Uma Mulher Perfeita

James Grippando · Capítulo 13 de 67

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Uma Mulher Perfeita

Capítulo treze

 

 

Senti cheiro de ossobuco quando abri a porta.

Angelina era uma excelente cozinheira, e seu ossobuco com risoto de azeite de trufas clássico é meu prato favorito. Fechei a porta e segui meu olfato pela sala até a sala de jantar. As luzes estavam baixas. Velas estavam acesas sobre a mesa. Havia uma garrafa de vinho entre os dois lugares postos. Levantei a garrafa. Vazia. Uma das taças estava faltando.

— Angelina?

Ouvi alguma coisa na sala. Ela estava sentada no sofá. As luzes estavam tão baixas que passei direto por Angelina. Depois, fui em sua direção.

— Qual é a ocasião? — perguntei.

Ela olhou para mim com uma fúria que desviou meu beijo. Seu rosto estava vermelho e inchado. Ela tinha chorado.

— Pensei que fôssemos ter um filho.

Pensou?

Sentei a seu lado. Ela se afastou um pouco, desviando da minha tentativa de colocar o braço ao redor de seu corpo.

— O que aconteceu?

Ela pegou um envelope grande da mesa de apoio diante de nós. Sem dizer nada, se recusando a olhar para mim, ela me entregou o pacote. Eu não precisava abri-lo para saber o que havia ali dentro.

— Não é o que parece — eu disse.

Os olhos dela se recusaram a encontrar os meus.

— As fotos têm datas, Abe. Foi depois que nos casamos. Eu já era sua esposa.

A ênfase do eu era marcante; de alguma forma, a culpa era de Samantha.

— Angelina, eu juro que nada aconteceu.

Ela engoliu o resto do vinho, e seu esforço instável ao colocar a taça vazia sobre a mesa acabou com o vidro estilhaçado.

— Merda! — exclamou Angelina, levantando, mas acabou desabando de novo no sofá.

Uma garrafa de vinho inteira estava além do limite dela.

— Eu cuido disso — eu disse.

— Não me faça nenhum favor.

Ela se forçou a levantar do sofá. Tentei ajudá-la a se levantar, ou pelo menos impedi-la de cair sobre a mesa, mas ela afastou minha mão.

— Angelina, por favor…

— Não quero saber, Abe.

Ela atravessou a sala, mirando mais ou menos na direção do corredor, cambaleando um pouco. Eu a segui com cuidado, mas parei quando ela deu meia-volta e me encarou.

— Vou para a cama — anunciou ela. — Seu jantar está pronto.

— Quem mandou essas fotos para você?

— Não sei quem mandou, Abe. Estavam na nossa caixa de correio. Sem carimbo do correio, sem endereço. Só um envelope em branco. Obviamente, alguém que achou que eu precisava saber.

Meu primeiro pensamento foi o escritório, a teoria de Carmen sobre a retaliação da BB&L, mas o problema imediato não tinha nada a ver com quem tinha mandado o envelope. Angelina rapidamente me lembrou.

— Que diferença faz, Abe? É você com Tyla, ou não?

— Sou eu. Nós jantamos. Não estamos na cama.

— Podiam muito bem estar. Olhe essas foto! Veja como vocês estão olhando um para o outro! A mulher está a cinco segundos de se esconder embaixo da mesa e…

— Angelina, pare!

Estávamos os dois elevando a voz, e eu estava perdendo. Ela virou e saiu pelo corredor. Parte de mim queria chamá-la e resolver a situação naquele momento, mas eu a deixei ir. A porta bateu no fim do corredor. A sala ficou em silêncio. Peguei os cacos de vidro do tapete e os coloquei com o resto da taça quebrada sobre a mesa. O envelope estava a centímetros de distância, me chamando.

Se aquilo era um jogo da BB&L, eu queria as impressões digitais para provar. Usei um guardanapo para pegar o envelope pelo canto, deixando as fotos deslizarem sobre a mesa sem tocá-las. A primeira era idêntica à que eu tinha visto na sala de Carmen, um quadro do vídeo de uma câmera de segurança do restaurante de Orlando.

Ainda com o guardanapo, olhei a pilha de imagens, confirmando que as seis correspondiam às demais. Na sexta foto, no entanto, eu reconfirmei. Havia um borrão visível e estava bem sobre o rosto de Tyla. Levantei o canto da foto, e um salpicado preto escorreu para a base da imagem como areia escorrendo de um monte. Fiquei paralisado. Eram cinzas. Cinzas pretas sobre o rosto de Tyla.

De repente, tive dificuldade em respirar. Com muito cuidado, para não mover mais as cinzas, abaixei o canto da foto até deixá-la na horizontal sobre a mesa. Devagar, eu me afastei e peguei meu celular. Liguei para Carmen.

— Ei, é o Abe. Sobre aquelas fotos minhas com Tyla.

— Já foi resolvido, Abe. Você não precisa se preocupar com isso em casa.

— Não, é importante — eu disse, recuperando o fôlego. — Elas não vieram da BB&L.