Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas
A guerra entre o J-Pop e o K-Pop
Para esse grande “retorno à Ásia”, o Japão tinha de preparar um a boa estratégia. A guerra de conteúdos foi lançada com o artifício de dar vida novam ente a um a cultura pan-asiática — subentendido: “j aponizante”. E atualm ente ela é travada no setor dos form atos de televisão, das séries e “idols”, as estrelas da m úsica disputadas entre j aponeses e coreanos.
A guerra entre o J-Pop e o K-Pop Yoy o é a em presária do grande roqueiro
chinês Cui Jian. Estam os tom ando chá num hotel de Beij ing. Jian vendeu 50 m ilhões de álbuns em todo o m undo (tem um contrato com a EMI, a m aj or britânica). Yoy o m e explica de que m aneira Cui Jian tornou-se célebre na China, apesar da censura. “Antes dele, os cantores chineses faziam m úsica de propaganda. Eram m arcados pelo folclore e cantavam em play back. Cui Jian fazia rock, falava dos problem as da sociedade chinesa e cantava ao vivo num palco.” Depois de um período de proibição, por ter se apresentado num concerto na Praça Tian’anm en “a pedido dos estudantes” (esclarece ela), Cui Jian voltou às boas graças. As autoridades o toleram porque ele nunca ultrapassa os lim ites: o sucesso popular, que é im enso, o protege, tanto m ais que seus ataques ao sistem a m usical chinês (especialm ente seu com bate ao play back) se m antêm num nível com edido. Suas letras, previam ente subm etidas ao departam ento de censura, com o acontece com todos os artistas chineses, j á não apresentam problem as. E por sinal j am ais lhe passaria pela cabeça, com o fez a banda britânica Radiohead, desfraldar um a bandeira tibetana no palco, nem , com o a cantora islandesa Bj örk, gritar “Tibete, Tibete” no fim de um de seus concertos em Xangai. Bem -com portado, Cui Jian apresentou-se na prim eira parte do show dos Rolling Stones na China, ao passo que as bandas R.E.M, U2 e Oasis estão proibidas de entrar na China por causa de suas declarações em favor do Dalai Lam a. “Ao contrário do cinem a, a m úsica não é um setor estratégico para o governo chinês, sendo portanto m uito m enos regulam entada”, explica Yoy o. “E se o rock, sobretudo o alternativo, às vezes se torna alvo da censura, o pop m andarim não é m uito visado, de tão inofensivo. Com o, aliás, os adolescentes inocentes e m eio sem noção que form am as boy bands. Esse pop m ainstream não preocupa Beij ing. O que explica sua dissem inação e seu sucesso.”
Apesar de cantada em cantonês ou m andarim , a m úsica pop ouvida na China não é necessariam ente chinesa. Muitas vezes é im portada, em bora os chineses não o saibam . Para ter um a ideia da influência do “pop” transasiático na China, basta visitar um a das m ilhares de loj as de CDs e DVDs de Beij ing, Xangai ou Hong Kong. Muitas vezes os álbuns são vendidos aos m ilhões de exem plares, em bora as estatísticas de vendas sej am ainda m aiores, considerando-se a generalização das cópias piratas, im possíveis de distinguir dos álbuns originais. Quase sem pre, os chineses não sabem que esses discos, em m uitos casos piratas, foram produzidos em fábricas do sul da China a partir de canções gravadas fora do país.
O “canto-pop” de Hong Kong (em cantonês) e o pop em m andarim (erroneam ente cham ado de “continental”) é que constituem o essencial da m úsica popular dos j ovens chineses. Nos dois casos, esse pop de origem estrangeira foi form atado para o público chinês em Hong Kong ou Taiwan, autênticas plataform as de circulação da m úsica popular chinesa. Nesses dois territórios os artistas têm m ais liberdade, a diversidade étnica é m aior, as produtoras de discos, m ais confiáveis (contando com o apoio de bancos internacionais e das agências de talentos am ericanas) e o copy right (um pouco) m ais protegido. “É tam bém por Hong Kong e Taiwan que as m úsicas asiáticas entram na China. O que se aplica particularm ente ao im portante pop j aponês, geralm ente retrabalhado, traduzido para o m andarim , reem pacotado e redistribuído na China continental. Trata-se de cover songs”, explica-m e Yoy o.
“Cover songs”! É assim que o J-Pop, o K-Pop e o canto-pop são difundidos na Ásia e na China. É o caso da voluptuosa Jolin, por exem plo, que retom a sucessos am ericanos, m anipulando-os, e os grava, usando um sotaque “continental” m andarim , nos estúdios de Taiwan para o público chinês.
É tam bém o caso de BoA, a superestrela sul-coreana que canta em coreano para o público coreano, em j aponês para os j ovens de Tóquio (ela é bilíngue), em inglês para os de Cingapura e Hong Kong, e que aprendeu a cantar em m andarim para agradar à j uventude de Taipé. A partir de Taiwan, seus discos são distribuídos na China, onde ela é um a estrela, de Xangai a Shenzhen. Espécie de Janet Jackson asiática, BoA tam bém faz enorm e sucesso nos Estados Unidos desde 2008, especialm ente j unto às com unidades asiáticas (13 m ilhões de asiáticos vivem nos EUA). Para seduzi-los, ela transform ou sua im agem de teenager sexy e “kawai” (fofa), tornando-se m ais m adura e m ais fem inista. Na versão internacional de seus álbuns, BoA regrava canções em inglês e em m andarim (com o seu grande sucesso “Girls On Top”, em seu quinto álbum em coreano). BoA é atualm ente um a das m aiores cantoras transasiáticas, e ninguém parece achar estranho que um a coreana, bilíngue em j aponês, com ece de repente a cantar em m andarim . Pelo contrário, os chineses acham “cool”.
Melhor ainda, tem os Super Junior: um grupo de 13 rapazes coreanos que apresentam a particularidade de terem sido escolhidos pela gravadora para penetrar em todos os m ercados asiáticos ao m esm o tem po. Cada um deles, todos j ovens e atraentes, com seus longos cabelos à coreana, canta em várias línguas. O grupo, assim , divide-se em “unidades” m enores, para se adaptar aos países onde se apresenta: na China, a unidade chinesa “Super Junior M” canta em m andarim ; no Japão, a “Super Junior J” faz seus concertos em j aponês; na Coreia, é a unidade “Super Junior K” que sobe ao palco. Com essas diferentes com binações, o grupo pode se apresentar em praticam ente qualquer lugar da Ásia num a língua nacional entendida pelo público.
Existem outros exem plos, com o as boy bands MAP (cinco rapazes j aponeses que ficaram fam osos através do Channel V, o canal pan-asiático), U2K (dois j aponeses e um sul-coreano), TVXQ! (cinco rapazes coreanos cantando em m andarim e que são estrelas no Japão), Dream s Com e True (um trio de Taiwan difundido pela Sony ) e HOT (grupo coreano que canta em j aponês e chinês). Os grupos de m oças não ficam para trás: é o caso, por exem plo, de Girls’ Generation (Coreia), SES (trio coreano, com um a coreana, um a j aponesa e um a am ericana) e Perfum e (Japão). Alguns cantores isolados tam bém adotaram esse form ato cam aleão: Rain, um j ovem coreano, transform ou-se num a espécie de Michael Jackson asiático, com seus álbuns feitos especialm ente para os j aponeses; Dick Lee é um a estrela de Cingapura que canta há m uito tem po em inglês e m andarim ; Stefanie Sun é outra cantora de Cingapura que canta em m andarim e vários dialetos chineses, o que lhe abriu os m ercados chineses de Taiwan e da China continental; finalm ente, Jay Chou é um célebre cantor de Taiwan contratado pela Sony e ator do film e A maldição da flor dourada, de Zhang Yim ou, que canta em m andarim e se veste de caubói para agradar a toda a Ásia.
Muitas vezes, esses cantores retom am canções anglo-saxônicas fam osas, com o o grande sucesso “YMCA”, do Village People, as quais, cantadas em m andarim ou cantonês, alcançam enorm e sucesso local. O público chinês se entusiasm a com esses hits, os quais, travestidos em m andarim , ficam parecendo nacionais; ninguém sabe realm ente que são produzidos pelos j aponeses, os coreanos ou em Taiwan (às vezes pelos j aponeses de Taiwan, através do selo Sony Music Taiwan). Desse m odo, através de todo um j ogo linguístico, a globalização cultural se desenvolve por um duplo filtro: a m úsica am ericana é recuperada pelos j aponeses ou os coreanos para ser em seguida regravada por um a boy band ou um “idol” em m andarim .
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O grupo que produz BoA, Super Junior, HOT, SES e TVXQ! na Coreia cham a-se SM Entertainm ent (sem relação com o sadom asoquism o). Lee Soo-Man, o diretor-presidente da SM, recebe-m e em Seul: A estratégia de nosso grupo é construída em torno da língua. Nós fabricam os boy bands a partir de castings, escolhendo rapazes que falam diferentes línguas, com o no caso dos m em bros do Super Junior, todos de nacionalidades diferentes. Em certos casos, eles são encam inhados para cursos de línguas, com o aconteceu com a cantora BoA: assim que a contratam os, quando ela tinha 11 anos, ela com eçou a aprender j aponês, inglês e depois m andarim . Em geral, nossas boy bands são capazes de cantar em quatro línguas, coreano, inglês, j aponês e m andarim — e às vezes m ais. Depois, organizam os um a intensa cam panha de m arketing, com a particularidade de ser com pletam ente local: prom oção, produtos, program as de televisão, tudo é integralm ente form atado em nível local. Finalm ente, nossos artistas são “m ulti-purpose stars”, o que significa que são treinados para cantar, dançar, representar nas séries de televisão e atuar com o m odelos. São m uito polivalentes. E foi com essa receita específica que lançam os a m oda das boy bands coreanas.
Com o tantas vezes acontece no K-Pop e no J-Pop, a m aioria das estrelas da SM Entertainm ent são “idols” (em j aponês, aidoru): foram recrutadas em idade m uito precoce, não raro entre 11 e 15 anos, tanto pelo físico quanto pela voz. “A beleza é um dos valores que m elhor se deslocam de um a m ídia para outra e de um país para outro na Ásia”, confirm a , sem ironia, Lee Soo-Man.
Outros grupos adotam lógicas cross-m edia equivalentes, a com eçar pela Sony, que tem seu quartel-general para a Ásia em Hong Kong (esse escritório pan-asiático está diretam ente subordinado à Sony nos Estados Unidos, com a exceção do Japão, acom panhado diretam ente por Tóquio). Na Ásia, região da culinária fusion, descubro tam bém a fusion nas m ídias e línguas. “Localização” e “m edia fusion”: eis a dupla e sofisticada estratégia das produtoras de discos j aponesas e coreanas para atingir o público asiático em geral. E eu tam bém haveria de constatar que o m esm o procedim ento se aplica às séries de televisão.
“Glocalização”: desde a década de 1990, ouvi m uitas vezes esta palavra, contração de “global localization”. Na verdade, sem pre desconfiei um pouco desse tipo de conceito supostam ente em presarial, cuj os sím bolos são os McFelafels da McDonald’s no Egito, o McLuks de salm ão na Finlândia e o McHuevos, com ovo, no Uruguai. Mas agora eu estava na Ásia, avaliando, com BoA e Super Junior, a dim ensão local e regional da m úsica pop. Ao contrário do cinem a, no qual são raras as trocas regionais, a m úsica está um passo adiante.
O que os j aponeses e os coreanos entenderam perfeitam ente, com pragm atism o, na hora de exportar sua m úsica e suas séries de televisão para a China e toda a Ásia, foi que não podiam im por um produto padronizado nem se preocupar em defender sua língua. Estratégia ainda m ais sutil que a dos am ericanos. Assim foi que eles inventaram a cultura sushi, m ais “glocalizada” ainda que a cultura McDonald’s: um produto com plexo, aleatório e j am ais idêntico, m as que lem bra Japão, qualquer que sej a a língua falada localm ente. Essa técnica de “relocalização” opera através das “cover songs”, artifício eficiente e fenôm eno m ais dissem inado do que eu supunha. Vam os encontrar a m esm a receita com o sucesso de diferenciação do Channel V (o canal m usical do grupo Star TV baseado em Hong Kong) em relação ao am ericanizado MTV Asia (baseado em Cingapura). Muito ativo nos terrenos do J-Pop, do K-Pop e da m úsica em m andarim form atada em Taiwan, o Channel V instalou seus estúdios em Taiwan, onde se fala m andarim , j ustam ente, e com eçou a produzir conteúdos locais, pan-asiáticos e m enos am ericanos. Graças a essa “asianidade”, o canal de Murdoch passou a levar a m elhor sobre o concorrente do grupo Viacom . Em seguida, o MTV Asia corrigiu o tiro, graças sobretudo ao program a prim e tim e “JK Hits”, difundindo hits do J-Pop e do K-Pop. Em Cingapura, o AXN, canal m usical da Sony, tam bém se inscreve nessa dinâm ica.
Na brincadeira de gato e rato, os coreanos passaram a prom over seus artistas de K-Pop em j aponês no Japão, assim adquirindo vantagem sobre os j aponeses, que inicialm ente não queriam ceder na questão da língua: com isso, o J-Pop quase acabou sofrendo as consequências. Mas os j aponeses voltaram a se aprum ar com suas próprias arm as. Concursos de “idols”, séries de televisão, telefonia celular, vídeo gam es e, m ais um a vez, os m angás.
“Asia Bagus!” (A Ásia é form idável) foi a prim eira reação j aponesa: um concurso de idols concebido pela televisão j aponesa Fuj i TV, film ado em Cingapura (para conferir um toque m ais transasiático) e prom ovido sim ultaneam ente na Coreia do Sul e em um a dezena de países do Sudeste asiático, para reconquistar esses m ercados. A Sony Music Japan form atou um program a sem elhante, “A Voz da Ásia”, para encontrar a nova pop-star pan-asiática, o que lhe perm itiu por exem plo descobrir a cantora filipina Maribeth, que desde então se transform ou num a estrela na Indonésia, graças ao m arketing j aponês. Quanto às agências de talentos j aponesas, Am use e HoriPro Entertainm ent Group, tam bém se desdobraram em concursos na China, para descobrir a futura estrela em m andarim entre dezenas de m ilhares de candidatos. À sua m aneira, os j aponeses funcionam na Ásia exatam ente com o os am ericanos no resto do m undo. Melhor ainda, representam um a espécie de filtro que traduz a cultura “ocidental” para a Ásia. Se se saíram m uito m elhor que os Estados Unidos, especialm ente na China, foi por se terem concentrado nos setores dos j ogos e da m úsica, m uito m enos sensíveis politicam ente que o do cinem a. Com isso, a cultura j aponesa acaba perdendo m uito de sua j aponidade.
Outra estratégia de difusão do J-Pop: os dram as. A m úsica j aponesa foi associada aos conteúdos das séries de televisão de sucesso: tal com o na Índia, com os “songs & dances” dos film es de Bolly wood, a onipresença das boy bands nos dram as j aponeses perm itiu tornar as canções conhecidas nos países da Ásia à m edida que as séries eram transm itidas. Finalm ente, os j aponeses fizeram m elhor ainda com as tecnologias. O J-Pop invadiu os telefones celulares, especialm ente graças aos Ring Back Tones, sinais de espera dos celulares (não confundir com as cam painhas propriam ente ditas): em vez ouvir a cam painha, a pessoa ouve um trecho de um a canção de J-Pop. Para não falar do m uito apreciado Color Call Tone, trecho de J-Pop ouvido com o fundo sonoro durante a conversa. Já as capas dos álbuns são transform adas em fundo de tela dos celulares. Essas invenções j aponesas, j á agora tam bém coreanas, causam sensação na Coreia, na Indonésia, em Taiwan e praticam ente por toda um a Ásia que voltou a ser j aponizante.
Em qualquer dos casos cham a a atenção o fato de que a m úsica na Ásia é nacional ou transasiática, m as em geral m uito pouco am ericana: no Japão, estim a-se que a m úsica j aponesa responda por 80% das vendas, contra 20% para a m úsica anglo-saxônica; na Coreia, o K-Pop representaria 80% do m ercado nacional; em Hong Kong, o “canto-pop” atingiu 70% das vendas, e a m úsica asiática nacional tam bém é dom inante na Indonésia. É possível que a realidade da m úsica “ouvida”, e não só “com prada”, sej a um pouco m ais favorável aos am ericanos, em virtude do m ercado negro, do download ilegal e da televisão, m as não em proporções fundam entalm ente diferentes. Pois o fato é que a pirataria tam bém afeta o J-Pop e o K-Pop, e não apenas os produtos am ericanos. Na China, na Indonésia e nos países m ais pobres do Sudeste asiático, com o o Vietnã, os CDs e DVDs piratas perm item às séries coreanas, ao J-Pop, com o aos film es am ericanos, um a difusão m ais am pla do que a tolerada pelo m ercado oficial.
Mas existe um a exceção: Cingapura. Na cidade-Estado, a m úsica anglo-saxônica dom ina, com 80% das vendas. E no entanto, entrevistando-se os dirigentes das indústrias criativas da cidade, constatam os que o debate sobre a identidade cultural am eaçada não existe, em bora pareça tão essencial na China, no Japão e até na Coreia do Sul. Os habitantes de Cingapura, país m ulticulturalista e extrem am ente com unitarista, im portam sem problem as todos os conteúdos sem sequer se dar ao trabalho de adaptá-los. Não há filtro, com o no Japão, nem censura antiocidental, com o na China, nem fusão, com o na Tailândia: em Cingapura, onde em m uitos casos se fala m andarim e inglês, os braços estão abertos aos produtos culturais am ericanos, às vezes em detrim ento dos produtos asiáticos (os povos do Sudeste asiático gostam de ir a Cingapura com o turistas para ter a sensação de estarem “no Ocidente”). É um país m uito diversificado, um a Ásia em m iniatura, a tal ponto que, ao desem barcar em Cingapura, fiquei pensando que de algum a form a era um a espécie de “Ásia para iniciantes”. E no entanto a cidade-Estado é a própria quintessência de um a form a de m odernização que não é nem ocidentalização nem am ericanização, m as um a espécie de cingapurização, na qual cada cultura de cada m inoria é valorizada. Depois de terem inventado, segundo dizem eles próprios, o “capitalism o à asiática”, hoj e em dia convencidos de que os valores da Ásia são superiores aos do “Oeste”, os habitantes de Cingapura talvez estej am com eçando a im aginar um a nova cultura transasiática. Se a hipótese se confirm ar, é provável que se volte m enos para produtos e conteúdos do que para serviços e, com o em Hong Kong ou Taiwan, que busque todas as form as possíveis de aproxim ação com Beij ing. Pois a população de Cingapura tam bém é chinesa.
No cinem a, com o na m úsica, os am ericanos não ganham m ais todas na Ásia. Ficou para trás o tem po — a década de 1950 — em que eram aclam ados pelos asiáticos, por terem inventado o forno elétrico para arroz, sím bolo do “Am erican way of life” que chegava à Ásia. De tanto insistirem em difundir m undo afora conteúdos m ainstream idênticos, em inglês, os dirigentes am ericanos não tiveram a sutileza dos coreanos, dos taiwaneses, dos cingapurianos e dos honcongueses, os quais, para tornar seus produtos culturais m ainstream , aceitaram apagar sua singularidade nacional e sua língua. E nesses fluxos culturais interasiáticos, conseguiram se sair bem apesar de perderem — lost in translation — sua identidade.
Restam os “dram as”, com o são conhecidas as séries de televisão na Ásia. Um a outra batalha cultural com eça, m ais um a vez diferente do cinem a e da m úsica. O m ainstream tem regras que m udam de acordo com os continentes e os setores. E dessa vez a guerra não é regional, m as planetária.