Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas

Frédéric Martel · Capítulo 66 de 67

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Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas

Glossário

G lossário A bem da clareza, este glossário oferece uma definição

das principais palavras e expressões utilizadas, especialmente as que não têm equivalência em português ou são de difícil tradução.

A&R (artist & repertoire). Responsável ou diretor artístico de um a

gravadora de discos (incum bido ao m esm o tem po do artista e do repertório).

A&R person, A&R department ou A&R director.

Above the line. Despesas incluídas nos contratos de atores e artistas,

geralm ente negociadas pelos agentes.

Aidoru. “Ídolo” em j aponês. Muitas vezes um a j ovem estrela de boy

bands.

Anime, animé. Palavra j aponesa derivava do inglês que designa ao

m esm o tem po os desenhos anim ados e séries de anim ação, m uitas vezes

adaptados de m angás.

Assets. Ativos. O valor de um a em presa. No caso dos ativos disponíveis,

em prega-se current assets, e no dos inativos, fixed assets.

B2B, B2C (business to business ou business to consumer). Com ércio entre

em presas ou com particulares.

Back office. Funções de apoio num a em presa, serviços gerais, tais com o

secretaria adm inistrativa e j urídica, recursos hum anos etc.

Balance sheet. Balanço de contabilidade. Não confundir com income

statement, que é o balanço dos resultados, ou bank balances, que é o caixa.

Benchmark. Ponto ou índice de referência, com parativo. Bible belt. Faixa dos estados am ericanos do Sul, especialm ente Carolina

do Sul, Georgia, Tennessee, Arkansas, Alabam a e Mississippi (form ando

um a espécie de “cinturão”), nos quais é forte a prática religiosa.

Big-box retailers. Grandes loj as situadas nos estacionam entos dos

shopping-m alls, geralm ente funcionando com o franquias (Wal-Mart, Barnes

& Noble, Hom e Depot...).

Blockbuster. Na linguagem m ilitar, era um a bom ba para destruir os

abrigos antiaéreos, ou blockhaus. Por extensão, rem ete a um film e (a

expressão foi usada pela prim eira vez em 1951, no sem anário Variety, a

propósito do film e Quo Vadis) ou um a exposição de grande sucesso, um livro

best-seller ou até um m edicam ento vendido em quantidades m aciças.

Blurb. Curto elogio solicitado antecipadam ente a um a personalidade ou

crítico para aj udar a vender um film e ou um livro.

Board. Conselho de adm inistração. Bottom line. Literalm ente, “a linha de baixo”, ou sej a, o lucro líquido. Bottom-up. Diz-se de um a cultura, um a ação ou um a política que surge da

base e evolui para o alto da sociedade. O contrário de um a ação

centralizada, dita “top-down” (do alto para baixo).

Box-office. Bilheteria, tanto no cinem a quanto nos espetáculos ao vivo.

Break (to). Expressão da indústria m usical que rem ete à descoberta de

um artista para torná-lo célebre, fazê-lo acontecer. Diz-se tam bém “to break

in”, “to break into” (um novo m ercado), “to hit it” ou, quando se tem

sucesso, “to make it”.

BRIC. Acrônim o de Brasil, Rússia, Índia e China: os principais países

em ergentes. Alguns econom istas contestam esta classificação, considerando

que o caso da Rússia é diferente e que outros países, com o o México, a

Coreia do Sul, a África do Sul e a Indonésia, tam bém são em ergentes.

Broadband ou Broadband internet access. Acesso em banda larga, sej a

em ADSL, Internet por satélite ou sobretudo por cabo.

Cash flow. Fluxo de caixa.

CEO (Chief Executive Officer). Diretor-presidente. CFO (Chief Financial Officer). Diretor financeiro. Chairman. Geralm ente, o presidente do conselho de adm inistração, cargo

não executivo.

COO (Chief Operating Officer). Geralm ente, o núm ero dois depois do

CEO, incum bido da gestão operacional.

Conglomerate. Ver Media Conglomerate. Consumer Products Division. Departam ento de produtos derivados. Content. Literalm ente, “conteúdo”. Fala-se das “indústrias de conteúdo”,

as indústrias criativas.

Convergence. Term o frequente na década de 2000, rem etendo à

convergência de canais e conteúdos. Às vezes refere-se à convergência de

serviços e produtos (entre o iPod e o iTunes, por exem plo), entre diferentes

redes ou ainda à transm issão de conteúdos para os celulares.

Crossover. Do verbo “to cross over”, “atravessar cobrindo”, que poderia

ser traduzido com o “cruzam ento”. Por extensão: m istura de gêneros,

cruzam ento de estilos, cultura híbrida. Diz-se tam bém “crossing-over”.

Drama. Designação genérica das séries de televisão na Ásia. Dreambox. Dispositivo ilegalm ente conectado à Internet para decodificar

as televisões a cabo pagas, “gato”. Muito frequente na África, na Ásia e no

Oriente Médio.

Drive-in. Cinem a ao ar livre, geralm ente num estacionam ento, no qual se

pode assistir à proj eção sentado no carro. Diz-se tam bém ozoner.

DV (digital video). Por exem plo, câm era em DV, um a câm era digital. Edutainment. Mistura de educação e entretenim ento. Educação pelo

divertim ento ou divertim ento de vocação educativa.

Endowment. Capital (ou dotação) aplicado em investim entos financeiros,

com rendim entos anuais.

Entertainment. Divertim ento. Fala-se das “indústrias do entertainment”

para designar as indústrias de divertim ento.

E-tainment. Entretenim ento eletrônico em linha (on-line). Exurb exurbia. Segundo anel de subúrbios ao redor das grandes cidades, e,

de m aneira m ais genérica, os subúrbios distantes cuj os habitantes não

transitam m ais pelas cidades. Diz-se tam bém “edge city” e às vezes

“technopole”.

Feature film. Longa-m etragem (de m ais de um a hora). Para distinguir dos

“short films” (curtas-m etragens).

First look. Tipo de acordo vigente em Holly wood entre, por exem plo, um

estúdio e um produtor “independente”. O produtor é obrigado a propor todos

os seus proj etos ao estúdio, que pode aceitá-los ou não; em caso de recusa, o

produtor tem liberdade de oferecê-los a outros eventuais interessados.

Focus group. Técnica de pesquisa e m arketing que consiste em privilegiar

o qualitativo sobre o quantitativo para testar um painel de pessoas tom adas

com o alvo preferencial no caso de um produto, um film e ou um a canção.

Format. Muitas vezes, não é vendido um program a ou série de televisão:

vende-se um form ato que dá origem a um a outra produção. O form ato é

m ais que um a ideia, m as m enos que um produto acabado, em bora estej a

sob copy right.

Fundraising, fundraiser. Coleta de fundos, pessoa que coleta fundos,

especialm ente para filantropia ou cam panhas eleitorais.

Gatekeeper. Literalm ente “guardião”, a expressão é usada por um crítico,

em contexto cultural, no sentido de “interm ediário”, “laranj a”.

Gentrification. Em burguesam ento. Giveaways (tam bém goodies, products tie-in). Obj etos dados ou vendidos

no contexto de um a operação de m arketing: bolsas, cartazes, canecas etc.

Global media. Expressão significando que um conteúdo pode ser

veiculado em todos os suportes. (Ver tam bém : Versioning) Green light.

Expressão-chave na indústria do entretenim ento, para dar “sinal verde” a

um proj eto e autorizar sua produção.

Groove. Em m úsica, o sulco do disco. Por extensão: o ritm o. Hal-lyu. Em coreano, literalm ente, a nouvelle vague no cinem a e nas

séries de televisão do país.

Hardware. Os aparelhos, com o os com putadores ou os consoles de j ogos.

O software é o j ogo propriam ente dito, ou o program a de inform ática.

Hedge funds. Fundos de investim ento especulativos de gestão alternativa,

geralm ente não cotados na bolsa. Frequentes nas indústrias criativas,

perm item m aior diversificação em com paração com as carteiras

financeiras clássicas, por apresentarem resultados desvinculados do

desem penho dos m ercados.

High culture. Cultura erudita ou cultivada, cultura elitista (por oposição a

“low culture” ou cultura popular). Diz-se tam bém : highbrow culture.

Hip. Na m oda, em voga, atual. Sinônim os: trendy, cool. Imprint. Um a editora no contexto de um grupo m aior; selo. Indie. Independente.

Information Technology (IT). Expressão corrente para designar as

tecnologias da inform ação.

Infotainment. Com binação em inglês de inform ação e entretenim ento, ou

a arte de produzir notícias divertidas.

In-house. Pessoa ou operação situada no interior de um estúdio ou de um a

em presa, e não terceirizada. É o contrário de outsourcing.

Inner cities. O centro das cidades, m uitas vezes em decadência. Intellectual property (IP). Propriedade intelectual ou copy right. Information technology arts (IT Arts). Artes realizadas através ou com o

concurso de tecnologias de inform ação e com unicação.

Kawai. Bonitinho, engraçadinho, em j aponês. Fala-se de cultura kawai. Label (major label). Um a gravadora de discos identificada por seu nom e

próprio no contexto de um grupo. Por exem plo: Atlantic (Warner), Motown

(Universal), Blue Note (EMI).

LBO (Leveraged buyout). Aquisição de um a em presa, financiada por um

endividam ento. A holding assim constituída paga os j uros de sua dívida e a

salda graças aos dividendos da sociedade adquirida.

Low culture. Cultura popular (por oposição a “high culture” ou cultura

erudita). Diz-se tam bém : “lowbrow culture”.

Mainstream. Literalm ente, “dom inante” ou “grande público”. Diz-se por

exem plo de um produto cultural voltado para o público em geral.

“Mainstream culture” pode ter um a conotação positiva, no sentido de

“cultura para todos”, m as tam bém negativa, no sentido de “cultura

dom inante”.

Master of fine arts (MFA). Diplom a pedagógico pré-profissional nas

profissões artísticas.

Media conglomerate. Grupo de com unicação reunindo várias em presas e

atuando em diferentes indústrias no cenário internacional. Por exem plo:

Tim e Warner, Disney ou Sony. Diz-se tam bém conglomerate, parent

company ou às vezes major ou studio.

Middlebrow culture. Cultura que não é nem “high” (erudita) nem “low”

(popular), ficando entre as duas: um a espécie de cultura m édia, não raro

dizendo respeito à classe m édia.

Megaplex. Conj unto m ultiplex de cinem as com m ais de 16 salas. Mogul. Hom em de negócios poderoso, por exem plo o dirigente de um

estúdio.

Multiplex. Conj unto de cinem as com portando de duas a 16 salas. Acim a

disso, fala-se de megaplex.

Mousalsalet. Em árabe, novela de televisão. Rem ete m uitas vezes às

novelas do Ram adã.

Negative cost. No j argão de Holly wood, os custos de produção de um

film e. Vêm acom panhados dos “P& A” (prints and advertising), os custos

das cópias e do m arketing, configurando o custo total de um film e.

Non-profit. Sem fins lucrativos. “Non-profit sector”, “non-commercial” ou

“501c3” (organização sem fins lucrativos nos Estados Unidos).

Non-resident Indians (NRI). Indianos expatriados, especialm ente nos

Estados Unidos, na Europa ou no Oriente Médio.

Offshoring. Transferência das atividades e dos em pregos para o exterior

(m uitas vezes para um país em ergente onde a m ão de obra é m enos cara).

O offshoring pode ocorrer no interior de um a m esm a em presa, com a

abertura, por exem plo, de um a fábrica da m esm a sociedade na China, ou

em “offshore outsourcing”, através de um a outra em presa estrangeira.

Operating income (ou operating profit). O lucro líquido de um a em presa,

após dedução, de acordo com as práticas contábeis em vigor, de custos

adm inistrativos, desvalorizações, am ortizações. Em caso de dedução

igualm ente dos im postos que incidem sobre as em presas, fala-se de net

income ou net profit.

Outreach. “To reach out” significa alcançar ou estender o braço para

alguém . Por extensão, qualquer ação visando a participação do público.

Outsourcing. Terceirização ou subcontratação. Ação de confiar um a

atividade, cabível internam ente a um a em presa, a um a com panhia externa.

(Ver: Offshoring, quando a transferência se dá para o exterior.) Parent

company. Em presa-m ãe. Por exem plo, a Sony Corporation é a “parent

company” do estúdio Colum bia. A Colum bia é um a subsidiary, um a filial.

(Ver tam bém : Conglomerate ou Media conglomerate.) P&A. Iniciais de

publicity & advertisement, publicidade e propaganda. No cinem a, as

m esm as iniciais são usadas em referência a prints & advertising.

P&D. Iniciais de press & distribution, im prensa e distribuição. Tipo de

acordo geralm ente feito entre um a m aj or e um label independente,

consistindo em distribuir os produtos deste, contra percentual sobre as

vendas.

Pay-for-display. Sistem a que consiste em pagar m ais a um a rede de loj as

para expor m elhor os produtos.

Payola. Sistem a ilegal desenvolvido pelas m aj ors do disco a partir da

década de 1950, consistindo em pagar às rádios por baixo do pano para a

difusão dos discos. Jabá.

Pilot. Um piloto é um episódio-teste de um a série de televisão, m ostrado

às redes e aos program adores para convencê-los a com prar a série

com pleta. A expressão “film pilot” é usada no cinem a, e na indústria do disco

se em prega “demos”.

Pitch. Apresentação concisa da ideia de um film e a um a agência de

talentos, um produtor ou um estúdio, com vistas ao seu “desenvolvimento”.

O “pitch” será m elhor e m ais eficiente se puder ser resum ido num a sim ples

“catchphrase”, um a expressão de im pacto.

PR. Iniciais de public relations. “PR people” são as pessoas incum bidas da

com unicação e das relações com a im prensa nas m aj ors e nas em presas.

Private equity. Fundos de capital de risco ou investim ento em em presas

não cotadas na bolsa de valores.

Products tie-in, merchandise tie-in. Produtos derivados ou m erchandising.

(Nos Estados Unidos tam bém designados com o “schwag”, dizendo-se que

um film e é “toyetic” quando pode ser desdobrado em produtos derivados e

brinquedos.) Public company. Em presa cotada na bolsa.

Pure player. Em presa que se concentra em sua atividade principal, seu

“core business”. Expressão utilizada com frequência para designar um a

em presa 100% web: um a “pure player da Internet”.

Rating system. Código de classificação dos film es nos Estados Unidos, em

função do grau de violência ou sexualidade. Um film e “rated” é proibido

para m enores de 13 ou 17 anos.

R&D (research & development). Pesquisa e desenvolvim ento. Resort. Destino turístico. Fala-se de parks and resorts em referência aos

parques de atrações da Disney, abrangendo hotéis e restaurantes, e que são

lugares globais de entretenim ento.

Revenue, sales revenue. Volum e de negócios. Roster, artist roster. Na indústria m usical, catálogo de artistas para turnês. Sequel. Literalm ente, “seguim ento”, ou “continuação”. Por exem plo,

Homem-Aranha 1, Homem-Aranha 2, Shrek 3, etc. Tam bém se diz franchise.

Shopping-mall. Centro com ercial, hiperm ercado. O “strip-mall” é um a

zona com ercial ao longo de um a rodovia.

Showcase. Na m úsica, “to showcase” um artista significa apresentá-lo,

fazê-lo atuar para um teste.

Slush fund. Dinheiro pago pelos estúdios a um a produtora independente

para o “desenvolvim ento” inicial de um proj eto.

Smithee (Alan). Pseudônim o coletivo para um film e com o qual o diretor

não estej a satisfeito, m uitas vezes em virtude de im posições do estúdio.

Soft power. Poder suave, exercido especialm ente por influência ou

cultura, em oposição ao “hard power”, coercitivo ou m ilitar.

Software. Ferram entas, program as ou j ogos de um com putador ou

aparelho (sendo este o hardware).

Songs & dances. Canções e danças, características dos film es de

Bolly wood, na Índia.

Specialized unity. Em Holly wood, a unidade especializada de um estúdio

de cinem a que tem caráter “independente” (diz-se tam bém “arty division”

ou “subsidized division”). Por exem plo, a Focus Features na Universal.

Spin-off. Divisão de um a em presa principal em várias entidades. O m otivo

pode ser econôm ico, estratégico (reorientação para o cerne da atividade) ou

j urídico (em decorrência de norm as de preservação da concorrência). O

“spin-off” da Viacom deu origem a duas em presas, Viacom e CBS.

Sport utilities vehicle (SUV). Nom e genérico dos carros m uito grandes,

geralm ente 4 x 4, com o os m odelos da Cherokee, os Ford Explorer.

Subsidiary. Filial de um a em presa-m ãe (parent company). Por exem plo, a

Colum bia é um a subsidiária da Sony.

Suburb, suburbia. Literalm ente, “subúrbio”. A palavra m uitas vezes é

associada às zonas urbanas ricas ou de classes m édias, pois nos Estados

Unidos a pobreza e os guetos frequentem ente se situam no centro das

cidades (inner cities). É um subúrbio próxim o, em relação aos subúrbios

distantes (Ver: Exurb.) Syndication. Um program a de rádio ou televisão

produzido e transm itido por um a cadeia tam bém pode ser difundido, sob

licença, por um a outra.

Synergy. Sinergia. Econom ia de escala ou cross-promotion entre

diferentes em presas pertencentes a um m esm o grupo.

Talent agency, talent agent. Agência artística e agente. Telenovela. Série de televisão na Am érica Latina. Total net income. Lucro líquido. Diz-se tam bém “profit”. Trade publisher. Editores com erciais, em oposição às editoras

universitárias, que nos Estados Unidos não têm fins lucrativos.

Trendsetter. Diz-se de alguém ou algum a coisa que lança m oda, que

define a m oda que será adotada.

Versioning. Estratégia consistindo em veicular determ inado conteúdo em

diferentes suportes (o film e O Rei Leão torna-se um disco, um a com édia

m usical, um desfile etc.). (Ver tam bém : Global Media.) Vertical integration.

Integração vertical. Característica de um grupo de m ídia cuj as ações

abarcam todos os estágios da produção de conteúdos e, em certa m edida, de

sua distribuição.

White flight. Diz-se do m ovim ento inicial da população branca do centro

das cidades para os “suburbs” nas décadas de 1960 e 1970.

Word of mouth. Boca a boca.

Work for hire (WFH). Caráter específico do contrato de trabalho em

Holly wood, pelo qual um ator, um diretor ou um produtor é rem unerado em

troca da cessão de seus direitos autorais ao estúdio.