Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

4.1.5 Técnicas de trabalho para a sinopse

forma, o documentário corre o risco de resultar linear e previsível,

provocando a progressiva perda de interesse do público (ou

obrigando o produtor executivo a encontrar valores de produção que

sirvam de “gancho” para o projeto).

 

4.1.5 Técnicas de trabalho para a sinopse

 

Uma vez determinada a estrutura e o gênero, o roteirista avança a

escrita da sinopse. Muitas vezes, é útil determinar os pontos

estruturais, antes de começar a escrever; desta forma, o trabalho é

mais dirigido e eficiente.

 

Os “10 pontos estruturais” da história

 

A equipe de roteiro determina os “10 pontos estruturais da história”.

Para este esquema, tomamos como exemplo um longa-metragem de

100 minutos:

 

Protagonista

Normalidade (minutos 1 a 15)

Catalisador (minuto 15)

Pergunta ativa central

Plano (minutos 15 a 25)

Primeiro ponto de virada (minuto 25)

Resumo do 2º ato (em uma frase) (minutos 25 a 75)

2º ponto de virada (minuto 75)

Clímax (minuto 95)

Epílogo (minutos 95 a 100)

 

Uma vez que contamos com os “10 passos estruturais da história”,

será muito mais fácil escrever a sinopse, já que o processo consiste

quase em um jogo de completar espaços. No entanto, às vezes é

difícil completar os 10 pontos estruturais da história sem conhecer

muito sobre ela (só a premissa). Nestes casos, pode trazer benefício

simplesmente começar a escrever a sinopse para ver aonde nos leva

a história. Desta forma, podemos conhecer um pouco melhor as

personagens e a história antes de completar os 10 pontos. Qualquer um destes (ou outros) caminhos é válido; o importante é o resultado:

no final do processo, devemos ter uma sinopse que conte uma

história corretamente estruturada e, para constatá-lo, devemos ser

capazes de identificar os 10 pontos.

 

Caso nosso roteiro utilize uma estrutura alternativa, é recomendável

completar os “10 pontos estruturais da história” e redigir uma sinopse

por cada história, de maneira individual. Estes documentos serão

apenas de uso interno. No final da apresentação para concursos,

investidores, etc., redigiremos uma sinopse que reúna todas as

histórias de uma forma atraente e clara (sem importar se é

tecnicamente correta).

 

A “frase da história”

 

Uma variante dos “10 pontos estruturais da história” é construir uma

frase com eles. Este modelo é útil para identificar os elementos da

história facilmente e redigi-los em forma de oração. Trata-se do

modelo “frase de história” que segue uma metodologia consistente

em completar os espaços vazios (o roteirista deve substituir o que

está entre parênteses com a sua história):

 

(O protagonista), ao deparar-se com (o catalisador) faz com

que nos perguntemos se conseguirá (a pergunta ativa central).

(O protagonista) decide (o plano) até que é surpreendido pelo

(primeiro ponto de virada) o que o leva a responder através de

(uma série de ações e viradas, como consequência das

ações das forças antagônicas e outros elementos, como o

azar, etc.). Até que (o protagonista) cai ao ponto mais baixo de

perigo ou desesperança física quando ocorre (o segundo ponto

de virada), mas reage e luta através de uma série de ações; até

que finalmente responde à (pergunta ativa central), dando

como resultado (o clímax). Depois disso, vem o (epílogo).

 

O Roteirista e o Roteirista-Editor se reúnem periodicamente para as

sessões de edição do roteiro. Estas sessões costumam durar duas

horas (depois deste tempo, começa-se a perder a concentração) e

nelas, o Roteirista-Editor faz uma devolução das diferentes versões (geralmente 4 ou 5) até conseguir uma sinopse sólida e sem