encontrei. Mas a Telesur é um a rede m uito perversa, m uito m ais perigosa que a Al Jazeera, pois tem um obj etivo e não se conform a com as práticas j ornalísticas. Aqui na Venezuela, a Telesur não pode fazer m uito m ais estragos do que Chávez j á fez, arruinando a econom ia, destruindo a dem ocracia e asfixiando o estado de direito. No Brasil ou na Argentina, a rede tam bém é perfeitam ente inofensiva: são grandes países que não se deixam enganar. Em com pensação, nos países m enores, a Telesur é m uito perigosa. No Paraguai, na Bolívia, em Honduras, na Guatem ala, ela em preende um a guerrilha política de extrem a esquerda. Pouco im porta sua audiência, é um instrum ento estratégico. Trata-se de um a rede m uito m ais eficiente do que se diz. Ela faz literalm ente a guerra.”

“Visit Israel, Before Israel Visits You”

Para ir a Ram allah, a partir de Jerusalém , tom o o Sherut (táxi coletivo) nº 18. É a segunda vez que vou à capital da Palestina, e m e sinto perfeitam ente à vontade: nada m udou realm ente. Entro em contato com vários palestinos que conheço, encontro um hotel qualquer e, à espera da j ornalista Am ira Hass, faço hora no café “Star & Bucks” de Ram allah. Estranho lugar, essa cópia não franqueada do célebre grupo am ericano, na qual o café latte custa dez shekels israelenses (quase dois euros). Grupos de garçons fum am a chicha, um deles com um a cam iseta NYPD (New York Police Departm ent). Num a im ensa tela plana, veem -se clipes da rede saudita Rotana com j ovens bastante despidas. Diante do café, na avenida, CDs piratas da Rotana são vendidos ao lado de retratos de Che Guevara. De repente, um a van com hom ens arm ados da Al Fatah passa pelas ruas: eles atiram para o alto com balas de verdade. Eu m e sinto seguro.

Pouco depois, m ando e-m ails de um cibercafé. Fico im pressionado com as dezenas de cibercafés que proliferaram no centro de Ram allah desde m inha últim a viagem . A conexão é rápida e m eu vizinho discute pelo Sky pe com um irm ão que vive nos Estados Unidos. Outros clientes consultam sites israelenses ou paqueram em sites de encontros em árabe. Um dos rapazes com quem converso m e pede para exam inar m eu iPod, fascinado. Aj usta os fones de ouvido e logo vai m e dizendo, ao ouvir por acaso um trecho de O Rei Leão (cabendo estranhar que fosse encontrado no m eu iPod): “É o Sim ba”. Ele conhece o film e de cor, e seu vizinho tam bém . Não o viram na televisão, e m uito m enos nas salas de cinem a, m as, explicam , “no com putador”. A falsa lenda africana am ericanizada (sim ba significa leão em suaíli) funciona até na Palestina.

Mais tarde, Am ira Hass chega, sozinha. Cabelos negros, um a m echa caindo na testa, ela traz no pescoço um lenço verde e azul vivo. Sorri, fala com calm a, m ostra um a suavidade perceptível que dissim ula um a revolta intacta. Marcou encontro com igo diante de um hotel distante do centro de Ram allah. Seu para-brisa foi quebrado à esquerda pelo im pacto de balas: “Eu não estava no carro quando ocorreu esse tiroteio entre o Ham as e a Fatah”, esclarece ela. No espelho retrovisor, ela tam bém ostenta um pingente de Che Guevara. Am ira Hass costum a ser classificada à extrem a esquerda do espectro político israelense. Com binam os de percorrer durante um dia inteiro a Palestina, seus checkpoints, seus m eios de com unicação e sua cultura.

Pouco depois de partir, chegam os ao prim eiro checkpoint na saída de Ram allah. Ingenuam ente, im agino que estam os entrando de novo em Israel. “Engano seu”, diz-m e Am ira Hass. “É o que o Exército israelense quer que se acredite. Na verdade, existem checkpoints em toda a Palestina. O Exército israelense afirm a que é por m otivo de segurança, m as na verdade é para criar o que eu costum o cham ar de ‘designated territories’, para m arcar o território israelense.”

Am ira Hass é um a das m ais fam osas j ornalistas do Oriente Médio (e um a das m ais prem iadas internacionalm ente). Israelense, é correspondente perm anente na Cisj ordânia do diário Haaretz, de Tel Aviv. Ela é a única j ornalista j udia israelense residente em territórios palestinos (inicialm ente em Gaza, a partir de 1993, e depois em Ram allah, desde 1997). Filha de sobreviventes do Holocausto, ela nasceu em Jerusalém em 1956. Suas reportagens geralm ente são favoráveis aos palestinos, e ela se especializou num a abordagem m inuciosa, quase científica, da colonização israelense em andam ento nos territórios. Os leitores do Haaretz exigem sua dem issão, em centenas de cartas. Mas ela tam bém teve m uitas altercações com a Autoridade Palestina, inclusive com Yasser Arafat e a Fatah, denunciando m uitas vezes sua incom petência, desorganização e corrupção. “Eu tam bém sou m uito crítica em relação aos palestinos. Não se pode dizer que tudo sej a culpa dos israelenses”, avalia Am ira Hass.

Viaj ando em sua com panhia, eu a observo enquanto trabalha. A cada checkpoint, a cada ponto de abastecim ento de água, toda vez que um a estrada é declarada “estéril” (term o oficial israelense para indicar que é proibida a circulação de palestinos, em bora estej am os na Palestina), toda vez que um a terra é confiscada, ou quando se cruza o “Muro” (a certa altura, leio um a pichação em inglês: “Stop the Wall”), Am ira Hass escreve. Ela consulta seu m apa, com para o traçado das estradas, constata o surgim ento de cercas eletrificadas (“elas põem os palestinos em j aulas”, diz), acom panha m inuciosam ente os deslocam entos da “fronteira” — seu principal assunto — e vai tom ando notas rapidam ente em seu com putador Dell. “Eu sou m uito fact-checking, não sou em otiva, afetiva, ‘I go by the num bers’”, diz ela, insistindo na descrição m eticulosa de fatos, dados, m apas, estradas, túneis, pontes, desvios. Em Tel Aviv, a direção da redação a acha um pouco obcecada.

Nos bairros palestinos, deparo-m e com m ilhares de CDs e DVDs piratas, m uitas vezes vendidos nas calçadas, com o em qualquer outro lugar. Muitos são am ericanos. “Os palestinos odeiam os am ericanos, m as é um antiam ericanism o afetivo, rom ântico, e não ideológico. Eles ouvem m úsica am ericana e veem film es de Holly wood com o qualquer um ”, explica Am ira Hass. De fato, surpreende-m e encontrar a m aioria dos m ais recentes blockbusters holly woodianos nas ruas de Ram allah e de outras cidades da Palestina. “O paradoxo é que os j ovens palestinos da Cisj ordânia são m uito m ais am ericanizados, em geral, que os j ovens dos outros países árabes, o que se explica pela proxim idade com Israel”, confirm a Hass.

No fim das contas, é um ponto com um entre os j ovens israelenses e os j ovens palestinos, esse m esm o culto pelos film es am ericanos. Mas Benny Ziffer, redator-chefe do j ornal israelense Haaretz (no dia em que o entrevistei em Tel Aviv, o Sr. Ziffer ironicam ente usava um a cam iseta com a inscrição: “Visite Israel antes que Israel o visite”), relativiza essa proxim idade: “No caso dos palestinos, trata-se de um am ericanism o superficial, de m arcas da m oda, da m úsica popular, dos blockbusters e da Internet. Mas a partir do m om ento em que entram os na cultura real, a cultura que se tem em casa, continua sendo um a cultura m uito islâm ica. Por exem plo, a cultura de televisão é m uito m uçulm ana, especialm ente as séries sírias e egípcias, e atualm ente as séries turcas sobretudo é que são m uito vistas na Palestina. O sucesso das séries turcas é revelador, pois elas são ao m esm o tem po m uçulm anas e m ais m odernas que no m undo árabe; no fundo, é através delas que acontece um a espécie de am ericanização indireta, passando pelo filtro turco. Mas por enquanto ainda se trata de um a cultura extrem am ente islâm ica”. Gael Pinto, o crítico de cinem a do m esm o j ornal, igualm ente entrevistado na sede do Haaretz em Tel Aviv, constata por sua vez que não existe em Israel um debate sobre a Am érica: “Ao contrário do que acontece na Palestina, não existe aqui um debate sobre o im perialism o am ericano ou a dom inação dos Estados Unidos: é sim plesm ente um fato. Som os de tal m aneira am ericanizados que j á não é um debate”. Um de seus colegas no m esm o j ornal, o fam oso historiador Tom Segev, escreveu um livro sobre essa am ericanização cultural de Israel, relatando com o o Estado hebraico foi aos poucos abandonando o m odelo sionista, o do kibutz e do socialism o à Ben Gurion, para se voltar para a Am érica, com os valores do pragm atism o e do individualism o. Prova disso, diz ele, é o fato de Israel ser atualm ente um a “start-up nation” e de seu dinam ism o econôm ico se explicar pelo núm ero m ais alto de start-ups que no Japão, na China, na Índia ou no Reino Unido. O título do livro de Tom Segev, que m e oferece um exem plar, é sintom ático: Elvis in Jerusalem.

Algum tem po antes, quando investiguei em Gaza e especialm ente no cam po de Jabaliy a, pude observar que a Al Jazeera era assistida na m aioria das residências palestinas, nos escritórios que visitava e nas fam ílias que m e recebiam . Inicialm ente fiquei algo incrédulo, em virtude da grande pobreza desses cam pos palestinos. Depois, entendi que o que estava vendo em Gaza, com o em Ram allah ou Belém , em Dam asco e na Attaba Square (o m ercado no coração do Cairo, onde fica o que os egípcios cham am de “Cell Phone Street”, a rua dos telefones celulares), era um a regra transnacional: em qualquer lugar, encontram os com facilidade dezenas de m ilhares de antenas parabólicas e decodificadores de sinais de satélite, sem pre vendidos no m ercado negro. Pelo equivalente a 25 euros, consegue-se um decodificador; por 12 euros, um a pequena parabólica. Estim a-se que apenas 2% dos habitantes da Palestina tenham assinatura legal de televisão por satélite, considerando-se os preços, m as que 80% da população das cidades têm acesso a esses serviços coletiva e ilegalm ente. Na direção dos grandes grupos árabes de m ídia, a MBC, a ART e a Rotana em Riad e Dubai, todos os m eus interlocutores confirm aram que, de acordo com seus levantam entos, a quase totalidade da população árabe, m esm o nas zonas m ais pobres, tinha acesso a um a parabólica, e que o índice de penetração da televisão por satélite era quase total. Todos tem os na lem brança as im agens de beduínos no deserto, com seu drom edário e sua parabólica. “Aqui, a riqueza das fam ílias é m edida em função do tam anho da parabólica”, com enta com igo, irônico, Ay m an, um estudante de Gaza, no cam po de Jabaliy a. “Muitas vezes não há água ou não há m ais luz nas ruas depois das 22 horas, m as a televisão continua sem pre ligada. E quanto m aior for a parabólica, m ais canais são sintonizados.” Em sua casa, j unto a sua fam ília, eu sou recebido com o am igo, alim entado, tratado com o hóspede de honra. Num m apa, ele m e m ostra a “sua aldeia”, Hulda, em terras israelenses. “Eu venho de lá”, diz ele (na verdade, seu avô é que veio, e desde 1948 a fam ília não retornou ao lugar). Na parede, um a foto: “É Said, m eu irm ão m ais velho, m orto pelo exército israelense”. Num a tela de televisão na sala de estar, eu vej o as im agens da Al Jazeera passarem sem parar.

Na sede do Haaretz, em Tel Aviv, o j ornalista Benny Ziffer confirm a: “Basta que um m em bro da fam ília ou do clã tenha um a parabólica para que o bairro inteiro sintonize a televisão por satélite de graça. Os palestinos estão a par de tudo; estão m uito bem inform ados graças às parabólicas, que se tornaram fundam entais em sua cultura e sua inform ação. Elas estão em toda parte, sej a nas aldeias m ais distantes ou nos cam pos palestinos m ais pobres. A Palestina é m uito isolada geograficam ente, m as extrem am ente aberta e ‘ligada’ do ponto de vista dos m eios de com unicação. As pessoas estão num a espécie de prisão em que a inform ação não é controlada nem lim itada. É este o paradoxo: a separação e o m uro com Israel de um lado, e de outro o pleno e total acesso aos m eios de com unicação. E ninguém m ais pode deter essa liberação das im agens no m undo árabe, agora sem nenhum m uro”.

Segundo um a pesquisa do Palestinian Central Bureau of Statistics, 75% dos palestinos de Gaza e da Cisj ordânia teriam a Al Jazeera com o principal fonte de inform ação. A segunda rede em im portância seria a Al Manar, a do Hezbolah, que frequentem ente m ostra os bom bardeios e as vítim as civis palestinas. Ao deixar a Faixa de Gaza, levo a im pressão absurda de um a guerra j am ais term inada na qual o Exército israelense passa o tem po destruindo, com bom bas financiadas pelos am ericanos, instalações palestinas financiadas pelos europeus.

Em Ram allah, o chefe do escritório da Al Jazeera cham a-se Walid al-Om ary. Verdadeira estrela na rede Al Jazeera, ele é tam bém um a estrela na Palestina. Graças a um a rede de j ornalistas que trabalham com o correspondentes oficiais (cerca de trinta) e de inúm eros correspondentes oficiosos, ele dispõe de inform ações m uito precisas sobre tudo que acontece nos territórios palestinos. Com um dos em pregos m ais perigosos do m undo, esse árabe-israelense, nascido em Israel, perto de Nazaré, e que estudou na Universidade de Tel Aviv, nunca se separa de seus três telefones celulares (um núm ero palestino usado sobretudo para seus contatos nos territórios ocupados, um núm ero israelense e um núm ero internacional). Ele deve sua popularidade à cobertura da segunda Intifada na Palestina a partir de setem bro de 2000 (visita de Ariel Sharon à Esplanada das Mesquitas) e, m ais recentem ente, à guerra de Gaza (2008-9), onde dispunha de seis repórteres em cam po, enquanto a CNN, a ABC, a CBS e a BBC não tinham nenhum , em decorrência das restrições im postas pelo Exército israelense aos m eios de com unicação. Com isto, a Al Jazeera se m anteve “live” durante 22 dias, relatando a situação em Gaza. Não pude encontrar Walid al-Om ary ao visitar a Palestina, m as m uitos m e falaram dele. Com suas reportagens, ele garantiu a existência da resistência palestina no cotidiano, em im agens, tornando-a globalizada e m ainstream , para todo o m undo árabe.

Ao m esm o tem po, Walid al-Om ary denunciou m uitas vezes, com o Am ira Hass, os desm andos da Autoridade Palestina, o que lhe valeu duras am eaças da parte do regim e no poder em Ram allah. Sendo um árabe-israelense (e portanto m unido por Israel de um a credencial de im prensa que lhe perm ite atravessar os checkpoints nos territórios ocupados), ele pode verificar os fatos de que tom a conhecim ento j unto às autoridades israelenses e a seus colegas j ornalistas j udeus, com base no princípio am ericano do “fact-checking”, o que o tornou respeitado por sua deontologia, inclusive em Israel. “Walid é um grande j ornalista. É m uito equilibrado, m uito sério, um m odelo”, afirm a o apresentador estrela da Al Jazeera, Moham ed Krichen, entrevistado em Doha. Por sua vez, a palestina Dim a Khatib, que dirige o escritório da Al Jazeera em Caracas, é m ais explícita ainda: “Walid é um gigante, um fenôm eno. Representa sozinho a nossa escola de j ornalism o. Ele enfrenta problem as com todo m undo, m as todo m undo fala com ele. Representa as vozes liberadas da Al Jazeera e da Palestina ao m esm o tem po: ele nos m ostrou a Palestina que nós não conhecíam os. E tam bém a m ostrou ao m undo”.

Durante o dia passado com Am ira Hass na Cisj ordânia, entram os em várias colônias j udaicas — os acam pam entos de pioneiros israelenses, com o na época dos prim eiros kibutz, que plantam oliveiras, eucaliptos e tom ates no deserto. Um a bandeira israelense trem ula ao vento no settlem ent (tam bém se diz outpost). Um a grua Caterpillar. Som os recebidos por um colono j udeu, com m ãos pesadas de trabalhador. Vários ventiladores fazem um ruído constante em seu escritório de capataz, e há um a estação de rádio ligada ao Exército israelense. Ouvindo o colono, fico com a im pressão de estar no Colorado com religiosos evangélicos am ericanos, com o acréscim o de um a m entalidade de sitiante-sitiado. Entretanto, ao contrário do que se poderia im aginar, Am ira Hass tem relações bastante boas com os colonos, e esse que nos recebe é inclusive um dos seus inform antes. Anônim o.

Ao voltar a Jerusalém , vej o j ovens palestinos pulando o “Muro”. Se forem vistos pelo Exército israelense, serão m ortos. “Eles pulam porque senão teriam de percorrer vários quilôm etros para passar por um checkpoint. Acontece que o m uro separa bairros da m esm a aldeia, e às vezes até passa entre as casas da m esm a fam ília”, diz-m e Am ira Hass.

À noite, nas ruas da velha cidade de Jerusalém , ouço um trecho de m úsica árabe que m e m arcou na Cisj ordânia, m as cuj o nom e não sei. Nas pequenas m ercearias, nas loj as de roupas, todo m undo parece ouvir essa m úsica envolvente transm itida em alto volum e pelas caixas de som presas nas m arquises. A m úsica ressoa pelas ruas pavim entadas de Jerusalém , com o ressoava em Ram allah, em Belém , em Hebron, em Gaza.

Peço a um dos com erciantes, Hazem , um palestino de Jericó, que identifique a m úsica para m im . Por alguns shekels, ele m e vende o CD que ouvi em toda parte e que involuntariam ente passei a apreciar. O encarte está escrito em árabe. Eu ficaria sabendo depois que se trata do m ais recente álbum de Am r Diab, distribuído pela produtora de discos Rotana. A revolução que a Al Jazeera conseguiu em preender na inform ação no m undo árabe está sendo em preendida no m undo do entretenim ento pela Rotana.