Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas

Frédéric Martel · Capítulo 37 de 67

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Mainstream: A guerra global das mídias e das culturas

A nova Bollywood.

Em vez de falar de lavagem de dinheiro, Khanna prefere voltar às canções. Sua fam a se deve às quatrocentas canções que com pôs para Bolly wood ao longo de trinta anos. E hoj e ele pretende estabelecer um a sinergia entre o cinem a e a m úsica em seu trabalho na Reliance. “A chave de tudo é o fato de o profissional ser ao m esm o tem po ator, dançarino e cantor em Bolly wood, precisando desses três talentos para fazer sucesso. Ou pelo m enos dos dois prim eiros...”, diz ele sem concluir a frase, dando a entender que os atores m uitas vezes são dublados em Bolly wood, cantando portanto com play back. Conta-m e tam bém que os indianos usam as canções de Bolly wood em casam entos, festas, enterros. Que se valem de citações dos film es na vida cotidiana. Que todo m undo, na m ais pobre e distante favela, sabe de cor as canções m ais conhecidas. Am it Khanna se orgulha de Bolly wood e do seu país.

Será que tem e a concorrência dos outros países em ergentes? Do Golfo? “Eles só têm dinheiro, não têm os talentos. Já nós tem os as duas coisas. Vam os conseguir.” E a China? Am it Khanna faz um a pausa. Hesita. “Estam os acom panhando o que acontece na China com m uita atenção.”

Ao longo de nossa conversa no café do hotel Sun-n-Sand, venho a entender então que, ao contrário do que parecia indicar o início de nossa conversa, o verdadeiro rival da Índia não são os Estados Unidos, com os quais a Reliance está construindo parcerias e um a cooperação de longo prazo, m as a China. Na verdade, os indianos precisam dos am ericanos para fazer contrapeso à China; e os Estados Unidos precisam da Índia para conseguir o que querem na Ásia, j á que fracassaram na China. Am it Khanna não m e descreveu claram ente essa nova geopolítica do entretenim ento, m as m e diz o quanto gosta do cinem a am ericano e o quanto prefere o caos indiano e Bolly wood à ordem chinesa e à rigidez da China Film . “A Índia é um a dem ocracia, a China, não. A Índia é um m ercado onde um estrangeiro pode investir livrem ente, a China, não. Não tem os m edo de ninguém . Os am ericanos são bem -vindos se quiserem investir aqui.” Não daria para ser m ais claro, na verdade. O que eu acabo de entender na praia de Mum bai, a Índia se aliando aos Estados Unidos contra a China, é o que se cham a em diplom acia de m udança de parceria.

A nova Bolly wood Deixo a praia de Juhu de riquixá, um desses triciclos

m otorizados pretos e am arelos que perm item circular com m ais rapidez em Mum bai. Sagar, o condutor turbinado que entendeu por m eus gestos que eu estava atrasado, passa em m eio aos carros a toda velocidade, vencendo o tráfego terrível, ao m esm o tem po que ouve a todo volum e um esplêndido sucesso de Bolly wood. No subcontinente indiano, o cinem a não é um a arte elitista, m as um a cultura popular de m assa.

Rum o a Santa Cruz, um bairro do centro de Mum bai. No sétim o andar de um prédio despido de adornos, tenho encontro m arcado com Ritesh Sidhawani, a nova sensação de Bolly wood. Ele acaba de produzir o film e Rock On!! (fazendo questão dos dois pontos de exclam ação), um a espécie de com édia m usical “j ukebox” voltada para os adolescentes e lem brando espetáculos da Broadway com o Rent e Movin’ Out.

“Os j ovens estão m udando a Índia. Os film es clássicos de Bolly wood, ao estilo ‘song & dances’, com canções e danças, precisam evoluir. Os j ovens são cada vez m ais educados, têm acesso à Internet, celular, veem a MTV, e nós precisam os m udar com eles.” Ritesh Sidhawani encarna j ustam ente essa “nova Bolly wood”, m ais experim ental, m ais rock, m ais disposta a correr riscos e visando um público m ais “urbano”. Com apenas 35 anos, de origem paquistanesa, é um dos j ovens produtores im portantes do cenário cinem atográfico local que aspira a se tornar global. O orçam ento de Rock on!! chega a 6,5 m ilhões de dólares, o que é considerável, em relação à m édia dos orçam entos em Bolly wood.

O aum ento dos orçam entos foi possibilitado pelo desenvolvim ento dos m ultiplexes nas grandes cidades, o que se traduz em forte aum ento do preço das entradas (200 rupias para ver um film e num m ultiplex, o equivalente a cerca de 3 euros, contra 10-40 rupias num a sala norm al, ou sej a, m enos de 50 centavos). Desse m odo, os film es voltados para o público urbano arrecadam m ais dinheiro; a nova Bolly wood procura atrair essa j uventude dourada com film es de ação e histórias m ais m odernas. Depois de m ais de 15 anos de televisão por satélite, com a liberalização da econom ia, o aum ento da em igração para o Ocidente, o acentuado núm ero de j ovens indianos estudando em universidades am ericanas e a generalização da Internet na Índia, as expectativas dos espectadores, especialm ente o público j ovem , urbano e educado, estão m udando — e Bolly wood tam bém precisa m udar.

“Não gosto m uito da palavra Bolly wood. Prefiro falar apenas da indústria cinem atográfica de Mum bai. Pois é de fato de um a indústria que estam os falando. E por sinal não tem os na Índia o m enor problem a de financiam ento, atualm ente é m uito fácil conseguir dinheiro”, constata Ritesh Sidhawani. A m utação econôm ica em curso em Bolly wood é inusitada: há pouco tem po, esse setor isolado e pouco valorizado, entregue à m áfia, baseava-se num a espécie de capitalism o dom éstico “filho de papai”, num regim e socializante pouco pródigo em verbas; os contratos eram verbais, os roteiros, im provisados no dia a dia, e o m arketing, entregue às próprias salas de cinem a. Hoj e, segundo m e confirm a Sidhawani, Bolly wood tornou-se um a indústria am ericanizada. Os produtores e diretores de m arketing se form aram em Los Angeles; a profissionalização do setor se generaliza, o orçam ento de m arketing de um film e foi m ultiplicado por dez, os investidores estrangeiros tornam -se indispensáveis e as agências de talentos, os advogados e os diretores financeiros im puseram ordem à contabilidade. Bolly wood com eça a aprender o significado das palavras Accountability, Pilot, Green Light, Pitch e Balance Sheet. Ao estilo am ericano.

Rock On!! tem com o alvo um m ercado m undial, inicialm ente indiano, depois inglês, australiano, sul-africano, o Golfo, o Paquistão e, naturalm ente, os Estados Unidos. “No exterior, nosso público é form ado sobretudo pelos indianos expatriados. Para eles, ir ao cinem a é buscar fantasia, sonho, tudo que lhes perm ita m anter-se ligados ao país.” Ritesh Sidhawani fala desarticuladam ente num pequeno escritório desordenado onde se vê um a pilha de publicações, entre elas várias edições indianas de Rolling Stone (a m atéria de capa do m ês fala j ustam ente do film e Rock On!!).

Será que ele acredita realm ente na possibilidade de penetrar no m ercado am ericano? Ritesh Sidhawani devolve a pergunta: Sim , não precisam os dos am ericanos para atingir os indianos que vivem nos Estados Unidos. Nós nos viram os sozinhos. Em com pensação, eles precisam de nós para alcançar o público indiano, pois seus film es não têm boa bilheteria aqui. Eles sabem que o cinem a indiano está se tornando global e querem estar presentes para conseguir ‘a piece of the pie’, m as por enquanto não estão conseguindo. Nem através da distribuição nem das coproduções locais.

Um a parte do bolo? Sem cotas, sem censura nem regras protecionistas, o cinem a indiano vai bem na Índia. Representa m ais de 90-95% da bilheteria, contentando-se os am ericanos com um a parte m uito pequena da “pie”, em torno de 5% (alguns dos m eus interlocutores, assim com o os dirigentes holly woodianos, afirm am que é m ais para 10%, m as é difícil conseguir estatísticas confiáveis na Índia). O fato é que essa resistência dos film es indianos, e antes de m ais nada de Bolly wood frente a Holly wood, não deixa de surpreender. Em term os de espectadores, a com paração chega a ser espantosa: 3,6 bilhões de entradas para assistir a film es indianos vendidas em todo o m undo, contra 2,6 bilhões no caso dos film es de Holly wood. Mas a vantagem para por aí: o total em dólares das bilheterias indianas — apenas 2 bilhões — é pouco significativo em com paração ao de Holly wood, em torno de 38 bilhões de dólares (dados de 2008). E um film e com o Piratas do Caribe representou sozinho, em 2006, a m etade de bilheteria m undial de todos os film es de Bolly wood.

Para dar o troco, os am ericanos adotaram um a nova estratégia: produzir film es indianos na Índia. A Warner, a Disney, a 20th Century Fox e a Colum bia j á estão em ação. Fui então entrevistar os dirigentes desses quatro estúdios na Índia, para entender seus obj etivos.

“Meu trabalho consiste em fazer seis film es indianos por ano. A estratégia dos estúdios am ericanos hoj e em dia é m undial. Não querem os m ais distribuir nossos film es na Índia, m as produzir todos os film es do m undo”, explica Uday Singh, o vice-presidente da Sony Pictures India, que supervisiona o setor de produção de film es da Colum bia. Eu estou m uito longe, no extrem o norte de Mum bai, num a região urbana conquistada a terrenos pantanosos, e na qual vão surgindo da terra prédios m odernos nos quais se pode ver por exem plo, com o no saguão onde m e encontro, um a falsa floresta de bam bus de plástico.

Aproxim adam ente quatrocentas pessoas, m uitas delas j ovens, trabalham aqui em seus “cubicles”, com com putadores Sony de últim a geração e telefones Blackberry — cenário que contrasta com a im ensa pobreza das favelas atravessadas para chegar a essa zona com ercial m eio perdida. “Os conteúdos locais são a única coisa que funciona”, insiste Uday Singh. “Nós fracassam os na distribuição dos film es am ericanos na Índia: precisam os produzir film es localm ente, se possível com um potencial m undial. É nosso único valor agregado: os indianos não sabem fazer film es globais. Dispom os dos recursos de m arketing e da rede de distribuição internacional para transform ar um sucesso nacional em sucesso m undial.”

Para atingir um m ercado único no m undo, no qual um blockbuster indiano gera 33 m ilhões de entradas em um a sem ana, Uday Singh m e explica que a Sony tentou de tudo com seus blockbusters am ericanos: dublou os film es em vinte línguas para tentar atingir todos os públicos de um país que tem 22 línguas oficiais e centenas de línguas regionais e dialetos (a Warner, por sua vez, dublou Batman — O cavaleiro das trevas em 14 línguas). Acrescentou canções em hindi em Casino Royale. Produziu vídeos com grupos de rock locais para lançar Hom em -Aranha e m ontou cinco cam panhas de m arketing diferentes em cinco línguas, entre elas o hindi, o tâm il e o telegu, para prom over o film e. De nada adiantou. Se Homem-Aranha teve um sucesso significativo na Índia (um a receita de 17 m ilhões de dólares, o que representa um a bilheteria histórica para Holly wood na Índia), estam os longe, aqui, do sucesso obtido no resto do m undo. “Os film es de Bolly wood são m uito diferentes, em sua concepção, em sua estrutura, dos film es am ericanos. E o público indiano espera que um film e tenha os habituais ‘songs and dances’. Essa m istura de tradição e m odernidade é que é tão difícil de com preender para os ocidentais”, conclui Uday Singh.

Alguns escritórios adiante, no m esm o com plexo, Kunal Dasgupta dirige a Sony Entertainm ent Network, braço audiovisual do grupo na Índia. “O fascinante, com os indianos, é que absorvem todas as culturas, m as no fim continuam sendo eles m esm os. Podem gostar das séries am ericanas, m as na hora de casar aceitam os casam entos arranj ados pela fam ília.” A Sony pretende portanto aum entar ainda m ais sua produção local, em bora o program a Indian Idol não passe de um a adaptação de American Idol. “Nossos conteúdos serão cada vez m ais locais e cada vez m enos am ericanos”, confirm a Kunal Dasgupta, trabalhando há 15 anos para a Sony.

O investim ento da Sony na Índia não deixa de ter segundas intenções. O cinem a e a televisão são um a m aneira de prom over a m arca e, a partir de um a im agem de glam our, vender aparelhos de televisão de tela plana, com putadores, telefones e câm eras digitais. “Na Índia, as pessoas acham que som os um canal de televisão que fabrica produtos eletrônicos!”, diverte-se Kunal Dasgupta, subordinado ao escritório da Sony em Los Angeles e não à sede m undial da Sony no Japão. O produtor Adity a Bhattacary a ironiza essa pretensão am ericana de conquistar o m ercado indiano: “Em núm ero de olhos, nós som os o m aior m ercado do m undo”, diz ele, apontando os próprios olhos com dois dedos. “Isso excita os am ericanos, sobretudo depois que fracassaram na China. Mas eles tam pouco conseguirão penetrar no m ercado indiano.”

Esse discurso é tam bém o de Navin Shah, o j ovem diretor-presidente do grupo m ultim ídia Percept, com quem m e encontro em Lower Parel, no extrem o sul de Mum bai. Precisei passar por duas horas de engarrafam ento para encontrá-lo, de tal m aneira Mum bai é um a cidade-m undo cuj o urbano não foi planej ado. Entre os dois pontos do percurso, tudo é caos, as favelas, num erosas, a coleta do lixo, inexistente, as calçadas, tão perigosas quanto as avenidas, são saturadas, a segurança alim entar e sanitária, m ais precária ainda, a água, estagnada. E por sinal, não é potável. Na com petição entre os dois grandes rivais que são a Índia e a China, aquela é m uito m ais pobre que esta, e m uito m ais caótica. Mas a Índia tem um a vantagem : é um país j ovem , um a dem ocracia, e quer m udar.

“Nós querem os construir a nova Bolly wood”, diz-m e Navin Shah. Aos 35 anos, ele j á produziu 45 film es para Bolly wood. Estou diante do j ovem diretor-presidente de um a j ovem em presa, num país j ovem — é o que prim eiro cham a a atenção de um pesquisador que vem da “velha Europa”, onde o diretor-presidente de um grupo dessa im portância (a Percept tem dois m il assalariados) teria necessariam ente m ais de 50 anos. Na China, seria um velho funcionário do partido com unista.

“A nova Bolly wood precisa de novas histórias, de roteiros m elhores, de um verdadeiro story telling, de atores m ais j ovens. Está fora de questão abandonar as ‘songs & dances’, que são a assinatura de Bolly wood, m as precisam os rej uvenescer os film es, pois o público está m udando. Os film es precisam ser um pouco m enos previsíveis, m as o happy end continua sendo obrigatório.” E sobretudo, Navin Shah acredita na tecnologia, setor em que os indianos se adiantaram a outros países em ergentes, e é graças a ela que o cinem a indiano pretende progredir. “A Índia é um país tão orgulhoso do seu avanço tecnológico

que aqui as pessoas acham que ‘IT’ * significa ‘Indian Technologies’”, diz ele com hum or.

Navin Shah m ostra-m e um docum ento dando conta da atual bilheteria na Índia: “Grosso m odo, o dinheiro vem agora dos m ultiplexes e do setor internacional, e não m ais dos cinem as ‘one-screen’ que existem em nossas seiscentas m il aldeias. Esses cinem as são m uito num erosos, m as não rendem m ais nada. Nosso único obj etivo, portanto, é o indiano urbano que frequenta um m ultiplex”. Navin Shah se expressa num inglês perfeito, e eu o cum prim ento por isso. Ele se m ostra orgulhoso. Na Índia, a língua oficial no m eio do cinem a é o inglês, e até os indianos falam inglês entre si — ou pelo m enos um a espécie de “hinglish”, m istura de inglês e hindi. Com ento com ele que no Japão e na China até no setor do entretenim ento os dirigentes que falam inglês são raros. Percebo que seu orgulho aum enta m ais um pouco. Em seguida, lúcido, Navin Shah acrescenta, m eio enigm ático: “Bolly wood é hoj e um a indústria dirigida por pessoas que falam inglês entre si, m as que fazem film es em hindi. É isso a nova Bolly wood — e aí é que está o problem a”.

Na Star India, em Nova Déli, o discurso é um pouco diferente — e não sem m otivo. A Star India pertence ao grupo pan-asiático Star, que tem sua sede em Hong Kong, m as cuj a m atriz, a News Corp de Rupert Murdoch, fica nos Estados Unidos. Parul Sharm a recebe-m e na sede da Star India em Nova Déli. “Na verdade, os am ericanos estão cada vez m ais presentes na Índia, e têm cada vez m ais êxito: a questão é apenas encontrar a boa estratégia.” E qual seria essa estratégia? “Localized contents”, responde Parul Sharm a sem hesitar. “Nossos conteúdos devem ser 100% locais: form atos am ericanos que sej am ‘indianizados’ ou então program as inteiram ente form atados para a Índia.” Segundo ele, que significa essa “indianização”? “Nós precisam os defender os valores indianos nos nossos conteúdos: o indiano tem obrigações para com a fam ília, o casam ento é um tem a sensível, podendo ser arranj ado, nunca se deve falar de sexo nem usar palavras vulgares na presença dos pais, não se pode m ostrar beij os nem fazer qualquer insinuação sexual, o código de vestuário frente à fam ília não pode ser ocidental, o respeito aos anim ais é sagrado, não se com e carne de boi, tudo é m uito ‘fam ily -oriented’.” Vários interlocutores m eus na Índia descreveram um lento processo de transform ação desses valores, e eu m e pergunto de que m aneira isso pode afetar os conteúdos. Parul Sharm a: Sim , a Índia está m udando, m as não necessariam ente com o os ocidentais gostariam . Os j ovens indianos são os agentes dessa m udança. Num a série de televisão, é possível hoj e em dia ver casam entos por am or, e não apenas casam entos arranj ados, existem divórcios, vidas duplas, as pessoas se vestem à m aneira ocidental e acontece até de aparecerem gay s nas séries. Mas as coisas levam tem po.

Em tom casual, pergunto a Parul Sharm a se o novo interesse da Star pela Índia é um a reação aos fracassos das m aj ors am ericanas e do grupo Star em particular na China. Parul Sharm a não responde: diz-m e apenas que não posso citá-la, e que não quer declarar nada sobre o assunto “on the record”. Fico então com vontade de lhe perguntar, com o no fim do film e Quem quer ser um milionário?: “É sua últim a palavra?”.

O exem plo que ela m e daria m ais tarde é j ustam ente o do program a de perguntas e respostas Quem quer ser um milionário? De propriedade do grupo Sony, o form ato do program a foi retom ado na Índia pela Star TV com o título indiano Kaun Banega Crorepati, com o célebre ator de cinem a Am itabh Bachchan com o apresentador (um a outra estrela, Shah Rukh Khan, tom ou seu lugar na últim a tem porada). Com esse program a, a Star tornou-se um dos canais de m aior audiência do subcontinente indiano.

A versão indiana de Quem quer ser um miolionário? constitui o enredo do film e Quem quer ser um milionário? de Danny Boy le, vencedor de oito Oscars. Seu sucesso, por sinal, foi decuplicado por essa m atriz televisiva conhecida que constitui o roteiro. O j ovem Jam al Malik (Dev Patel, um inglês de origem indiana de 19 anos) chega de um a favela de Juhu a Mum bai e fica m ilionário graças ao program a, sendo no entanto acusado de trapacear. O film e foi adaptado de um rom ance indiano de Vikas Swarup e rodado na Índia, sobretudo em Mum bai. Mas não é um film e indiano. Assinado por um cineasta inglês, foi produzido por vários estúdios am ericanos e ingleses, particularm ente a Pathé UK (ram o britânico da francesa Pathé), a Fox Searchlight Pictures (do grupo de Murdoch) e a Warner Bros. Foi distribuído em todo o m undo pela Pathé e na Am érica do Norte pela Warner Independent Pictures (na Índia, a distribuição foi da Fox Star Studios, m ais um a vez m arcando a presença de Murdoch). Mais ou m enos com o aconteceu com Kung Fu Panda, produzido pelos am ericanos, e não pelos chineses, ou com Bombay Dreams, com édia m usical da Broadway m ontada por ingleses, o exem plo de Quem quer ser um milionário? m ostra que os indianos não estão necessariam ente nas m elhores condições para distribuir m undialm ente um a cultura que no entanto se baseia em suas próprias histórias. Os am ericanos cuidam deles. E, com o em Quem quer ser um milionário?, um a criança pode dizer, pouco antes de entender que seu protetor quer deixá-la cega: “Ele cuida da gente, deve ser um hom em bom ”.

De outra feita, encontro no sul de Mum bai, perto da Porta da Índia, o diretor da Warner Bros. India, Blaise Fernandez. Ao contrário da m aioria de m eus interlocutores na Índia, ele se m ostra confiante quanto à penetração do cinem a am ericano no subcontinente. Chega inclusive a prever um aum ento da bilheteria do cinem a am ericano, chegando a algo da ordem de 50% do m ercado em questão de poucos anos, “com o na m aioria dos países” (em bora estej a atualm ente em torno de 5%). Mas com um a condição, diz ele: produzir film es com patíveis com “o espírito de Bolly wood”.

Blaise Fernandez está na Warner há vinte anos, m as o estúdio am ericano com eçou a produzir film es na Índia som ente depois de 2005, am pliando seus investim entos aqui à m edida que ia se retirando da China.

Visam os claram ente um público m ainstream . Mas não existe fórm ula

m ágica em Bolly wood. Sei apenas que precisam os produzir film es locais. É

um m ercado local m as gigantesco, e um m ercado m uito aberto. Os indianos

querem continuar sendo indianos: querem ver seus film es em hindi, com

songs & dances, m elodram as extravagantes e brigas sensacionais. Querem

film es longos, m uitas vezes de três horas de duração, e tam bém conversar

no intervalo, logo depois de um a sequência de grande suspense. Querem que

o bem sem pre prevaleça sobre o m al, que o vilão continue sendo vilão. Por

causa da pobreza, das favelas, do analfabetism o, os indianos querem fugir

da realidade. Querem fantasia. Ao m esm o tem po, é preciso que tudo sej a

previsível no film e, não há lugar para surpresas. É assim . E não vai m udar.

Cabe a nós nos adaptarm os. Um estúdio com o o nosso, apesar de

am ericano, deve produzir aqui film es indianos, e não film es am ericanos. E é

o que vam os fazer.

Na Índia, na China, no Egito, na Turquia, no Brasil, quem m elhor m e explicou a globalização da cultura foram , paradoxalm ente, os representantes dos estúdios e das m aj ors am ericanas nesses países. Todos os m eus interlocutores contestaram a ideia de um a uniform ização da cultura; não tanto porque quisessem defender seus interesses, m as por pragm atism o, por terem fracassado quando privilegiaram conteúdos estritam ente am ericanos. Os hom ens que estão à frente da Warner India, da Disney India, da Condé Nast na Índia, da CNN Türk, da MTV France, da Warner China, da Fox no Egito, da Universal no Brasil sabem por experiência própria que é preciso continuar sendo “local” para existir nos m ercados em ergentes. “‘Localize or die’ (sej a local ou m orra) é um a fórm ula que ficou fam osa na Índia”, diria um desses dirigentes. “Nós fazem os ‘bolly vogue’ e nos tornam os cada vez m ais locais em nossos conteúdos”, confirm a, por sua vez, Bandana Tewari, redatora-chefe da Vogue India. “Aqui, fala-se das estrelas de Bolly wood, e não das de Holly wood. Ocorre um a autêntica ‘bolly woodização’ da cultura indiana, e nós tem os de levá-la em consideração. Com isso, nos interessam os pouco pelo resto do m undo na Vogue India, nem m esm o pela Ásia, pois a Índia é um continente por si só.” E por sinal as revistas ocidentais aprenderam a lição: da GQ à Rolling Stone, da People à Marie Claire, da Cosmopolitan à Elle, inúm eras publicações am ericanas e europeias de publicidade globalizada, m as falando apenas da Índia, podem ser encontradas nas bancas e livrarias. Muitas vezes, são vendidas nas ruas por indianos pobres de 12 ou 13 anos, repetindo desesperadam ente “Vogue, m adam ? GQ, sir?” nas j anelas dos carros parados no sinal verm elho, crianças quase sem pre exploradas por interm ediários que em bolsam quase toda a receita, entregando-lhes m enos de um dólar por dia.

Por enquanto, os resultados das m aj ors am ericanas na Índia não são m uito positivos. Em m atéria de produção local, j á se pode inclusive falar de fracasso. A prim eira tentativa da Colum bia em 2007, o film e Saawariya (Beloved), foi um fracasso nas salas porque Om Shanti Om, de Farah Khan, com a estrela Shah Rukh Khan no papel-título, foi lançado sim ultaneam ente. A coprodução da Disney com os estúdios Yash Raj no caso do film e de anim ação Roadside Romeo, em 2009, tam pouco foi m uito m ais concludente, e a experiência da Warner com o film e Chandni Chowk to China igualm ente deu em fracasso. Quanto aos investim entos da Dream Works para m ontar um estúdio de anim ação em Bangalore, em parceria com o estúdio indiano Paprikaas Interactive, ainda não deram fruto. E no entanto, ideias bem articuladas são o que não falta aos am ericanos: a Warner tem 12 proj etos de film e na Índia, a Disney, quatro film es de anim ação em pré-produção, a Sony -Colum bia contem pla um proj eto de seis film es por ano e a 20th Century Fox, o estúdio de Murdoch, tem atualm ente quatro proj etos em produção e dois sob contrato. Os indianos observam toda essa m ovim entação sem preocupação, e vão tirando as devidas lições.

Bolly wood representa apenas um a parte do cinem a indiano. O resto é realizado fora de Mum bai, em m ais de vinte línguas, em diferentes regiões. “Os film es não bolly woodianos raram ente atingem um público nacional, e ainda m ais raram ente fazem sucesso de público”, explica Nina Gupta, que dirige em Mum bai a National Film & Developm ent Corporation, o organism o público de prom oção e desenvolvim ento do cinem a. As outras cinem atografias indianas, com o o cinem a tâm il em Chenai (novo nom e de Madras), o cinem a de “Tolly wood” em Kolkata (novo nom e de Calcutá) ou os de Nova Déli, Bangalore (em canada) ou Andhra Pradesh (em telugu), têm “influência sobre os críticos, nos cineclubes e festivais do m undo inteiro, m as atingem pouco o público, inclusive na Índia”, acrescenta Nina Gupta.

Assim com o Bolly wood representa um a parte essencial das bilheterias na Índia, o cinem a bolly woodiano é o que é m ais exportado para todo o m undo. Vários dos m eus interlocutores estim aram um a penetração internacional de aproxim adam ente 2,5%, o que seria um resultado m elhor que o dos europeus, m as ainda fraco em relação aos am ericanos, que têm cerca de 50% do m ercado m undial. Mas o m apa da difusão do cinem a de Bolly wood não deixa de ser significativo, e seus resultados estão em progressão, especialm ente com a aj uda dos indianos que vivem no exterior, os fam osos NRI, ou Non Resident Indians. Há, para com eçar, os m ercados tradicionais de Bolly wood: Bangladesh, Paquistão, Nepal, Sri Lanka, Afeganistão, um a parte do Sudeste asiático (especialm ente a Indonésia, a Malásia e Cingapura), m as nada de China, Coreia, ou Japão, onde o cinem a indiano sim plesm ente não existe. Outros m ercados tam bém são im portantes, não raro por m otivos políticos, com o é o caso de Cuba, da Rússia e das repúblicas da Ásia central, do Turcom enistão ao Cazaquistão (na época da URSS, o cinem a bolly woodiano era privilegiado por m otivos políticos em detrim ento do cinem a holly woodiano, proibido). O que hoj e em dia constitui o principal vetor de exportação dos film es de Bolly wood, em relação aos de Holly wood, é o preço. O que explica em parte a influência no Magreb, especialm ente no Marrocos, e em vários países da África de língua inglesa em que o cinem a indiano é popular (Nigéria, Quênia, África do Sul). Mesm o na África francófona, eu o ouvi falar de Bolly wood: “Os espectadores de Cam arões querem film es indianos, pois foram criados vendo o cinem a bolly woodiano, e para nós, hoj e em dia, program ar film es indianos sai m uito m ais barato que program ar film es am ericanos”, explica-m e Sally Messio, diretora de program ação e apresentadora principal da Televisão Nacional de Cam arões (CRTV), durante m inha visita às instalações dessa estação estatal em Yaoundé. “Além disso, o cinem a de Bolly wood tem a ver com a cultura africana, com o respeito aos velhos e os valores da fam ília; é um cinem a m enos sexualizado e m enos violento que as séries ou os film es am ericanos, oferecendo m ais um clim a de sonho, de conto de fadas, de príncipe encantado, de bons e m aus, exatam ente o que os africanos querem ”, acrescenta Sally Messio.

Mas esses m ercados estão evoluindo. Para com eçar, a própria Índia, que tom ou consciência do peso da nova Bolly wood em sua econom ia em ergente, aum entou seus direitos de venda e distribuição e j á agora pretende cobrar m uito bem dos russos e dos africanos, ao passo que anteriorm ente fechava os olhos à distribuição não autorizada e ao m ercado de vídeos piratas. Depois, Bolly wood é vítim a da concorrência de Holly wood: quando o cinem a am ericano era proibido, com o acontecia na URSS, a com paração entre as duas cinem atografias populares não era possível, m as hoj e ela se dá em detrim ento dos indianos. Os j ovens russos ou m arroquinos preferem m uitas vezes os film es de ação holly woodianos de m enos de duas horas de duração aos xaroposos longas-m etragens bolly woodianos, de enredo previsível, que duram três horas. O declínio de Bolly wood nos países em ergentes, na África e nos países do Terceiro Mundo j á com eça a ser constatado.

A questão se coloca de m aneira um pouco diferente no Golfo e no Oriente Médio, m ercado ao m esm o tem po antigo e em ergente. Estranham ente, os indianos se referem a essa região com o “West Asia”, e atualm ente Bolly wood se desenvolve nela, sej a porque os trabalhadores indianos im igrados são num erosos (eles superam 20% da população em Catar e tam bém são influentes em Dubai e no Iêm en), sej a porque os valores indianos sobre a fam ília, as m ulheres e o sexo são com patíveis com o islã sunita ou xiita. “O cinem a indiano atualm ente representa aqui 10% da bilheteria, m as equivalia a 30% na década de 1950”, explica-m e, em Dam asco, Moham ed Al-Ahm ad, diretor do Escritório de Cinem a do governo sírio. “O público popular adora esses film es, com suas m úsicas e suas danças. É o m istério ‘oriental’, que nos agrada. Além disso, em m atéria de fam ília, de valores, o cinem a indiano com partilha os ideais do povo árabe. Mas as classes altas, os estudantes preferem o cinem a europeu e sobretudo o am ericano.”

Restam então os m ercados ocidentais. Nos Estados Unidos, no Canadá, na Inglaterra e na Alem anha, os NRI, os indianos expatriados, gostam de ver os film es de Bolly wood, para se lem brar de “casa”. Calcula-se que sej am pelo m enos 20 m ilhões, repartidos em 120 países de todo o m undo, dos quais quase 3 m ilhões nos Estados Unidos. E por sinal o governo indiano criou recentem ente um Ministry of Overseas Indian Affairs para m elhor cuidar deles.

Definitivam ente, o que faz a força do cinem a indiano em casa — seu caráter fortem ente identitário, suas “songs & dances”, as cores quentes, as em oções vivas — tam bém pode constituir sua fraqueza em nível internacional. “O debate é entre o lassi e a m odernidade, a sensualidade e o sexo, as atrizes super-kitsch que repetem os preconceitos de suas castas e a liberação da m ulher, o film e de Bolly wood que conta seis vezes a m esm a história e o film e de ação que carrega o público com seu ritm o e sua rapidez”, afirm a o produtor Pinaki Chaterj ee em Mum bai. “Se Bolly wood quiser tornar-se global, não poderá continuar contando as histórias que conta atualm ente”, avalia a crítica de cinem a Saibal Chaterj ee, entrevistada em Nova Déli.

Outros m ostram -se ainda m ais críticos, com o o produtor e realizador Adity a Bhattachary a: O problem a de Bolly wood hoj e em dia é que os NRI são ainda m ais conservadores em suas preferências culturais que os habitantes do subcontinente indiano. Eles querem encontrar no cinem a o que deixaram para trás. Não evoluíram com o tem po, ao contrário das novas gerações de indianos. Do ponto de vista dos valores, da fam ília, das castas, eles são m uito reacionários e extrem am ente arcaicos. Querem ver na tela m eninas, para saber com o elas são hoj e na Índia, querem ver casam entos indianos arranj ados, querem roupas m uito coloridas. Ora, com o são eles os responsáveis por um a parte considerável da bilheteria, não tanto por sua quantidade, m as pelas rendas em dólares que geram , o fato é que estão contribuindo para a estagnação de Bolly wood.

Se observarm os atentam ente os recentes sucessos de Bolly wood nos Estados Unidos, constatam os que o essencial de bilheteria se concentra num a quantidade reduzida de salas de cinem a, aproxim adam ente sessenta telas. Todos esses cinem as situam -se nos bairros conhecidos com o Little Indias de cidades ou estados onde os indianos são num erosos, com o Nova York, Chicago, Atlanta e Washington, assim com o na Califórnia, no Texas e em Nova Jersey. Por sinal, no film e bolly woodiano Kal Ho Na Ho afirm a-se que em Nova York um quarto da população é de indianos (seria m ais exato dizer um trinta e dois avos, o que no entanto j á é um núm ero considerável de indianos). No lançam ento de um grande film e de Bolly wood, as salas dessas “Little Indias” podem receber um público im enso, m as quase sem pre com posto de No Resident Indians. Cerca de sessenta salas, m esm o cheias, são pouca coisa em com paração com o lançam ento nos Estados Unidos de um blockbuster com o Batman, em 4.366 telas.

Entre a tradição e a m odernidade, Bolly wood hesita. O sucesso em 1995, que se prolongou por m ais de 13 anos nas telas da Índia, do film e The Brave Heart Will Take the Bride (com as estrelas Shah Rukh Khan e Kaj ol Devgan), com a história de am or de dois indianos de segunda geração que vivem no Reino Unido, m as aos quais estão reservados na Índia casam entos arranj ados — servindo o final feliz para defender o casam ento por am or —, m ostrou claram ente o que está em j ogo nessa m odernização à indiana. Decididam ente, o futuro vai-se delineando através das expectativas do público, especialm ente dos em igrantes, que tam bém estão m udando. “A prim eira geração de NRI quer voltar a encontrar em Bolly wood o ‘sound of hom e’ (a lem brança da terra)”, diz-m e o crítico Jerry Pinto no BBC, um dos cafés do hotel Marriott. “Para a segunda geração, no entanto, Bolly wood é o ‘sound of their parents’, a cultura dos pais, e não a deles. Quanto à terceira geração, pouco está ligando. Para eles, é o ‘sound of nothing’.” A se confirm ar essa hipótese, a indústria de cinem a na Índia pode m uito em breve desistir de suas am bições de desenvolvim ento nos m ercados ocidentais.

Será que a Índia conseguirá im por-se no m undo através do seu cinem a e de suas canções bolly woodianas, criando conteúdos globais? A m aioria dos produtores com os quais m e encontrei no hotel Marriott da praia de Juhu, todos os chefes de estúdios entrevistados na Film City de Mum bai e os dirigentes com quem conversei em Nova Déli estão convencidos disso. Mas cada um deles tem sua estratégia própria para fazer film es m ainstream , entre um cinem a m ais identitário e etnocêntrico (o story telling indiano pode conquistar o m undo) e um cinem a m ais globalizado, do qual seria m ais ou m enos apagado o caráter indiano (para seduzir, Bolly wood precisa aprender a fazer film es com o os am ericanos) — só que as duas visões provavelm ente são incom patíveis. Por outro lado, cabe perguntar se os am ericanos conseguirão im por-se na Índia, com seus blockbusters ou através da produção de conteúdos locais. É o que acham todos os chefes de estúdios am ericanos entrevistados na Índia ou em Los Angeles, e de m aneira tanto m ais cega na m edida em que têm à sua frente um m ercado de 1,2 bilhão de habitantes, ainda não saturado e nem m esm o m aduro. Um m ercado tão grande e um país de tal m aneira descentralizado que deveríam os falar dos “Estados Unidos da Índia”.

Quem está com a razão? Por enquanto, o prim eiro grupo, pois a Índia soube proteger sua indústria e conservar cerca de 95% das bilheterias para o cinem a nacional. Mas o segundo grupo sabe que a am ericanização da Índia está em m archa, e que tem um nom e tem ível: “indianisation”. Ao adaptar ao gosto local as séries e film es am ericanos, os indianos assinaram alguns de seus m aiores sucessos. Mas dessa m aneira são conteúdos am ericanos que vão lentam ente penetrando o subcontinente indiano. No m om ento, com o fim de sua econom ia socializante, os indianos partem em conquista de Holly wood, com prando produtoras nos Estados Unidos e produzindo seus próprios blockbusters. Estão em ergindo. Sem garantia de sucesso. Pois o fato é que, por enquanto, Bolly wood, de olho em Holly wood, alternadam ente invej osa e ressentida, não conseguiu lançar um único blockbuster m undial nem um “global hit”, com o dizem os am ericanos. Os dois países se estudam , num face a face decisivo bem resum ido na palavra “Bolly wood”. Raram ente um a expressão terá sido tão im precisa. Mas raram ente um a palavra terá sido tão eficaz.

Nota:

* Inform ation Technology (tecnologia de inform ação).