Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

3.1.4 O Roteirista-Editor

ter experiência na atividade audiovisual. Por último, o Contador

precisa de conhecimentos específicos, caso vá participar de um

projeto de médio a grande porte e, sobretudo, se este for

contemplado por um sistema de subsídios ou ajudas.

 

3.1.4 O Roteirista-Editor

 

O Roteirista-Editor se encontra no nível operacional e é o

responsável por definir as táticas de desenvolvimento do roteiro.

Seu objetivo principal é conseguir um roteiro que conte uma história

que resulte interessante ao público-alvo definido pelo Produtor

Executivo (e que logo se concretizará no plano de marketing).

 

FIGURA 21 – O Roteirista-Editor

 

Diferentemente da televisão, onde é mais comum encontrar uma

equipe de roteiristas com um Roteirista-Editor à frente, no cinema

costuma haver, quando muito, dois roteiristas; um propriamente dito

e o outro –– geralmente o diretor –– que participa no

desenvolvimento do roteiro.

 

No entanto, cabe esclarecer que, em muitos destes casos, o

roteirista e o diretor não trabalham da mesma forma que a equipe de

roteiro organizada pela Metodologia DPA. Com frequência,

costumam ocorrer duas situações: na primeira, um diretor que não sabe escrever roteiros se aproxima de um roteirista que deve

reelaborar a intenção do roteiro original; na segunda, um roteirista

escreve um roteiro, mas o diretor se nega a dirigi-lo se não lhe

permitirem “retocá-lo”. Esta segunda situação não seria um

problema se o diretor fosse, além disso, Roteirista-Editor, mas

infelizmente esse não costuma ser o caso mais frequente –

geralmente se trata de um caso de “fagocitose do roteirista”, como o

denomina Robert McKee, o que termina arruinando um bom roteiro

original.

 

Nenhum dos casos descritos anteriormente guarda relação com a

dinâmica entre um Roteirista-Editor e o Roteirista proposto na

Metodologia DPA. Consequentemente, torna-se importante definir

qual é o campo de ação e as funções do Roteirista-Editor no marco

da Metodologia DPA. Começaremos descrevendo suas três funções

básicas:

 

Consultor

Coautor

Gerente

 

O Roteirista-Editor como Consultor

 

Como Consultor, ao longo do processo de reescrita, o Roteirista-

Editor realiza relatórios periódicos em que analisa os pontos fortes e

fracos do roteiro. Estes “relatórios sobre o roteiro” têm uma dupla

finalidade: por um lado, servem para que o Produtor Executivo

possa controlar a evolução do processo de escrita; e, por outro,

ajudam o Roteirista-Editor a gerenciar o desenvolvimento do roteiro,

já que determinam quais são os pontos sobre os quais deve

trabalhar. Uma vez determinada a estratégia de desenvolvimento do

roteiro, entra em cena sua função de coautor e trabalha junto ao

Roteirista (propriamente dito) na reescrita do roteiro.

 

O Roteirista-Editor trabalha como consultor junto ao Roteirista ao

longo de todo o processo, desde a primeira sinopse até a versão

definitiva do roteiro. Supervisiona o Roteirista, proporcionando-lhe uma opinião objetiva e profissional sobre os problemas do roteiro (e

os documentos prévios) e sugere estratégias para solucioná-los.

 

É necessário compreender que nem todo profissional que dá uma

opinião sobre um roteiro se converte automaticamente em consultor.

A este respeito, Philip Parker, em seu livro “The Art & Science of

Screenwriting”, comenta:

 

[...] Em quase todas as discussões sobre filmes e programas de

televisão, as pessoas selecionam um aspecto que lhes atrai, o

que é facilmente identificável, como o elemento que creem que

os tornam bom ou ruim. [...] Infelizmente, a maioria das

discussões que o roteirista tem com outras pessoas e, às

vezes, com outros roteiristas, ainda permanece aprisionada

dentro de conceitos comuns e pensamentos sobre se um

elemento do roteiro agrada ou desagrada. [...] O problema

deste aprisionamento é que separa um ou mais elementos do

trabalho e os converte em centrais para criar um bom roteiro.

Isto pode esclarecer alguns aspectos do processo, mas

fundamentalmente ignora o simples princípio de que não vemos

o roteiro por partes, [mas] o experimentamos como uma

totalidade e o roteirista deve criá-lo como uma totalidade. Por

isso, necessitamos contar com um meio de trabalho e

entendimento do roteiro como um todo18. (T.N.)

 

Na Metodologia DPA, a tarefa do Roteirista-Editor, como consultor,

começa com a escrita da primeira versão da premissa. Com esse

primeiro documento, o Roteirista-Editor identifica os possíveis

problemas e os acertos e, somente quando os tiver solucionado,

passará à escrita da sinopse. Chegada esta etapa, realizará uma

análise de cada versão até que considere que o projeto pode

avançar para a etapa seguinte: o tratamento. O processo será o

mesmo até chegar à versão final do roteiro; não se avança a um

documento mais complexo senão quando todos os problemas do

documento anterior tiverem sido solucionados.

Um dos erros mais comuns do roteirista amador é passar

diretamente ao roteiro, sem ter consciência da quantidade de

problemas que deve solucionar ao mesmo tempo. Isto leva, na

maioria dos casos, a roteiros que não funcionam e a um penoso e

infrutífero processo de reescrita que pode tornar-se frustrante. Na

Metodologia DPA, o sequenciamento do processo de escrita (em

premissa, sinopse, tratamento, escaleta e roteiro) permite que a

equipe de desenvolvimento de roteiro se concentre nos objetivos,

um a um, tornando mais eficiente o uso dos recursos (neste caso,

tempo, formação e talento). Mais adiante, explicaremos em detalhes

a Metodologia DPA no desenvolvimento do roteiro como forma de

garantir a eficiência e a qualidade dos processos artísticos.

 

O Roteirista-Editor como Coautor

 

A tarefa do Roteirista-Editor não termina com a identificação dos

problemas dos documentos de roteiro ou a determinação de

estratégias para sua solução; em seu papel de coautor, vai um

passo adiante do que faria um consultor já que trabalha junto ao

roteirista gerando soluções criativas e participando do processo de

escrita. Em outras palavras, o Roteirista-Editor participa

artisticamente da criação da obra, o que o converte, em termos

artísticos e legais, em coautor. Isto implica que corresponde a ele

realizar o registro legal da obra junto com o roteirista e assinar todos

os contratos de cessão de direitos com a Produtora.

 

Na Metodologia DPA, a dupla Roteirista e Roteirista-Editor permite

melhorar notavelmente a qualidade de todo o processo de

desenvolvimento de roteiro, já que o trabalho do Roteirista é

analisado periodicamente e dirigido pelo Roteirista-Editor, que

determina sobre que aspectos particulares se deve concentrar a

energia criativa. Isto evita a dispersão que costuma dar-se quando o

roteirista se encontra submerso no universo da história e corre o

risco de perder a dimensão. É aí que entra o Roteirista-Editor, que

determina, em um primeiro momento, os problemas na história; em

seguida, estabelece uma ordem de prioridades e, por último, indica ao Roteirista sobre que aspecto e em que ordem se deve levar a

cabo o processo de reescrita.

 

Em resumo, o Roteirista-Editor não somente analisa, prioriza e

dirige, mas também participa criativamente do processo de

reescrita. A partir de seus relatórios periódicos sobre o roteiro,

busca encontrar soluções para os problemas encontrados,

juntamente com o roteirista. Os dois juntos desenvolvem a história

para chegar a uma versão final de roteiro que, tendo passado por

diferentes estágios de análise e reescrita, permitirá explorar ao

máximo o potencial da ideia.

 

Vejamos um exemplo concreto. O Roteirista-Editor lê a terceira

versão do tratamento que o Roteirista escreveu depois da última

reunião. Como consultor, realiza uma análise, determina que o

protagonista não é suficientemente tridimensional e sugere como

técnica realizar uma “ficha biográfica” onde constem suas

características inatas e as adquiridas, ou a história anterior do

protagonista, etc. Chega até aí seu papel como consultor; de fato é

o limite ao qual chegaria qualquer consultor externo contratado pela

Produtora.

 

Porém, como o Roteirista-Editor também é coautor, permanece junto

ao Roteirista para desenvolver a “ficha biográfica” do

protagonista;sugere como teria sido sua infância, qual foi sua

história prévia ao roteiro, quais são suas habilidades inatas ou

adquiridas, etc. Juntos, revisam a caracterização do protagonista

com base nesta “ficha biográfica”, seguindo a técnica sugerida para

melhorar a tridimensionalidade do protagonista. Finalmente, o

Roteirista vai a sua casa e passa a limpo o que foi discutido na

reunião. Possivelmente lhe ocorram novas ideias, que incorporará

ao tratamento e, em seguida, as apresentará ao Roteirista-Editor

para uma nova análise. Isto é somente um exemplo do trabalho do

Roteirista-Editor como coautor. Mais adiante, na seção relativa aos

documentos de roteiro (premissa, sinopse, tratamento, escaleta e

roteiro), explicaremos mais acerca da metodologia de trabalho.

 

O Roteirista-Editor como Gerente O Roteirista-Editor é o responsável direto, perante o Produtor

Executivo, pela evolução dos processos artísticos. Seu objetivo é

entregar um roteiro com qualidade artística que seja interessante

para o público-alvo. Para isso, conta com uma equipe de

desenvolvimento de roteiro que lhe assiste nos dois subprocessos

em que se dividem os processos artísticos: pesquisa e elaboração.

No campo da pesquisa, o Chefe de Pesquisa o ajuda a obter a

informação necessária para elaboração do roteiro. No campo da

elaboração, o Roteirista é seu colaborador autoral na criação da

história e responsável direto por sua escrita no formato correto.

 

Como Gerente, o Roteirista-Editor deve definir as estratégias de

desenvolvimento de roteiro e estabelecer, por um lado, qual é a

informação que precisa ser fornecida pelo Chefe de Pesquisa para a

escrita do roteiro; e, por outro, quais são as mudanças que precisam

ser feitas pelo roteirista para avançar no processo de escrita dos

documentos de roteiro. Em outras palavras, define táticas de roteiro

e delega a seus subordinados a implementação destas. Também

deve controlar sua execução e aprovar ou reprovar os documentos

que, ao final, apresentará ao Produtor Executivo. Também deverá

receber do Produtor Executivo as estratégias do projeto e as

traduzirá em táticas de roteiro para atingir os objetivos gerais do

projeto.

 

Vejamos um exemplo. O Roteirista-Editor entregou uma versão

aprovada de roteiro ao Produtor Executivo. Esta versão conta com

os padrões de qualidade esperados: um roteiro com qualidade

artística e interessante para o público-alvo. O Produtor Executivo faz

um pitching do projeto e consegue despertar o interesse de uma

coprodutora espanhola que exige que uma das personagens seja

dessa nacionalidade como condição para conceder seu

financiamento. O Produtor Executivo consulta a Produtora, que

aprova a sugestão e encarrega o Roteirista-Editor de modificar um

das personagens para que seja de nacionalidade espanhola. O

Roteirista-Editor solicita ao Chefe de Pesquisa informação acerca do

contexto social da Espanha e, uma vez obtida a informação, reúne-

se com o Roteirista para determinar qual será a personagem que será transformada em espanhol e trabalhar sobre a nova

caracterização. O roteirista passa a limpo o que foi discutido e

entrega ao Roteirista-Editor uma nova versão, que é aprovada e

apresentada ao Produtor Executivo. Este se reúne com a

coprodutora espanhola, que aprova o novo roteiro e os novos

documentos.

 

Padrões de qualidade segundo a Metodologia DPA

 

O Roteirista-Editor não somente deve ter formação e experiência em

escrita de roteiro, como também excelentes capacidades analíticas,

estratégicas, comunicacionais e de liderança. Sua formação e ofício

na escrita de roteiros o ajudarão não somente em seu papel como

coautor, mas também a compreender as implicações do processo

de escrita. Em outras palavras, compreender plenamente como é o

trabalho do roteirista e do que precisará para concluir sua tarefa.

 

Suas capacidades analíticas são imprescindíveis em seu papel de

consultor, ao analisar os documentos de roteiro; deve ser capaz de

ver além do particular para compreender as complexas relações das

partes que compõem o roteiro como um todo.

 

Suas capacidades estratégicas servem a duas funções: por um

lado, como gerente, para estabelecer as estratégias de

desenvolvimento de roteiro; e, por outro, como consultor para

apresentar possíveis soluções para os problemas criativos.

 

Suas capacidades comunicacionais são de suma importância para

seu papel como gerente, já que deve ser capaz de transmitir

claramente as instruções a seus subordinados e explicar seus atos

ao Produtor Executivo. Também são essenciais para seu papel

como consultor, já que deve ser capaz de comunicar de forma

precisa os problemas encontrados e as possíveis soluções.

 

Por último, é essencial que o Roteirista-Editor tenha aptidões para a

liderança. É, definitivamente, quem conduz sua equipe através das

tempestuosas águas do desenvolvimento do roteiro. Deve saber

motivar sua equipe e levar o roteiro a um bom porto. Em algumas ocasiões, terá que ser flexível, cordial e compreensivo e, em outras,

duro, exigente e corretivo. Porém, invariavelmente deve ser a figura

a quem toda sua equipe respeita e segue com convicção.

 

A equipe de desenvolvimento de roteiro

 

FIGURA 22 – Organograma da equipe de desenvolvimento de

roteiro

 

O Roteirista-Editor conta com uma equipe de desenvolvimento de

roteiro que se divide em elaboração e investigação. Para os

processos de elaboração dos documentos do roteiro, seu braço

direito é o Roteirista; e para os processos de pesquisa, o Chefe de

Pesquisa de roteiro e seu grupo de pesquisadores contribuem com

a informação necessária.

 

O Roteirista

 

O objetivo principal do Roteirista é, em um aspecto, similar ao do

Roteirista-Editor, já que deve contar boas histórias, que se tornem

interessantes para o público-alvo. Por outro lado, é responsável

direto por escrever os documentos de roteiro, aplicando os

princípios e as ferramentas da arte de contar histórias, os quais

conhece e maneja com perfeição, traduzindo em palavras o seu

trabalho como Roteirista-Editor.

FIGURA 23 – O Roteirista

 

O Roteirista deve saber como redigir e dar o formato adequado à

premissa, à sinopse, ao tratamento, à escaleta e ao roteiro

cinematográfico. Deve conhecer a função e a finalidade de cada

documento, assim como conduzir a narrativa cinematográfica,

conceitos básicos de produção, direção, arte, sonoplastia, fotografia

e montagem. Isto é válido tanto para um roteiro de ficção como para

um de documentário.

 

O Roteirista e o Roteirista-Editor como autores do filme

 

Um filme é o resultado do trabalho organizativo, financeiro, laboral e

artístico de um conjunto de pessoas com um alto nível de

especialização. Para tal, contribuem tanto técnicos como artistas,

que põem a serviço da obra seu talento, formação, ofício e

capacidade organizativa. Trata-se, sem dúvidas, de uma obra de

criação coletiva quase por definição; de fato, seria praticamente

impossível realizar um filme de forma unipessoal.

 

Entretanto, quando nos perguntamos quem é o autor do filme,

costumamos pensar no diretor, já que é quem tem uma ingerência

direta sobre o produto final. De fato, nos créditos iniciais de um filme

se costuma citar o diretor como o único autor, sob a fórmula de “um

filme de…”. De fato, o diretor é quem determina a moldura, por intermédio de seu roteiro técnico, elege os atores e trabalha com

estes a interpretação das personagens,determina a encenação,

participa na montagem, na escolha da arte gráfica, da trilha sonora,

etc. Em definitivo, é quem dá a ordem de filmar e cortar a tomada;

por isso, é lógico que pensemos que é o criador do filme. Porém,

ainda que seja verdade que a filmagem e a pós-produção são as

etapas mais próximas à concretização do filme, estas têm mais a

ver com a execução que com a criação.

 

O verdadeiro processo de criação de uma obra se realiza durante a

etapa de desenvolvimento do projeto, um processo no qual o diretor

praticamente não tem participação, já que seu verdadeiro trabalho

começa a partir da pré-produção. De fato, o diretor só é contratado

pela produtora após ter-se obtido o financiamento para produzir o

filme. Nesse momento, também é contratado o resto do pessoal, o

que reafirma e explica por que é somente neste momento que o

diretor pode começar seu trabalho. Sem roteiro, atores,

equipamentos, pessoal ou demais recursos, ao diretor não é

possível desenvolver nenhuma de suas responsabilidades diretas

–– posicionamento de câmera, encenação e direção de atores ––

nem as outras funções cuja responsabilidade divide com o resto da

equipe –– direção de arte, direção de sonoplastia, direção de

fotografia e montagem.

 

A verdadeira criação da obra original (o roteiro) que será a base

para a criação do filme se dá durante o desenvolvimento do projeto.

É nessa etapa –– mais especificamente durante o desenvolvimento

do roteiro –– que nasce o universo que abarcará as personagens e

a história que servem de base para que, mediante um processo de

interpretação onde intervém o resto da equipe, essa obra original ––

o roteiro –– seja executada e transformada em uma obra resultante

–– o filme. E, nesta etapa, o papel mais importante é o da equipe de

roteiro, composta pelo Roteirista e o Roteirista-Editor. Sem roteiro,

não há projeto e, sem projeto, não há filme.

 

Pensando objetivamente, o Roteirista e o Roteirista-Editor são os

únicos verdadeiros autores no processo de criação de um filme. De sua contribuição depende o trabalho do resto dos talentos –– desde

o diretor, até os atores, o diretor de fotografia, o diretor de arte, o

diretor de som, o editor, etc. Sem menosprezar a importante cota de

talento, trabalho e ofício que o resto da equipe aporta durante o

processo de produção para criar o filme, o certo é que todos

trabalham para executar uma obra resultante (o filme) por meio de

um processo de interpretação da obra original (o roteiro).

 

Este é um conceito que muitas vezes encontra resistência,

sobretudo em países que adscrevem à “teoria do autor” surgida na

França na década de sessenta, que coloca a figura do diretor acima

de todos os talentos que participam da criação de um filme. No

entanto, esta corrente não contradiz o que afirmamos, já que coloca

o diretor em uma tripla função: como produtor, como roteirista e

como diretor. Desta forma, o diretor tem absoluto controle criativo

sobre a criação da história e do filme; as únicas duas obras

registráveis legalmente.

 

Também devemos reconhecer que o editor tem um papel muito

importante no processo criativo do filme. É conhecida a frase que

afirma que a história se escreve três vezes; a primeira está a cargo

do roteirista, a segunda a cargo do diretor e a terceira, a cargo do

editor. Ao final da filmagem, o editor deve colocar em ordem o

material filmado pelo diretor e reorganizá-lo. Aí, podem surgir novos

ajustes à história, como a eliminação de cenas ou a reorganização

de sequências completas que podem melhorar ou inclusive mudar o

sentido original da história.

 

Ainda que reconheçamos o importante papel do diretor e do editor,

não podemos esquecer que tanto o trabalho do diretor quanto o do

editor consistem na interpretação ou execução da obra original cuja

autoria pertence ao roteirista. Mesmo na indústria mais afastada do

modelo de “autor” se reconhece isto. De fato, costuma-se afirmar

que, nos Estados Unidos, a Writer’s Guild of America (WGA),

sindicato de roteiristas, realiza greves gerais com periodicidade de

alguns anos com o único propósito de demonstrar a Hollywood que,

sem o roteirista, não há trabalho para ninguém.

A única exceção que poderíamos encontrar à afirmação de que o

verdadeiro autor do filme é o roteirista pode ser o caso de uma

adaptação, onde partimos de outra obra original (tal como uma

novela, uma obra de teatro, etc.), e a reinterpretamos,

transformando-a em um roteiro adaptado. Neste caso, tanto o

roteirista quanto os outros talentos interpretam a história da obra

original.

 

O roteiro de um documentário

 

É importante compreender que a tarefa do Roteirista e do Roteirista-

Editor é a mesma, sem importar o gênero de que se trate. Neste

sentido, torna-se importante esclarecer um mal-entendido sobre o

papel do roteiro no mundo do documentário já que se costuma

afirmar que se escreve durante a edição –– o que é absolutamente

falso. Ainda assim, muitos documentaristas –– e,

surpreendentemente até alguns autores –– costumam afirmar a

impossibilidade (ou, no melhor dos casos, a inutilidade) de escrever

um roteiro para documentário.

 

Se é verdade que, em certo tipo de documentários, é impossível

escrever o roteiro no formato de ficção, pela ausência dos diálogos,

isso não significa que não se deva escrever, pelo menos, uma

escaleta (quer dizer, um resumo cena por cena). Isto costuma

ocorrer com alguns documentários que requerem uma extensa

pesquisa de campo (com uma equipe de direção registrando

imagens e sons no lugar dos fatos). Somente nestes casos o

Roteirista e o Roteirista-Editor desenvolvem o roteiro até um estágio

de escaleta –– a qual não requer a transcrição textual dos diálogos.

 

Neste caso, descrevem-se as ações em cada cena e se faz um

resumo do que as pessoas dizem (ou vão dizer). Ainda que não se

possa adivinhar o que dirá textualmente um entrevistado, os

roteiristas contam (graças à pesquisa) com suficientes elementos

que lhes permitem prever sobre que assuntos falarão e o que dirão.

Se o roteirista não puder fazê-lo, isso significa que é necessário que

se amplie a pesquisa. No restante dos documentários, escreve-se o roteiro completo de forma muito similar a como o faríamos em um

roteiro de ficção.

 

O mal-entendido se explica em parte porque, quando um diretor de

documentário filma, por exemplo, uma entrevista (que na realidade

faz parte da pesquisa de campo, como explicaremos mais adiante)

acredita que está rodando seu documentário. Na realidade, se ainda

não tiver escrito, pelo menos, uma escaleta, somente estará

realizando um registro audiovisual da pesquisa em seu papel de

“Diretor-Pesquisador” correspondente à etapa de desenvolvimento

de projeto. Se o faz com um padrão técnico para que esse material

possa eventualmente ser utilizado na produção do documentário,

está –– adicionalmente –– adiantando parte da filmagem.

 

A decisão de realizar este tipo de pesquisa deve ser

cuidadosamente avaliada pelo Produtor Executivo já que, embora

possa poupar dinheiro do orçamento de produção, encarece

significativamente o orçamento de desenvolvimento de projeto.

Encarar uma pesquisa de campo é um último recurso e somente se

justifica em caso de não ser possível obter a informação necessária

para escrever o roteiro mediante a pesquisa bibliográfica ou de

material de arquivo (mais adiante, explicaremos estes temas com

mais detalhes).

 

O roteiro (ou ao menos a escaleta) de um projeto de documentário é

uma condição indispensável para que o Produtor Executivo possa

organizar uma pasta de projetos que lhe permita obter os recursos

para a produção. Ninguém, em são juízo, investiria seu dinheiro em

um projeto audiovisual que não sabe como vai ser. Sem contar pelo

menos com um tratamento, o Produtor Executivo não é capaz nem

sequer de fazer um orçamento sério, portanto não saberia quais são

os recursos que deve obter.

 

Caso o Produtor Executivo determine como necessária uma

pesquisa de campo, o desenvolvimento do roteiro melhora

notavelmente a eficiência de todo o processo investigativo, já que

estabelece uma espécie de diálogo com a pesquisa. Ao ter uma

ideia mais definida sobre qual é a história a contar, a pesquisa se torna muito mais ordenada e se pode priorizar o que é importante

perguntar ou não. Isto significa um alívio para o Diretor, já que

recebe tanta informação e possibilidades de temas interessantes,

que costuma terminar confuso e sem saber realmente o que quer

contar. Isto geralmente traz como resultado documentários que dão

a sensação de não ir à direção alguma, com fragmentos de coisas,

interessantes no particular, mas que não chegam a compensar o

decepcionante resultado final do conjunto.

 

Ao realizar o desenvolvimento do roteiro paralelamente à pesquisa,

um processo se nutre do outro e ambos funcionam organicamente.

Ao final da pesquisa, há uma escaleta com uma história clara e

interessante. Também há grande parte do material filmado e outras

sequências que saberemos que precisaremos filmar para concluir a

produção. Ter uma clara ideia sobre o que se vai contar ajuda o

documentarista a guiar sua pesquisa, sobretudo, a saber o que deve

perguntar aos entrevistados no momento de encarar a filmagem, de

que informação necessita para completar sua função dentro do

roteiro.

 

Padrões de qualidade segundo a Metodologia DPA

 

Para a Metodologia DPA é indispensável que o roteirista conte com

uma educação formal, além de talento e ofício. Feita a ressalva de

que a educação e a prática de nada servem se não há talento, é

igualmente certo que a ignorância e a inexperiência podem levar ao

fracasso o trabalho de um artista talentoso. Na Europa e na América

Latina, costuma existir uma grande resistência à formação do

roteirista (e, por extensão, também à do diretor) em grande medida

como uma deformação da teoria do autor. Esta situação se explica

já que se parte de um preconceito que consiste em crer que o único

elemento importante para a criação de uma obra é o talento.

 

Nesta linha de pensamento, as pessoas nascem predestinadas a

serem artistas ou não. Os que nascem com talento têm o necessário

para serem artistas e devem esforçar-se para não se deixar

“contaminar” pela educação ou a aprendizagem de técnicas que não

farão nada além de tirar a pureza de sua arte. Inclusive os menos radicais, que opinam que a formação desempenha um papel

importante na criação, costumam confundi-la com a cinefilia. As

pessoas que viram uma grande quantidade de filmes, dos maiores

autores da história do cinema, são frequentemente tratadas como

“experts”. No entanto, mesmo sendo educativo conhecer os grandes

autores, isto não pode igualar-se a ter uma verdadeira formação

sobre os princípios que regem a arte de contar histórias.

 

Esta formação parte de dois pilares fundamentais: a educação

formal e o ofício. A educação formal permite ao artista conhecer a

“técnica” e os princípios fundamentais de sua arte; e o exercício do

ofício lhe permite aprender a aplicá-los a seu trabalho e conhecer

aspectos particulares não explorados na educação formal. Estes

dois tipos de formação são como dois lados de uma mesma moeda

e seria incorreto afirmar que um possa substituir o outro. A mera

educação formal, às vezes não é suficiente na hora de aplicar a

criatividade à criação de uma obra em particular, porém, permite ao

artista dispor de um conjunto de ferramentas para encarar o trabalho

e lhe proporciona um horizonte amplo, que serve como contexto

para sua tarefa criadora. A formação adquirida por meio do exercício

da função permite ao artista encontrar na prática certos princípios de

sua arte e automatizar certos processos, porém limita sua

aprendizagem unicamente a sua experiência, o que, de forma

alguma, pode ser equiparável à experiência acumulada por uma

multidão de artistas através dos séculos (a qual pode ser aprendida

na educação formal). A esse respeito, Robert McKee comenta:

 

[…] O novato se lança à frente sem olhar, contando unicamente

com sua experiência, pensando que a vida que viveu e os

filmes que viu lhe dão algo a contar e uma forma de contá-lo.

No entanto, valoriza excessivamente a experiência […] e a

respeito da técnica, o que o novato confunde com ofício é

simplesmente sua absorção inconsciente de elementos

narrativos de todas as novelas, filmes ou obras de teatro com

as que se encontrou. Ao escrever, avalia e compara seu

trabalho com um modo construído a partir de um acúmulo de

leituras e observações. O escritor sem formação o chama

“instinto”, ainda que somente se trate de um hábito rigidamente

restritivo. Ou imita seu protótipo mental ou se imagina na

vanguarda e se rebela contra ele. Porém, o uso cego e

caprichoso ou a rebelião contra a soma de repetições

inconscientemente gravadas não são, em nenhum sentido,

técnicas, e produzem roteiros cheios de clichês de tipo

comercial ou artístico.

Esse tateio às cegas é um fenômeno recente. Nos decênios

passados, os roteiristas aprendiam seu ofício na universidade

ou mediante sua experiência no teatro ou na escrita de novelas,

como aprendizes do sistema de Hollywood, ou mediante uma

combinação dos sistemas anteriores.

No início do século XX, várias universidades chegaram ao

convencimento de que, igualmente aos músicos e aos pintores,

os escritores necessitavam do equivalente a uma escola

musical ou artística para aprender os cânones de seu ofício.

Com esse objetivo, acadêmicos como William Archer, Kenneth

Rowe e John Howard Lawson escreveram uma série de livros

excelentes sobre a dramaturgia e as artes da prosa. Seu

método era intrínseco e extraía sua força dos grandes músculos

do desejo, das forças do antagonismo, dos pontos de inflexão,

da coluna vertebral, da progressão, da crise, do clímax: a

história vista desde o interior19. (T.N.)

 

O cinema, da mesma forma que qualquer outra arte, requer

formação, esforço e talento para chegar a criar uma verdadeira obra

artística; e nenhum verdadeiro artista pode crer que a inexperiência

e a ignorância sobre os princípios de sua arte sejam o passaporte

até a criação. O processo de desenvolvimento de roteiro é

extremamente complexo e envolve uma intrincada trama de

operações e relações entre os elementos que constituem o roteiro

como um todo. A esse respeito, comenta Robert McKee:

 

Se nosso sonho fosse compor música, diríamos a nós mesmos:

“já escutei muitas sinfonias… também sei tocar piano… creio

que comporei uma este fim de semana?” Não. No entanto, é

exatamente assim que começam muitos roteiristas: “Vi muitos

filmes, alguns bons e outros ruins… peguei um que estava

sobrando na redação… chegaram as férias…”.

Se quiséssemos compor, nos dirigiríamos a um conservatório

para aprender tanto a teoria quanto a prática musical,

concentrando-nos no gênero da sinfonia. Depois de anos de

diligência, fundiríamos nosso conhecimento e nossa

criatividade, lançaríamos mão da coragem e nos

aventuraríamos a compor. Há muitos escritores pouco

reconhecidos que nunca suspeitaram que a criação de um bom

roteiro é tão complicada quanto a criação de uma sinfonia, ou

até mais, em alguns aspectos. Enquanto o compositor cria com

a pureza matemática das notas, nós nos submergimos em algo

caótico conhecido como natureza humana […]” 20. (T.N.)

 

Devido à complexidade da tarefa de criação de histórias, existe uma

multidão de variantes frente às quais o Roteirista e o Roteirista-

Editor devem avaliar cada passo. Torna-se praticamente impossível

atender a todas as frentes de uma só vez. Por isso, o Roteirista-

Editor deve estabelecer uma ordem de prioridades em cada fase do

processo para focalizar a atenção, a energia e o talento no que é

importante para a etapa em que se encontra.

 

O Chefe de Pesquisa

 

Todo roteiro de ficção requer uma pesquisa. O autor deve conhecer

seus personagens e seu mundo. Porém, em alguns casos, esta

tarefa excede os limites da criação artística e o conhecimento do

autor. Por exemplo, se um personagem é um físico nuclear, ou se a

história se desenvolve em um contexto histórico determinado, será

necessário contar com a assessoria de experts no tema.

 

No caso de um documentário, a pesquisa é o primeiro passo

obrigatório, já que sem informação sobre o tema é impossível que o

Roteirista e o Roteirista-Editor possam começar sua tarefa. Para

organizar a informação necessária no processo de escrita, existe o

papel do “Chefe de Pesquisas”. Seu objetivo principal é prover ao

Roteirista-Editor a informação de que este necessita de forma precisa, clara, contextualizada e organizada por ordem de

importância. Essa informação é traduzida nos Relatórios de

Pesquisa de roteiro, que podem ser de dois tipos: escritos ou

audiovisuais.

 

O Chefe de Pesquisa não deve ser uma enciclopédia que conheça

todos os assuntos. O que deve saber é organizar sua pesquisa para

determinar o que perguntar e a quem perguntar.

 

FIGURA 24 – O Chefe de Pesquisa

 

Para sua tarefa, deve reunir uma equipe de pesquisadores que

cubram cada uma das áreas possíveis de pesquisa: bibliográfica, de

campo ou audiovisual. Esses pesquisadores devem conhecer o

tema específico a pesquisar; o mais comum é que, a cada nova

necessidade informativa, seja preciso incorporar novos

especialistas.

 

O Chefe de Pesquisa deve elaborar as táticas necessárias para

obter e processar a informação requerida pelo Roteirista-Editor e

incluí-la em seus informes. Estes documentos são de suma

importância já que sua incorreta elaboração pode desperdiçar o

esforço investido em obter a informação. Deve receber a informação

de sua equipe de pesquisa, organizá-la, resumi-la, traduzi-la em

uma linguagem compreensível para o Roteirista-Editor e colocá-la

em um relatório. De nada serve um Chefe de Pesquisa que

simplesmente reúna toda a informação e a copie para seu relatório,

assim como aparece.

O Roteirista-Editor não tem (nem é necessário que tenha) o tempo

nem a capacidade para ler centenas de páginas em uma linguagem

específica sobre um tema que desconhece. Neste sentido, o Chefe

de Pesquisa deve ser didático, capaz de educar o Roteirista-Editor

sobre o objeto de sua pesquisa, de estabelecer uma ordem de

importância das informações recebidas, contextualizá-las e

comunicá-las.

 

As áreas de pesquisa de roteiro

 

Existem duas áreas principais às quais o Chefe de Pesquisa pode

recorrer a fim de obter a informação solicitada pelo Roteirista-Editor:

 

Pesquisa de material

Pesquisa de campo

 

Na área de pesquisa de material, recorremos a material já

elaborado; em outras palavras, recorremos a material bibliográfico

(livros, novelas, diários, editoriais, ensaios, etc.) ou a material de

arquivo audiovisual (entrevistas em um programa de televisão,

filmes, documentários, programas de rádio, etc.).

 

Na pesquisa de campo, a equipe de pesquisa elabora seu próprio

material; seja porque um pesquisador viajou para entrevistar os

habitantes de uma comunidade hippie na Patagônia; ou porque o

Diretor-Pesquisador filmou com uma pequena equipe de produção

uma entrevista a um ativista de um movimento ecológico.

 

O Chefe de Pesquisa organiza uma equipe de pesquisas com base

nas áreas que considera primordiais para levar adiante sua tarefa.

Em cada área, pode haver tantos pesquisadores quanto forem

necessários, já que nem sempre uma mesma pessoa pode cobrir

todas as necessidades de sua área. Por exemplo, se o projeto é

uma ficção acerca de um sobrevivente de um naufrágio na

Patagônia no século XVIII, é necessário contar com um especialista

em barcos dessa época, um historiador que conheça o contexto

histórico-político, um biólogo que conheça acerca das espécies de

plantas e animais que povoavam a Patagônia no século XVIII, etc.

Ao definir as táticas que colocará em prática para levar adiante sua

tarefa, o Chefe de Pesquisa deve levar em conta os custos. Torna-

se óbvio que a pesquisa baseada em material já existente (pesquisa

de material) torna-se muito menos custosa que a elaboração de

material próprio (pesquisa de campo). Dependendo do tema de que

se trate, o Chefe de Pesquisa elabora seu próprio orçamento, o qual

deve ser aprovado pelo Produtor Executivo. Em termos de

eficiência, o Chefe de Pesquisa determina a princípio se as

necessidades investigativas podem ser cobertas mediante a

pesquisa de material, deixando a pesquisa de campo como último

recurso.

 

A equipe de pesquisa de roteiro

 

Como assinalamos anteriormente, a equipe de pesquisa de roteiro

pode variar, dependendo do projeto. Tentaremos, porém, definir

papéis básicos que podem adaptar-se às necessidades de qualquer

pesquisa.

 

FIGURA 25 – Organograma da equipe de pesquisa

 

A princípio, podemos subdividir a equipe de pesquisa em dois

ramos; por um lado, aqueles que recolhem informação com base em

material produzido por terceiros; e por outro, aqueles que geram

material com base em sua própria pesquisa de campo. Isto

determina a aparição de dois papéis:

 

Coordenador de pesquisa de material: Sua função é

implementar as táticas estabelecidas pelo Chefe de Pesquisa

para recolher a informação disponível em material de arquivo.

Pode se tratar de publicações como livros, revistas, jornais,

sites de internet, etc. Ou então, de material de arquivo

audiovisual,como programas de televisão, programas de rádio,

filmes de ficção ou documentário, material de arquivo, material

multimídia, animações, gráficos, etc. Para busca dos materiais,

pode-se recorrer a “Pesquisadores Bibliográficos” ou a

“Pesquisadores de Arquivo Audiovisual”. A partir da informação

recolhida, o Coordenador de Pesquisa de Material elabora um

dos vários relatórios que leva ao Chefe de Pesquisa de roteiro.

Coordenador de pesquisa de campo: É quem organiza e

coordena o levantamento de informações no local. Para isto,

recorre a dois tipos de pesquisadores: “pesquisadores de

campo”, que entrevistam as pessoas, registram sua pesquisa

em formatos não audiovisuais e elaboram um documento, que

levam ao Coordenador; ou ao “Diretor-Pesquisador” que, com

um pequeno grupo de produção, registra audiovisualmente

informação no local. Se o projeto para o qual se realiza a

pesquisa for um documentário, a Metodologia DPA recomenda

que o Diretor-Pesquisador seja a mesma pessoa que, uma vez

estando na etapa de produção, dirija o documentário. Desta

forma, a filmagem pode realizar-se com um padrão de

qualidade e um critério estético que permitam sua eventual

utilização como material audiovisual para incluir no

documentário. Uma vez registrado o material audiovisual, o

Diretor-Pesquisador edita e produz um “documento audiovisual”

que leva ao Coordenador. A figura do Diretor-Pesquisador é um

dos dois únicos casos em que se inclui um diretor durante o

desenvolvimento de projetos (o outro é o diretor do pré-trailer,

sobre o qual trataremos mais adiante).

 

Uma vez reunida a informação dos pesquisadores de campo e do

Diretor-Pesquisador, o Coordenador de Pesquisa de Campo

organiza, faz a triagem, contextualiza a informação e elabora um

documento final que leva ao Chefe de Pesquisa de roteiro.

 

Padrões de qualidade segundo a Metodologia DPA