Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
2.1.4 Obtenção de recursos
desenvolvimento (recursos humanos) e captação de
financiamento para o desenvolvimento (recursos de capital).
O desenvolvimento propriamente dito: Uma vez obtidos os
recursos para desenvolver um projeto, colocamos em prática o
desenvolvimento propriamente dito. Trata-se da etapa mais
intensa do desenvolvimento onde os 4 tipos de processos
funcionam paralelamente, demandando o trabalho de toda a
equipe.
O pós-desenvolvimento: Começa quando já temos uma pasta
de projeto. Com esta pasta, o Produtor Executivo vai buscar
recursos para a produção do filme. Estes recursos podem ser
humanos (atores, diretor, equipe técnica, etc.), ou de capital
(coprodutores, contribuições em espécie, em forma de trabalho,
empréstimos, etc.).
Ao começar a trabalhar em um projeto, a compreensão das
subetapas de desenvolvimento nos serve para ordenar os
processos. No entanto, convém esclarecer que muitas vezes será
necessário pular alguns passos. Um exemplo claro disto se dá
quando, durante o pré-desenvolvimento, precisamos contar com
apoios ou subsídios para obter fundos de desenvolvimento. As
entidades que os outorgam costumam solicitar documentos que
correspondem à etapa de desenvolvimento e o produtor deve decidir
se arrisca ou não investir na montagem total ou parcial da pasta de
projeto, sem contar ainda com os recursos necessários para
assegurar seu desenvolvimento.
No caso de um projeto “pessoal” (quer dizer, um projeto
independente, levado adiante geralmente por um “diretor-roteirista-
produtor”, de uma maneira mais informal e por fora de toda
organização empresarial), isto costuma resolver-se por meio da
contribuição em forma de trabalho da equipe de desenvolvimento.
2.1.4 Obtenção de recursos
A definição da Metodologia DPA se remete à obtenção de recursos
para produzir e comercializar um produto audiovisual. Como vimos,
um projeto é algo intangível, o que cria um problema na hora de obter 100% dos recursos de que se necessita para levar a cabo sua
produção (e, mais adiante, os necessários para sua
comercialização).
Entretanto, é possível começar a filmar com uma parte dos recursos
e apresentar o material a potenciais coprodutores para finalizá-lo?
Na verdade, é possível, mas pouco inteligente. Para explicar isto,
basta analisar o aspecto econômico de que, no caso da produção
audiovisual (tomaremos o exemplo do cinema), há características
muito particulares.
Vejamos o que acontece em uma indústria qualquer – tomemos
como exemplo a fabricação de sabões –– e, em seguida,
comparemos à indústria do cinema. Um fabricante de sabões realiza
um investimento inicial para comprar maquinarias, uma oficina e
matérias-primas. Contrata pessoal e começa a manufaturar seu
produto para –– mediante sua comercialização –– gerar renda,
recuperar seu investimento e obter lucro. Com a renda gerada, pode
comprar mais matéria-prima e, desta forma, continuar o processo de
produção. Porém, se em algum momento suas vendas se tornarem
um fracasso, deixará de manufaturar seu produto para evitar seguir
investindo em um projeto que não deu certo. Em último caso, pode
vender o maquinário e liquidar os produtos remanescentes e a
matéria-prima que ainda lhe resta para recuperar, pelo menos, parte
do investimento. Isto não acontece na produção audiovisual, já que
tem características especiais em seu aspecto econômico-financeiro.
Talvez a única indústria comparável seja a de obras de infraestrutura
ou de engenharia. Efetivamente, tanto em um projeto audiovisual
como em um de infraestrutura, é necessário um grande capital que
deve ser investido antecipadamente em sua totalidade, antes que se
possa comercializar o produto e, desta forma, recuperar o
investimento. Igualmente ao que acontece com a construção, por
exemplo, de uma ponte, se na metade do processo se constata que
não se poderá terminar o filme (digamos, por exemplo, que morre
todo o elenco em um acidente), não se pode comercializar o que já
está produzido. Perde-se tudo o que foi investido até o momento e, como a maioria dos gastos está baseado na compra de serviços,
não há bens significativos a serem vendidos para recuperar parte do
investimento.
Vale dizer que começar a produção de um filme sem ter
assegurados os recursos para terminar sua pós-produção é como
construir meia ponte e esperar encontrar um investidor para poder
terminá-la. É pouco inteligente e nos coloca em uma posição de
impotência para negociar, já que, sabendo que, sem sua ajuda,
perderemos tudo o que foi investido, nossos potenciais sócios têm
caminho livre para impor condições mais duras.
O Produtor Executivo é o responsável por convencer os potenciais
investidores a prover os ditos recursos e, para isto, não somente
deve ser um mestre na arte de pitchear (quer dizer, expor
verbalmente) um projeto; necessita de algo tangível que lhe dê
suporte: a pasta de projeto.
Ao falar de pasta de projeto (film package, em inglês) nos referimos
a um conjunto de documentos que servem como suporte para um
determinado projeto. Este pacote conta com os seguintes
elementos:
A premissa
A sinopse
O tratamento
A escaleta
O roteiro
O orçamento de desenvolvimento
O orçamento de produção fora da mídia (below the line)
O orçamento de produção nos meios (above the line)
O orçamento de marketingO cálculo do retorno do investimento
O plano de marketing
O plano financeiro de produção
O pré-trailer (opcional)
Pôster
Proposta estética
Lista de talentos