Desenvolvimento de projetos audiovisuais: a metodologia DPA

4.3.1 Ato, sequência, cena

Para descrever um tratamento, é lógico que tenhamos que saber o

que é uma sequência. Trata-se de um conceito básico que qualquer

profissional ligado ao trabalho audiovisual conhece. No entanto,

nunca é demais esclarecer, principalmente porque, em alguns livros

de roteiro (como o citado de McKee), é comum haver certa confusão

na forma de utilizar este termo.

 

Começaremos explicando a menor unidade de medida: a cena. Em

um roteiro, as cenas são identificadas com um cabeçalho que indica

o número, o cenário (isto é, o lugar onde acontece a ação), se ocorre

um interior ou exterior e se é de dia ou de noite. A cena está definida

por duas variantes: tempo e espaço. Quando alguma dessas

variantes muda, é o final de uma cena.

 

Se passarmos a uma unidade de medida maior, temos uma

sequência. Aqui, a variável mais importante é a da unidade

dramática. Uma sequência é como uma pequena história ou um

episódio que faz parte da história geral. Pode estar composta por

várias cenas ou apenas por uma, o importante é que se trata de um

problema dramático ou tema particular (este tema será tratado ao

falar da unidade dramática) e tem sua própria estrutura dramática

clássica (com seus 3 atos, catalisador, pontos de virada e clímax). Às

vezes, as sequências utilizam alguma das duas variantes de

estrutura clássica para relatos curtos (a estrutura clássica

simplificada ou a estrutura clássica truncada).

 

É de grande importância revisar cada sequência do tratamento para

garantir que tenha sua própria estrutura narrativa; isto proporciona

mais fluidez ao relato e, ao mesmo tempo, permite ao Roteirista-

Editor identificar aquelas sequências que não vão a lugar nenhum e

só fazem a história ficar estancada. Há, no entanto, uma exceção a

esta regra; mesmo que cada uma das sequências tenha que fazer a

história avançar, há momentos em que precisamos que o público

descanse e recupere o fôlego após uma sequência de alta carga

dramática (como, por exemplo, um ponto de virada). Estas

sequências são chamadas “de transição”. Estas sequências não precisam fazer o relato avançar e podem ser simplesmente