Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA
4.3.9 Como avaliar um tratamento
desejos, etc., o que faria nesta circunstância? Desta forma, em cada
momento da história, o roteirista pula de cabeça de uma personagem
para outra, fazendo a mesma pergunta. Trata-se de fazer um
trabalho semelhante ao que o ator faz quando se coloca na pele de
um personagem e o interpreta.
Ao escrever de dentro pra fora, as personagens ganham vida própria
e costumam rebelar-se; ao fazê-lo, as situações forçadas ou
inverossímeis ficam evidentes para o roteirista. As personagens
começam a dizer: Você não acha que isso que você quer que eu
faça é um pouco exagerado? Esta atitude não tem nada a ver
comigo. Eu não estou capacitada para fazer isso.
Escrever de dentro das personagens nos permite maior
verossimilhança, credibilidade e tridimensionalidade, mas implica em
um risco. Se nos deixarmos levar exclusivamente pelo que as
personagens nos dizem, podemos terminar perdendo o rumo da
história que tínhamos marcado na sinopse. Por isso, como
roteiristas, temos que encontrar o equilíbrio justo entre a escrita de
dentro para fora e a escrita de fora para dentro. De tempos em
tempos, é importante sair das personagens e observar de cima o
universo que estamos criando. Desta forma, podemos constatar se
estamos seguindo o mapa da estrutura dramática ou se perdemos o
rumo e a história dá voltas sobre ela mesma sem ir a lugar nenhum.
Muitas vezes, deixar-se levar pelas personagens pode ser positivo.
Pode nos levar a encontrar uma história diferente que pode se tornar
mais interessante que a que tínhamos planificado na sinopse. Isto é
totalmente válido, trata-se de um processo artístico no qual não
devemos nos fechar cegamente a novas possibilidades. Se a nova
história valer a pena, vamos em frente! Mas, neste caso, teremos
que voltar à etapa de sinopse e reescrevê-la de acordo com o novo
enfoque, para poder apresentar claramente a nova estrutura
dramática.
4.3.9 Como avaliar um tratamento Um bom tratamento deve responder afirmativamente às perguntas
enumeradas a seguir:
Existe uma estrutura narrativa na maioria das sequências?
Devemos constatar se a maioria delas tem seus 3 atos ou
termina em uma virada.
Se utilizar uma estrutura alternativa, está contada da forma
como o espectador vai vê-la? Diferentemente da sinopse, onde
às vezes não tínhamos espaço suficiente para estruturas muito
complexas, no tratamento não há desculpas. Se não podemos
contar em um tratamento as histórias de maneira clara e
atraente, da forma como elas serão vistas pelo espectador,
dificilmente conseguiremos fazê-lo no roteiro.
Mantém as conquistas da premissa e da sinopse?
Possui uma extensão equivalente a um quinto da duração final
do filme?
Conta a história tomando como unidade de medida a
sequência?
Deixa claro um estilo autoral que o torna original e atraente?
O estilo de escrita reflete esse estilo autoral?
Transmite emoções, sensações, climas?
Tem suficiente trabalho de subtexto?
As perguntas enunciadas a seguir se referem ao protagonista e à
história principal (se for utilizada uma estrutura alternativa, estas
devem ser feitas para cada uma das histórias).
A linha interna é interessante e crível?
A linha interna é provocada pela linha externa?
O protagonista e as personagens principais são interessantes,
tridimensionais e críveis?
Suas motivações são críveis?
Na linha interna há um arco dramático claro?
Na linha interna, há uma evolução nas relações que o
protagonista estabelece com as outras personagens?
O mais provável é que a primeira versão de tratamento não seja
capaz de superar esta prova, portanto terá que seguir trabalhando em cima dos problemas identificados. Mas, antes de mostrar alguma